Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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América Latina é segunda região do mundo com mais assassinatos de jornalistas nos últimos cinco anos, diz Unesco

Por Carolina de Assis em 05/11/2019 na edição 1062

(Foto: Divulgação – Campanha #KeepTruthAlive)

Publicado originalmente no blog Jornalismo nas Américas

Entre 2014 e 2018, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) registrou 495 assassinatos de jornalistas ao redor do mundo – e a América Latina e o Caribe foram a segunda região mais letal para os profissionais: aqui ocorreram 127 dessas mortes, um quarto do total.

Estes e outros dados sobre violência contra jornalistas estão no relatório “Intensified attacks, new defences: developments in the fight to protect journalists and end impunity” (“Ataques intensificados, novas defesas: desenvolvimentos na luta para proteger jornalistas e acabar com a impunidade”, em tradução livre).

O informe foi divulgado no dia 31 de outubro, no marco do Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes Contra os Jornalistas (IDEI, na sigla em inglês), comemorado anualmente no dia 2 de novembro. A data foi estabelecida pela ONU em 2013, em homenagem aos jornalistas franceses Claude Verlon e Ghislaine Dupont, assassinados no Mali em 2 de novembro daquele ano.

Segundo a Unesco, houve um aumento de 18% nos assassinatos de jornalistas no mundo todo nos últimos cinco anos em relação ao período anterior (2009-2013), e a maior parte das mortes ocorreram em estados árabes (países do Norte da África e do Oriente Médio): 149, ou 30% do total.

O México foi o segundo país com mais registros de assassinatos de jornalistas, superado apenas pela Síria, envolta em uma guerra civil desde 2011, e apenas por uma morte: foram 54 assassinatos no país árabe e 53 no país latino-americano nos últimos cinco anos, segundo a Unesco. Outros latino-americanos na lista da organização são Brasil (23 assassinatos), Guatemala (13), Colômbia (12), Honduras (12), Paraguai (4), Peru (4), El Salvador (3) e República Dominicana (2).

Enquanto até 2015 a maioria dos assassinatos de jornalistas ocorreu em regiões de conflito, a partir de 2016 essa proporção se inverteu, e nos últimos dois anos 55% das mortes aconteceram fora de regiões de conflito, registrou a organização. “Essa tendência reflete a natureza cambiante da violência contra jornalistas, que estão cada vez mais sendo silenciados por reportar sobre questões de corrupção, crime e política”, diz o informe.

De acordo com os dados da Unesco, 91% dos profissionais assassinados nos últimos cinco anos atuavam no jornalismo local. Para chamar a atenção do público para os riscos enfrentados por jornalistas locais, a organização lançou no dia 31 de outubro a campanha #KeepTruthAlive (Mantenha a verdade viva, em tradução livre). O site traz um mapa com informações sobre cada caso condenado publicamente pela Unesco desde 1993 e se o assassinato segue impune ou não.

Por meio da campanha, o IDEI de 2019 “coloca o foco sobre jornalistas locais cobrindo corrupção e política em situações de não-conflito”, afirmou Audrey Azoulay, diretora geral da Unesco, em sua mensagem sobre o dia. “O fim da vida de um jornalista não deveria nunca ser o fim da busca pela verdade.”

Também no marco do Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes Contra os Jornalistas, o Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgou no dia 29 de outubro seu Índice de Impunidade Global 2019.

O relatório apontou os treze países do mundo com maiores taxas de impunidade em assassinatos de jornalistas. Entre eles estão dois latino-americanos: México, em sétimo lugar no ranking, e Brasil, em nono.

Segundo o CPJ, no México houve apenas uma condenação nos 31 assassinatos de jornalistas registrados pela organização entre 1º de setembro de 2009 e 31 de agosto de 2019. O país é também o mais letal para jornalistas até o momento, em 2019, com cinco profissionais assassinados em razão de seu trabalho, de acordo com dados do CPJ.
Já o Brasil teve quinze assassinatos de jornalistas, entre 2009 e 2019, que seguem impunes, segundo a organização.

***

Carolina de Assis é jornalista e pesquisadora que vive em São Paulo.

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