Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > CAÇAS NA MÍDIA

Uma história em quadrinhos
que merece ser acompanhada

Por Alberto Dines em 09/01/2010 na edição 571

O que é um caça? Qual o papel das aeronaves na guerra moderna? E os mísseis? Quem ameaça a nossa soberania? O que significa exatamente ‘parceria estratégica’?


A compra dos 36 primeiros aparelhos do programa de reaparelhamento da força aérea deixou de ser novela, telenovela e romance policial. Agora está mais próxima do estilo narrativo das histórias em quadrinhos – simplificada, sincopada e falsamente eletrizante.


Em 2001, no segundo mandato de FHC, o programa era designado como F-X e estava orçado em pouco menos de R$ 4 bilhões. Em novembro de 2002, o presidente decidiu entregar a decisão ao sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, que preferiu priorizar o combate à fome.


Seis anos depois, maio de 2008: resolvido aparentemente o problema da fome, o programa é acelerado, rebatizado como FX-2 a um custo de R$ 10 bilhões. As opções de equipamentos reduziram-se sucessivamente, agora restaram três. O governo está claramente dividido: a área técnica (FAB) prefere o modelo sueco (Gripen), mais barato para construir e operar. A área política, comandada pelo próprio presidente da República, opta pela alternativa francesa (o Rafale), mais cara e menos benéfica para a indústria nacional. Os dois grupos concordam numa questão fundamental: é preciso decidir imediatamente.


Pergunta óbvia: por que a pressa? As forças armadas consideram iminente o início de uma guerra?  O governo teme que o assunto seja levado aos palanques eleitorais? Neste caso, qual o inconveniente? Não seria mais democrático e, portanto, mais patriótico deixar que o sucessor de Lula tome a decisão?


Ameaças fictícias


Entrementes, convém atentar para outras questões. Os aparelhos, erroneamente chamados pela imprensa de ‘caças’, são na verdade, caças-bombardeiros, aparelhos multifuncionais, eventualmente destinados a interceptar ataques da aviação inimiga e prioritariamente atacar alvos além-fronteiras. Hoje, a defesa aérea de um país depende primeiramente de um sistema de radares e mísseis. O dogfight, combate aéreo, é coisa do passado. Qual a potência que nos ameaça e deve ser preventivamente atacada – a Venezuela com os seus flamantes Sukhoi de fabricação russa nos quais não consegue enfiar-se o gordo Hugo Chávez?


A última façanha aérea na América Latina foi protagonizada por um turboélice, Supertucano, fabricado pela nossa Embraer para as forças armadas colombianas. No outro lado do mundo, no Afeganistão, a mais nova vedete são os aparelhos não-tripulados, comandados por controle-remoto, capazes de voar a grandes altitudes, iludir os radares, localizar com precisão a qualquer hora com qualquer tempo grupos fortemente armados e destruí-los. Custa uma fração insignificante de um dos superjatos.


Significa que devemos queimar etapas e preparar a FAB para a guerra do futuro, a chamada guerra-limpa, operada em monitores, botões e joysticks? É uma questão que não precisa ser respondida, mas deveria ser levantada. Se não pelo governo, pelo menos por aqueles que estão produzindo esta emocionante história em quadrinhos. Também neste aspecto a visão dos técnicos (leia-se FAB) é a mais sensata, porque além de optar por uma solução menos dispendiosa capacita o país a fazer os inevitáveis saltos tecnológicos.


Conviria investigar ainda o real significado da misteriosa expressão ‘parceria estratégica’ para justificar opção pelo Rafale francês. No cenário mundial qual a real diferença entre os EUA e a França? Sarkozy é mais progressista do que Barack Obama? O complexo militar-industrial francês é menos faminto que o americano? A França é institucionalmente mais republicana do que os EUA, sua política externa é multipolar, universalista, defende a entrada da Turquia na União Européia? O velho bonapartismo gaulês está mais próximo de nossos paradigmas político-culturais do que a plataforma pós-racial e pós-ideológica do primeiro presidente negro americano?


Esta história em quadrinhos vai render, merece ser acompanhada. Sem pressa e muita atenção.

Todos os comentários

  1. Comentou em 13/12/2010 Sionelly Leite

    Olá!
    Me chamo Sionelly Leite, resido em Curitiba e sou pesquisadora em comunicação pela UTP (Universidade Tuiuti do Paraná). Lendo artigos no site de vocês me deparei com um material bastante relevante à minha pesquisa de mestrado, a respeito do caso Darko Maver, que é meu objeto de pesquisa no projeto. Bem, a matéria tem como título DARKO MAVER – Por uma poética da farsa, e é assinada por Guy Amado, e a publicação original deriva da Revista no 7. Com isso, gostaria de estar pedindo informações a respeito, se há outros artigos referentes ou jornalistas que possam me informar algo sobre o caso.

    Agradeço a atenção!
    Um abraço!

    Sionelly Leite
    (sionelly@gmail.com)

  2. Comentou em 11/01/2010 Martim Nicoladelli

    CAÇA À MARACUTAIA DOS CAÇAS
    Vocês não vão querer que depois de Moulin Rouge, Paris, França (que charme, que inveja), o presidente (populista e ditador) e os dois ministros mais exibidos digam o que está acontecendo, né? Fiquem felizes se conseguirem trabalho para pagar muito imposto (a maior carga deste planeta) nestes próximos 30 anos. Aliás, é o papel de vocês neste evento! É, a compra será feita pelo dobro do prêço (você paga tudo!). Paciência, gente. Vocês sabem que a vida em Paris é cara, né? E como os novos francêses vão viver em Paris? Têm que reservar uma graninha dentro da cueca, né? Não reclamem … ué, vocês estavam achando graça do que o presidente estava fazendo … justamente no final de seu mandato. Se houver uma enorme maracutaia nisto, será rotulada apenas como ‘coisas de governos passados’ ou então como ‘perseguição política’, pois o autor estará bem longe e à salvo. Isto faz parte da democracia: propina-se o mandatário e o pais cai de quatro. Agora, voltem ao trabalho … e façam bastante horas-extras. Talvez tenham até que pagar um pouco mais de impostos. Paguem e não bufem! Ah, ia esquecendo: não estou a fim de entrar nesta vaquinha. Vocês pagam a minha parte nesta conta, né?

  3. Comentou em 11/01/2010 Martim Nicoladelli

    CAÇA À MARACUTAIA DOS CAÇAS
    Vocês não vão querer que depois de Moulin Rouge, Paris, França (que charme, que inveja), o presidente (populista e ditador) e os dois ministros mais exibidos digam o que está acontecendo, né? Fiquem felizes se conseguirem trabalho para pagar muito imposto (a maior carga deste planeta) nestes próximos 30 anos. Aliás, é o papel de vocês neste evento! É, a compra será feita pelo dobro do prêço (você paga tudo!). Paciência, gente. Vocês sabem que a vida em Paris é cara, né? E como os novos francêses vão viver em Paris? Têm que reservar uma graninha dentro da cueca, né? Não reclamem … ué, vocês estavam achando graça do que o presidente estava fazendo … justamente no final de seu mandato. Se houver uma enorme maracutaia nisto, será rotulada apenas como ‘coisas de governos passados’ ou então como ‘perseguição política’, pois o autor estará bem longe e à salvo. Isto faz parte da democracia: propina-se o mandatário e o pais cai de quatro. Agora, voltem ao trabalho … e façam bastante horas-extras. Talvez tenham até que pagar um pouco mais de impostos. Paguem e não bufem! Ah, ia esquecendo: não estou a fim de entrar nesta vaquinha. Vocês pagam a minha parte nesta conta, né?

  4. Comentou em 10/01/2010 Paulo Soares

    Amigo Dines… Cá entre nós, que ninguém nos ouça: há um assunto sobre caça que vc entende muito melhor, e todos nós, grande maioria, estamos ansiosíssimos para saber o teu parecer, e desse vc entende muito bem, chama-se Boris Casoy.Ele foi um’ avião e tanto’ no CCC, caça aos comunistas. O sujeito tem um poder de destruição tremendo, entra pelos lares, vai fulminando a verdade, a moralidade e disseminando o preconceito e a hipocrisia.Manda cada ‘missil’ de preconceito pra cima dos garis, que ele alcunhou de lixeiros. por favor, amigo Dines, precisamos do teu vasto conhecimento sobre esse ‘caça’ do CCC! Estamos em compasso de espera!
    Grato de coração. A família brasileira, empenhada, agradece. Cria coragem, amigo, rompa as amarras do corporativismo e fale sobre o tal ‘caça’, Boris Casoy.
    Saludos, um admirador inconteste!

  5. Comentou em 10/01/2010 Herman Fulfaro

    Aliás, já que o Gripen é apenas um projeto e ao menos por enquanto não tem condições de ser testado, o amor repentino por ele deveria ser objeto de análise não pela FAB, mas por experts em matéria de oráculos e adivinhações. Ao contrário do Rafale, testado aqui mesmo no Brasil, em terra e no porta-aviões São Paulo, o projeto sueco é uma incógnita, seus custos são presumivelmente baixos, porém o valor real é desconhecido, tem uma só turbina de FABRICAÇÃO NORTE-AMERICANA, e portanto, embargável ou sem perspectiva de repasse tecnológico, ao menos quanto a este “pequeno detalhe”. A coisa é tão surreal que, se em algum momento a FAB declarou preferência pelo Gripen, coisa que de fato eu duvido, isso deve ter vazado para servir de balão de ensaio, para forçar os franceses a baixarem ainda mais o preço do Rafale, que no final das contas não se resume apenas num avião pronto, acabado e testado, inclusive no Afeganistão, mas herdará todo investimento em tecnologia que durante anos não fez, onde não empregou um centavo sequer, tudo graças a um repasse incondicional e ilimitado de tecnologia acenado pelo franceses, podendo os 36 caças, enfim, serem adquiridos pelo mesmo preço que foram vendidos ao governo francês. Generosidade do Sarkozy? Claro que não! Negócio de ocasião que só a crise econômica que abalou o mundo (mas nem tanto o país da marolinha) pode explicar…

  6. Comentou em 10/01/2010 Adriana Jota

    Ohhhh Dines,
    Quer dizer então que de agora até janeiro de 2011 (quando o próximo presidente toma posse) o Lula não pode tomar mais nenhuma decisão importante, pois seria mais ‘patriótico’ e ‘democrático’ deixar para seu sucessor…….
    Então porque o mandato dele não acaba agora?????

    Faça-me o favor!!!!!!!!!!!!!!!!!

  7. Comentou em 10/01/2010 Marcio B. Martins

    E dai entra mais um que não entende do assunto para dar o seu palpite.
    E a obssessão de sempre pela palavra Lula , querendo estabelecer o que ele deve fazer

  8. Comentou em 27/10/2006 Daiane Cintia

    Eu gostaria de saber o que posso fazer pra entrar em contato com o dep. Inocencio Oliveira!? Pois recebo cartas dele todo mes mas preciso falar com o mesmo!
    Grata pela atenção

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