Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

MEMóRIA > FRANCESC PETIT (1934-2013)

Francesc Petit, o P da DPZ, morre aos 79

Por Mariana Barbosa em 10/09/2013 na edição 763
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 7/9/2013

O publicitário Francesc Petit Reig, o P da DPZ, morreu ontem [sexta, 6/9] às 12h20 em São Paulo aos 79 anos, de câncer.

Ele foi um dos maiores diretores de arte da propaganda brasileira, criador de logotipos como o S da Sadia e a pedra preta (hoje azul) do Itaú.

Criou também a marca da Gol Linhas Aéreas e assinou, com Washington Olivetto, a campanha do Garoto Bombril, com o ator Carlos Moreno.

O publicitário estava internado havia um mês no hospital Sírio-Libanês, para um tratamento de câncer que já durava mais de um ano.

Petit trabalhou normalmente na DPZ até a internação. Os sócios, Roberto Duailibi, 77, e José Zaragoza, 83, continuam a dar expediente.

Nascido em Barcelona, veio para o Brasil em 1952. Trabalhou na JWT e na McCann-Erickson antes de fundar a DPZ com Duailibi e Zaragoza, em 1968.

A DPZ foi a casa de estreia de grandes nomes da propaganda brasileira, como Olivetto e Nizan Guanaes.

“A única pessoa na minha vida que teve importância tão grande e que me influenciou tanto quanto meu pai foi Petit”, disse Olivetto, que por 14 anos formou com ele uma das duplas mais criativas da publicidade nacional.

“O Petit é o grande pai da propaganda brasileira moderna. Ela deve tudo a ele. É um dia extremamente triste para nós”, afirmou Nizan.

Pintura

Petit era também pintor e gostava de arquitetura, restauração e literatura. Mantinha uma casa antiga na Catalunha (Espanha), que ele mesmo restaurou e onde costumava passar uma temporada todos os anos.

No Brasil e na Espanha, era politicamente engajado –militou na luta pela soberania da Catalunha.

De um rigor estético consigo próprio e com os outros, usava meias vermelhas e não deixava passar deslizes estéticos alheios. “Menino, essa gravata não combina”, dizia a executivos. Era também generoso e elogiava a elegância do interlocutor quando assim o julgava.

Flores

Era casado havia cinco décadas com Inês Mendonça Petit, a quem costumava presentear com flores e plantas que ele mesmo comprava no Ceasa. Cultivava-as no jardim de sua casa e também na entrada do prédio da DPZ, na avenida Cidade Jardim.

É autor de três livros: “Propaganda Ilimitada”, sobre o negócio da propaganda, “Faça Logo uma Marca”, acerca de marcas famosas que criou, e a ficção “Quem Inventou Picasso”.

Petit estava havia poucos meses da “aposentadoria”. Pelo acordo com o Publicis Groupe, que em 2011 comprou 70% da DPZ, os sócios deixarão a sociedade depois de 31 de dezembro, quando terão vendido os 30% restantes (10% de cada sócio).

Além de Inês, Petit deixa as filhas Isabel, Luiza e Julia e cinco netos.

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Mariana Barbosa, da Folha de S.Paulo

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