Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

MEMóRIA > LUIZ PAULO HORTA (1943-2013)

Intelectual brilhante, terno e generoso

Por Maria Clara Bingemer em 06/08/2013 na edição 758
Reproduzido do Globo.com, 4/8/2013

Querido amigo, amado irmão, como assim? Partir dessa maneira, tão repentina? Falávamos ontem ao telefone preparando sua festa de 70 anos! Rimos, combinamos de almoçar… E acordo com essa notícia que ainda me dói na cabeça e no peito. Tantas coisas a preparar, a sonhar, a projetar… Como será possível sem você?

O que posso dizer a você e sobre você neste momento, com tortas letras e emocionadas palavras? Para mim e muitos você foi o intelectual brilhante, o leitor voraz e erudito, o escritor cuidadoso, o acadêmico irretocável… Mas sobretudo a encarnação da ternura de Deus. Tudo em você respirava essa ternura dispensada a todos, dos mais simples aos mais importantes. A singeleza terna de seu olhar, de seu falar… Tudo transmitia esta verdade na qual acreditamos e que agora você conhece: Deus é amor!

Essa ternura que conseguia aproximar-se sem se impor nem fazer peso aparecia também em seus escritos, nas análises do grande jornalista que você foi. Fosse o tema música clássica, cinema, política ou religião, além do profundo conhecimento que era o seu, sempre brilhava a doçura.

Lembro-me do dia em que você veio a minha casa trazer-me seu livro “A Bíblia: Um diário de leitura”. Eu havia acompanhado sua inspiração, gestação e parto. Alegrei-me tanto! E mais ainda com a primeira edição esgotada, quatro mil exemplares vendidos em um mês. E a Bíblia voltando à intimidade de muitos corações através de sua escrita terna e amorosa.

Como você amou a Palavra de Deus, amigo tão querido! Como se comprometeu em seu conhecimento e difusão! Como fez com que outros e outras amassem mais ainda essa Palavra que para você não era letra morta, mas Espírito e vida!

Sua última obra foi a Jornada Mundial da Juventude. Ali seu coração generoso entregou suas últimas reservas de força. Acompanhar o Papa Francisco, seguir-lhe os passos surpreendentes, interpretar palavras que eletrizavam milhões de pessoas, essa foi uma tarefa gigantesca que você assumiu com a galhardia e a ternura de sempre. Ontem você me confessava que estava exausto. Não houve tempo para descansar. Você se foi. Discreto como viveu.

Até breve, amigo. Você sabe que diante do Senhor um dia é como mil anos, e mil anos são como um dia.

 

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Maria Clara Bingemer é teóloga, autora de O mistério e o mundo (Editora Rocco)

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