Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MEMóRIA > JOE KUBERT (1926-2012)

Morre um mestre das HQs

Por Jotabê Medeiros em 21/08/2012 na edição 708
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 14/8/2012; intertítulo do OI

Morreu na segunda-feira (13/8) um dos maiores mestres dos quadrinhos modernos, Joe Kubert, aos 85 anos. Nascido na Polônia, filho de um açougueiro kosher, ele imigrou com a família para os Estados Unidos quando tinha apenas dois meses de idade. Kubert desenhou ininterruptamente durante 74 anos. Entre suas principais criações, estão Sgt. Rock e Gavião Negro. Ele também foi, nos anos 1970, um dos maiores desenhistas de Tarzan, O Homem-Macaco (um dos três maiores, ao lado de Hal Foster e Burne Hogarth). Seu trabalho em Tarzan é referencial: ele não apenas tornou a selva convulsiva e misteriosa; ela a tornou viva e pulsante, uma nova protagonista.

Joe Kubert foi tão importante para os quadrinhos americanos quanto Will Eisner ou Frank Miller. Ele esteve no Brasil em 1994, para uma palestra na Escola Panamericana de Artes. Em 1997, fez o cartaz e foi o homenageado pelo Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte. Como Will Eisner, também trabalhou como educador, criando uma espécie de usina das HQs em Nova York, a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art, em Dover, New Jersey. Ali, lecionou até o fim da vida. Desenhou histórias de personagens-chave das HQs, como Sgt. Rock, Batman, Ás Inimigo, Flash, Tex e Gavião Negro, tornando-se um dos mais influentes artistas da arte que Eisner chamava de sequencial.

Nos anos 1940, Kubert desenhou quadrinhos durante dois anos por US$ 5 cada página. Ele contava, bem-humorado, que ainda assim ganhava mais que seu pai. “Mas o trabalho era horrível, eles não deviam me pagar por aquilo”, disse ao New York Times.

“As pessoas tinham vergonha de dizer que faziam quadrinhos. Muitos dos que foram trabalhar na indústria eram ilustradores de revista que simplesmente não tinham mais onde publicar e não queriam admitir que faziam ‘revistinhas’”, disse Kubert em 1995 ao Estado. “Este meio sempre foi considerado uma arte menor. Nunca foi aceito como uma forma de expressão adulta. Eu sempre me orgulhei do meu trabalho, sempre quis trabalhar com isto e estou muito satisfeito.”

“Realidade intensa”

Kubert começou a trabalhar com quadrinhos aos 11 anos. Ao longo da carreira, tornou-se parceiro de Jack Kirby e Will Eisner, entre outros. Em 1977, ganhou simultaneamente os Prêmios Eisner e Harvey pelo trabalho Fax From Sarajevo. “A sensação que tenho é que os quadrinhos não devem absolutamente nada a nenhuma outra arte existente.”

O personagem Tarzan foi criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs. Kubert o eternizou. Em 2010, a Devir Livraria lançou o volume Tarzan – A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias (R$ 49,00), reunindo todas as histórias originais de Joe Kubert, com colorização também original de Tatjana Wood, restaurada especialmente para a edição.

“Minha intenção ao fazer Tarzan era injetar a emoção e a proximidade que senti quando li suas histórias pela primeira vez. Eu me esforcei ao máximo para recapturar a realidade que fora tão intensa para mim”, afirmou Joe Kubert em 2005, no prefácio que escreveu para a edição Tarzan – The Joe Kubert Years. Dois de seus cinco filhos, Adam e Andy, tornaram-se também festejados cartunistas na Marvel e na DC Comics. Em 2008, o artista perdera a mulher, Muriel (teve câncer no seio). Joe Kubert teve 12 netos.

***

[Jotabê Medeiros, do Estado de S.Paulo]

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