Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MEMóRIA > TELMO MARTINO (1931-2013)

Jornalista Telmo Martino morre aos 82 anos no Rio

Por ‘FSP’ em 10/09/2013 na edição 763
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 4/9/2013

O jornalista Telmo Martino morreu ontem [terça, 3/9], aos 82 anos, no Hospital Samoc, de complicações decorrentes de uma pneumonia. Estava internado desde o dia 22 de agosto.

Nascido no Rio, Telmo, como era conhecido, estudou no Colégio Santo Inácio, onde foi colega de Paulo Francis. Formou-se em direito, profissão que nunca exerceu.

Em 1953, juntou-se como ator a um grupo amador de teatro, o Studio 53, que, durante uma temporada, apresentou três peças no Teatro de Bolso de Silveira Sampaio.

Ali reencontrou Paulo Francis, que cuidava da bilheteria, e conheceu Ivan Lessa. Os três se tornaram grandes amigos. No futuro, seriam sempre citados juntos como modelos de um jornalismo crítico, culto e sofisticado.

De 1955 a 1967, Telmo trabalhou como redator nos serviços de transmissão radiofônica para o Brasil da BBC, em Londres; depois, da Voz da América, em Washington; e, de novo, da BBC.

Em 1958, quando foi lançada a revista “Senhor”, dirigida por Francis e a convite deste, colaborou com uma “Carta de Londres”, em que resenhava a cultura britânica.

Em 1967, de volta ao Rio, foi chamado por Francis a integrar a equipe da nova revista “Diners”, de que faziam parte jovens como Ruy Castro, Alfredo Grieco e Flavio Macedo Soares.

Com o fim da “Diners”, em 1969, Telmo foi para o “Última Hora” e, depois, para o “Correio da Manhã”, onde escrevia uma página de notas cáusticas e hilariantes, assinada por Daniel Más.

Por causa dessas notas, que sacudiam a cidade, foi convidado em 1971 por Murilo Felisberto a transferir-se para o “Jornal da Tarde”, em São Paulo, e escrever uma coluna com seu próprio nome.

Pelos 15 anos seguintes, Telmo foi uma marca do “Jornal da Tarde”. Tornou-se uma celebridade paulistana –e sua palavra de aprovação (ou não) passou a ser indispensável para a maioria dos atores, cantores, escritores e artistas plásticos de São Paulo.

Washington Olivetto, Fausto Silva, Rita Lee, Glorinha Kalil, Costanza Pascolato, Beatriz Segall e Osmar Santos eram dos poucos que ele elogiava constantemente.

O melhor de Telmo foram as “turmas” que ele delimitou e nomeou. Numa paisagem em que pululavam bichos-grilos, rótulos como “barba-e-bolsa” e “poncho-e-conga” dispensavam qualquer explicação.

Uma colônia italiana endinheirada e melômana constituía o pessoal do “Scala-e-escarola”. Paulo Maluf e outros descendentes de libaneses formavam o bando do “quibe-e-quilate”.

Chega a espantar que tenha levado apenas um troco em público –um chute no traseiro, desferido numa festa pelo poeta Mario Chamie.

Telmo manteve uma coluna semanal de televisão na Folha entre 1998 e 2000.

Fixando-se de vez no Rio a partir de 2000, Telmo afastou-se dos amigos. Podia passar meses sem sair de casa, dormindo de dia e vendo TV de madrugada. A saúde declinou, e Telmo morreu na madrugada de ontem. Nunca se casou e não deixou filhos. (Colaboraram Marco Aurélio Canônico e Sérgio Rangel)

***

Repercussão

>> Fernanda Montenegro, atriz – “Grande figura! Elegantíssimo, tinha um sorriso extremamente mordaz. É um tipo de visão tão audaciosa, desafiadora, iconoclasta, que faz falta.”

>> Washington Olivetto, publicitário – “Apesar da reputação da língua dele, era uma pessoa muito doce. Por isso, dei o título Serpente Encantada’ para seu livro.”

>> Rogério Fasano, empresário e “restaurateur” – “Tive com Telmo momentos de muita alegria. Era uma pessoa da qual não adiantava você gostar: ele é que tinha de gostar de você. Era muito inteligente e com um senso de humor absolutamente único.”

>> Gloria Kalil, estilista – “Um dos textos mais divertidos e elegantes da imprensa. Deixava as pessoas bravas, não resistia. Era mais forte do que ele.”

>> Barbara Gancia, jornalista e colunista da Folha – “Era talentosíssimo. Foi o cara que mais cuspiu carne crua na história da humanidade. Mas era boa alma, gostava de cachorro.”

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