Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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JORNAL DE DEBATES > MATA! ESFOLA! (4)

Uma exibição dos piores instintos

Por Alberto Dines em 21/11/2006 na edição 408

Pretendia-se intimidar aqueles que recusaram a balela do ‘complô da mídia’. Orquestrou-se um sistema de linchamentos cibernéticos. E, como sempre, produziu-se uma sórdida exibição de maus instintos.

A pretexto da ‘democratização do debate sobre a mídia’, inventou-se a malhação digital. Imaginava-se que o simples uso das novas tecnologias da informação, meia dúzia de palavras de ordem e nenhum suporte cultural e moral seriam capazes de criar um fato novo em matéria de imprensa.

Só produziram retrocessos. A mídia corrige-se através de mídias alternativas. Foi sempre assim, desde Gutenberg. Movidos pela fúria ou pelo idealismo – ou ambos – grupos de militantes reúnem-se para estabelecer novos paradigmas, novos veículos. E assim se avança.

No grande circo da Internet, os franco-atiradores sabem que são apenas números, dados no contador de acessos de um provedor. Só conseguirão chamar a atenção se a sua letalidade suplantar a do parceiro de fúria. Como os homens-bomba, competem na capacidade de destruir.

Foi o que aconteceu com um ‘leitor’ insano indevidamente acolhido pelos coordenadores do blog do jornalista Mino Carta. Certo da impunidade investiu de forma brutal contra o colunista Diogo Mainardi, ferindo-o na condição de pai e pisoteando a sua dor.

O ‘leitor’ retirado do anonimato graças aos seus piores atributos deve estar feliz com a súbita notoriedade. Mas os que assistem a esta reedição do ‘Terror’ em nome da liberdade de expressão certamente já perceberam onde poderemos chegar.

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/11/2006 Paulo Mora

    Totalmente verdade. A injúria, calúnia, difamação ou ofensa que transite nesse espectro deveria ser rechaçada e punida de forma exemplar, seja proferida por leitores ‘insanos’ (melhorou, pelo menos não chamou de ‘petista’…) ou habilmente escrita por jornalistas, ainda impunes e intocáveis desses delitos. O próprio ofendido (e corretamente defendido pelos seus pares) foi incansável em ofender o Presidente com todo tipo de adjetivo que pôde encontrar. Não lembro de ter sido criticado pelos articulistas deste observatório. Dois pesos e vinte medidas.

  2. Comentou em 21/11/2006 Clerton de Castro e Silva

    Eu fico abismado, como divergências políticas chegam a níveis tão baixos. Os blogs deveriam se responsabilizar por publicarem estes excessos, como aquele acolhido no blog do Mino Carta, como tambem algumas palavras ofensivas a moral das pessoas, publicadas em todos os blogs, inclusive aqui no Oi. São palavras que não tem nada a ver com as propostas apresentadas.

  3. Comentou em 21/11/2006 Eduardo Alex

    Cuidado Dines! Daqui a pouco os ‘crentes’ irão lhe acusar de partidário de Diogo Mainardi.

  4. Comentou em 21/11/2006 Rogério Ferraz Alencar

    Pretendia-se observar a imprensa, mostrar meandros da produção de notícias, expor a informação como algo não totalmente objetivo ou completamente imparcial. Que a mídia tradicional poderia ser corrigida por mídias alternativas. O leitor seria agora participante, comentando, emitindo opiniões. Mas eis que a campanha pela reeleição de um “iletrado” despertou a fúria das elites, dos cultos, dos eruditos. O observador transforma-se em defensor incondicional da mídia golpista. Os veículos midiáticos que vão “na contra-mão da história” viram alvos de jornalistas-bomba, que jogam o prestígio conquistado ao longo da carreira numa empreitada suicida, para que o poder volte ao seu ‘curso normal’, para as mãos dos ‘preparados’, dos ‘bem-nascidos’, da elite branca, enfim. O leitor, então, torna-se um entulho a ser intimidado, a ser varrido, avacalhado, achincalhado. É mandado para o seu devido lugar, para que os que sabem possam deitar falação. O delírio de grandeza faz o observador se sentir observado pelo próprio presidente da República, que, sem ter mais o que fazer, arregimenta paus-mandados para intimidar o valentão que denuncia o complô anti-mídia. Pelo comentário descabido de um leitor, pescado em busca frenética por algo desabonador, os demais, que já eram apenas números a justificar os patrocínios, tornam-se franco-atiradores sem suporte moral e cultural.

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