Quinta-feira, 26 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº984
Menu

JORNAL DE DEBATES > CASO ISABELLA

Um suspeito ‘culpado’

Por Bruno Henrique Bezerra Rebouças em 15/04/2008 na edição 481

Desde a morte da inocente criança Isabella Nardoni, de 5 anos, não se ouve mais nada na imprensa brasileira além desse assunto. A morte de tal criança é de chocar: cair ou ser jogada do 6º andar de um prédio é uma história escandalosa, um fato para Hercule Poirot ou Sherlock Holmes desvendarem. Cada passo da polícia, dos peritos, do pai e da madrasta, ou até mesmo da mãe, são seguidos de perto pela grande imprensa e pela mídia em geral, claro. A maior dúvida está em saber quem ganha mais audiência ou vende mais jornal com essa desgraça.

Vejamos: não há problema da imprensa publicar, repetitivamente os novos fatos da morte de Isabella. O grande problema reside na responsabilidade que a mídia tem de separar a realidade do boato, as verdades das mentiras. Os suspeitos primários são o pai e a madrasta, lógico, pois Isabella estava, naquele instante, sobre a responsabilidade deles. No entanto, não devemos acusá-los pelo crime nesta altura da história, primeiro porque não é nosso trabalho e todos, familiares e sociedade, estão sensibilizados.

No Observatório da Imprensa, em 2 de abril, sai um artigo de Luiz Antonio Magalhães, intitulado ‘O caso Isabella Nardoni é uma nova Escola Base?‘. Para quem não lembra ou não conhece o caso Escola Base, vamos aos fatos. No início de 1994, diversos jornais publicaram uma série de reportagens acusando os donos e alguns funcionários, num total de seis pessoas, de estarem envolvidos em abuso sexual cometidos contra as crianças daquela escola. Nas prerrogativas da investigação, o delegado deu um parecer a imprensa, baseado em laudos do IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo. A imprensa condenou as pessoas. Com o passar do tempo, viu-se que todos eram inocentes judicialmente, vale salientar. Porém, a imprensa já os tinha condenado, ou seja, nunca mais as vítimas teriam suas reputações restabelecidas.

‘Leviandade é crime’

Voltando ao texto de Luiz Magalhães, ele esboça essa preocupação, pois jornais paulistas já condenam o pai de Isabella. Com o decorrer da investigação, ele pode vir a ser culpado, mas creio que esse não é o papel da imprensa (julgar), e sim, publicar fatos que dêem subsídios para que a população possa criar suas opiniões.

Ainda no artigo do Observatório, podemos verificar que o autor, assim como eu, não defende o pai ou a madrasta. Alertamos, sim, para que não haja mais uma vez a condenação prematura de cidadãos que, até o momento, não devem nada à justiça. O delegado declarou à rede Globo que o pai era suspeito. A Globo e alguns jornais colocaram o pai (de suspeito pela polícia) a culpado pela imprensa.

Por fim, uma frase retirada do artigo de Clóvis Rossi, publicado na Folha de S.Paulo (2/04), intitulado de ‘Leviandade é crime’: ‘Nem importa, no caso, se vier a se comprovar que o pai é mesmo culpado. Não cabe ao delegado, ao menos nesta fase da investigação, dizer quem é ou não suspeito. Se o pai for de fato culpado, será punido ao fim da investigação. Se for inocente, já está punido.’ E a culpa será da calorosa e irresponsável imprensa.

******

Estudante de Jornalismo, Natal, RN

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/04/2008 Marco Antônio Leite

    Caro escriba, não existe suspeito primário, mas sim culpados por esse monstruoso crime. Analisando friamente esse delito, conclui que a madrasta maltratou com pancadas a indefesa menina a ponto de deixá-la sem sentidos, para se ver livre do problema o magnífico pai há jogou pela janela. Resumo da opera, ambos são peremptoriamente culpados pelo acontecido. Não existe meio grávida, ou esta ou não? Essa terceira pessoa foi pura invenção dos facínoras para se verem livres de uma longa masmorra. O roteiro do fato, qualquer cidadão de cérebro pobre culturalmente e educacionalmente deduziria que os assassinos já estavam junto com a menina já fazia tempo.

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem