Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1062
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KNIGHT CENTER > Café e conversa

Efecto Cocuyo busca melhorar a cobertura da migração venezuelana nas Américas

Por Paola Nalvarte em 22/10/2019 na edição 1060

(Foto: Reprodução – Twitter)

Publicado originalmente no blog Jornalismo nas Américas

Na Venezuela, chama-se guayoyo o café leve que é tomado no meio da manhã ou no meio da tarde para criar um espaço para conversar ou relaxar.

Com base nessa tradição, e com o desejo de saber mais sobre as experiências dos migrantes venezuelanos das bocas dos próprios protagonistas, o site Efecto Cocuyo está organizando guayoyos com migrantes na América Latina.

Em junho de 2019, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) estimou que cerca de 4 milhões de venezuelanos deixaram o país. “Os venezuelanos fora de seu país são um dos maiores grupos de populações deslocadas do mundo”, afirmou a organização.

Nestes guayoyos, entre organizações e meios de comunicação aliados venezuelanos e migrantes, o objetivo é aproximar-se do significado da grande história do êxodo que atingiu vários países do continente.

O Efecto Cocuyo começou a fazer guayoyos em 2016 para cobrir questões de mulheres. Eles foram criados “para planejar o conteúdo com as pessoas”, disse ao Centro Knight Danisbel Rodríguez, diretora de estratégia do Efecto Cocuyo. “É uma maneira de aterrar ou nutrir nossa agenda de informações com o foco e a visão daqueles que nos leem ou que estão sendo diretamente afetados por uma questão específica”, explicou.

Nesse sentido, e graças ao apoio da mídia aliada, como El Colombiano, na Colômbia, e a organização Conectas Direitos Humanos, no Brasil, o site venezuelano conseguiu reunir e conversar com grupos de venezuelanos que migraram recentemente para esses países, para saber que tipo de informação eles precisam do jornalismo.

“Essa não é uma atividade de assistência, é uma atividade, se desejado, de informações, serviços e conscientização dos direitos humanos que todos os migrantes têm no mundo. Não é porque eu vou para outro país que perco o status de cidadão e não tenho direitos”, afirmou Rodriguez.

Luz Mely Reyes, CEO do Efecto Cocuyo, disse ao Centro Knight que essas reuniões internacionais com migrantes venezuelanos fazem parte do projeto de jornalismo colaborativo da Cocuyo Migrante.

“A ideia é criar uma plataforma de jornalismo útil para as pessoas que migraram da Venezuela e também uma plataforma de reuniões entre venezuelanos que deixaram e que permanecem no país. Contando o país que se foi e que está sendo construído do lado de fora, mas também o que está ficando”, disse Reyes.

“Vemos que há muita desinformação em geral”, disse Reyes. O jornalista deu como exemplo as possibilidades existentes para os migrantes no Brasil, que podem regularizar sua situação com um procedimento relativamente simples. “Essa informação nem todo mundo tem. Portanto, as pessoas perdem muito tempo, perdem dinheiro, são muito vulneráveis ​​e podem ser vítimas de fraudes”, afirmou.

No primeiro guayoyo com migrantes, organizado em Medellín, Colômbia, em 3 de outubro, Rodriguez disse que os participantes sugeriram aos jornalistas como entrevistar pessoas que estão na fronteira, informações sobre como uma pessoa estrangeira se insere no mercado de trabalho do país que o recebe, os dias de vacinação para crianças e adultos, serviços, processamento de autorizações de residência legal etc.

A partir dessa reunião, jornalistas de El Colombiano conseguiram identificar questões de cobertura, tópicos para suplementos, para seu portal, além de coletar ideias para aplicativos móveis, disse Rodríguez. “Foi bastante completo. Como um meio digital que está aqui na Venezuela, ratificamos a necessidade de criar uma plataforma regional, de serviço e de histórias que atenda a todos os migrantes que estão na região. E, ao mesmo tempo, atenda a outras mídias que desejam participar dessa iniciativa para ingressar no projeto”, acrescentou.

Em 15 de outubro foi realizado o segundo Guayoyo com Migrantes, dessa vez em São Paulo, Brasil, na sede da Conectas Direitos Humanos. O terceiro está sendo coordenado com um meio digital no Chile e o quarto será na Argentina. Dois outros países que são alvo de guayoyos com migrantes são o Peru e o Equador.

Guayoyos são as atividades da primeira etapa do projeto de jornalismo colaborativo Cocuyo Migrante, explicado por Reyes. Outra etapa desse projeto-quadro é a criação de uma rede de jornalistas migrantes venezuelanos, disse Reyes. A ideia é “gerar um banco de dados com todas as pesquisas que estão sendo feitas sobre a migração venezuelana”.

“No momento, estamos no estágio de coleta de dados, por meio da Cocuyo Migrante e por meio de uma investigação que estamos realizando sobre as iniciativas que tratam da questão da migração [venezuelana]. A ideia não é repetir esforços, mas tentar maximizar todos os esforços existentes, tentar uni-los”, explicou.

Portanto, eles também trabalharão em parceria com a Panas Digitales, uma rede de mais de quarenta jornalistas venezuelanos que trabalham fora da Venezuela, em vários países do mundo, cobrindo a migração venezuelana, disse Reyes.

Pela falta de acesso a informações que os migrantes venezuelanos têm nos países latino-americanos para os quais migram, a plataforma Cocuyo Migrante buscará mais alcance nas redes sociais, fornecendo informações relevantes para os migrantes, segundo Reyes.

“As pessoas estão se organizando através de grupos do Facebook e do WhatsApp para trocar informações por aí. Existem muitos sites com muita informação dispersa e as pessoas precisam ir de um em um”, disse Reyes. O jornalista disse que, no Brasil, muitos venezuelanos obtêm as informações que buscam por meio de grupos do WhatsApp, embora também se voltem para sites que atendem refugiados e migrantes.

“Acreditamos que é importante fazer jornalismo com as pessoas, é importante ouvir o público, os usuários de nossa mídia e ajustar a agenda jornalística às suas necessidades”, afirmou Rodriguez.

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Paola Nalvarte é jornalista peruana e mora em Austin, Texas.

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