Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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JORNALISMO CULTURAL > Festival de Cinema

Locarno sempre nos deixa lembranças fortes

Por Rui Martins em 04/09/2018 na edição 1003

Nem sempre os filmes mais marcantes para nós são os escolhidos pelo júri para a distribuição dos Leopardos. Isso, porém, confirma a apresentação de uma gama de filmes capaz de satisfazer e mesmo entusiasmar um público diverso.

Para mim, o filme marcante foi Sibel, sobre uma comunidade conservadora turca numa região montanhosa. Ali vivia Sibel, a filha do prefeito, muda e que se exprimia só por assobios, um tipo de comunicação usado na região, antes das facilidades atuais. Um retrato da intolerância dos lugarejos, onde a tradição da moral religiosa perdura e se transmite de geração a geração. Uma coprodução franco-turca, dirigida por um casal franco-turco, Guillaume Giovanetti e Çağla Zencirci. Muitos críticos gostaram, mas o júri ignorou.

Outro filme não premiado foi A Flor, do argentino Mariano Llinás, um total de 14 horas de uma história sem começo nem fim. Já exibido no Festival de Cannes, o último filme de Spike Lee, BlacKkKlansman, não estava na competição mas conquistou os espectadores da Piazza Grande e ganhou o Prêmio do Público.

O filme brasileiro Temporada, de André Novais Oliveira, era algo singelo mas verdadeiro. Não ganhou nada, mas marcou sua presença e mostrou a realidade brasileira.

Ainda na Piazza Grande um extraordinário filme colombiano, Pássaros de Verão, de Cristina Gallego e Ciro Guerra, o mesmo do excelente Abraço da Serpente. Uma história de plantadores de café que decidem cultivar maconha, se enriquecem e acabam se destruindo entre si, vítimas de suas próprias ambições, tradições, superstições e de uma influente matriarca. Os pássaros eram os aviões de transporte da maconha para os americanos.

O Leopardo de Ouro foi para um filme de Singapura, de Zeo Siew Hua, Uma Terra Imaginada, mostrando a situação dos imigrantes asiáticos utilizados nos trabalhos de aterro da região portuária.

Havia um filme choque, o único documentário na competição internacional, tendo como título a letra M. Era o relato de casos de abusos sexuais e pedofilia abafados numa comunidade israelense de religiosos e rabinos ortodoxos hassídicos. Ganhou o Prêmio Especial do Júri.

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Rui Martins esteve em Locarno convidado pelo Festival Internacional de Cinema.

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