Domingo, 25 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Jornalista revelou corrupção policial

Por Italo Nogueira em 07/01/2014 na edição 780

O jornalista Mário Morel, de 76 anos, não glamorizava sua profissão. Em depoimento ao Centro de Cultura e Memória do Jornalismo, em 2008, assim definiu o posto. “Eu não penso em ser jornalista como uma coisa transcendental. É uma profissão como outra qualquer.”

Morel começou a carreira aos 16. Filho do reconhecido jornalista Edmar Morel, logo se desfez da sombra do pai. Aos 23, fez o que é considerada a primeira reportagem sobre corrupção policial. A série de matérias, que mostrava extorsão a comerciantes, recebeu menção honrosa do Prêmio Esso. Trabalhou no Última Hora, Mundo Ilustrado, Diário da Noite, convivendo com jornalistas como Joel Silveira e Samuel Wainer.

Em 1981, desempregado, viajou a São Bernardo (SP) e passou 15 dias com o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva. O fruto foi o livro Lula, o início, um dos primeiros sobre o petista. Na TV, foi um dos pioneiros no telejornalismo nas TVs Excelsior e Rio. Desde a década de 1980 trabalhou na TVE, onde criou o formato do programa Sem Censura. Após mais de 20 anos, foi demitido em 2009 da TV Brasil (que sucedeu a TVE). “Fala-se muito em fazer TV pública. Mas não faz porque o governo – todos – diz: ‘A gente vai pagar para ser esculhambado?’ […] No Brasil não tem mentalidade para isso, infelizmente.”

Ele morreu na sexta-feira [3/1], vítima de infarto. Foi enterrado no sábado, no cemitério São João Batista.

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Italo Nogueira, da Folha de S.Paulo

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