Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

MEMóRIA > JOE McGINNISS (1942-2014)

O repórter e o personagem

Por ‘FSP’ em 18/03/2014 na edição 790
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 12/3/2014; título original “Morre o jornalista Joe McGinniss, aos 71 anos”

O americano Joe McGinniss, conhecido por seus livros sobre líderes políticos e como personagem de ética questionada no celebrado “O Jornalista e o Assassino”, de Janet Malcolm, morreu ontem, aos 71, em Massachusetts, nos Estados Unidos.

A morte foi anunciada na página do Facebook do escritor, que há meses oferecia informações sobre sua batalha contra o câncer de próstata.

McGinniss se destacou no cenário jornalístico aos 26 anos, ao publicar “The Selling of the President 1968”, obra sobre os bastidores da corrida bem-sucedida de Richard Nixon à Casa Branca. O livro logo virou best-seller.

A respeito dessa obra, o “New York Times” escreveu, em 2011, que “continua sendo uma façanha em termos de reportagem e análise, tão relevante hoje quanto quando apareceu pela primeira vez”.

Nos anos 1980, McGinniss publicou uma trilogia sobre crimes reais, “Fatal Vision”, “Blind Faith” e “Cruel Doubt”, todos adaptados para para a TV americana.

Foi o primeiro desses três livros que o transformou no personagem central da hoje clássica obra da jornalista Janet Malcolm sobre a ética (ou a falta dela) na relação entre entrevistador e entrevistado.

Em “Fatal Vision”, de 1983, McGinniss contava a história de Jeffrey MacDonald, médico do Exército condenado pelo assassinato da mulher grávida e das duas filhas.

Após a publicação do livro, que também virou best-seller, MacDonald processou McGinniss, alegando que este fingira considerá-lo inocente para conseguir depoimentos –quando, no livro, informava estar convicto de sua culpa desde o início.

O processo terminou com um acordo extrajudicial, pelo qual McGinniss se comprometeu a ressarcir MacDonald em US$ 325 mil (cerca de R$ 760 mil) por danos morais.

Em 1987, o advogado de McGinniss escreveu a Janet Malcolm criticando o desfecho do processo, já que um condenado fora beneficiado em detrimento do homem que escrevera sobre o crime.

Ao apurar, Malcolm conclui que McGinniss agira de má-fé. O tema rendeu duas reportagens para a “New Yorker” e, em 1989, o livro “O Jornalista e o Assassino”.

Sarah Palin

Em 2010, o escritor Joe McGinniss voltou a chamar a atenção ao alugar uma casa vizinha à de Sarah Palin, no Alasca, para escrever uma biografia não autorizada.

“The Rogue: Searching for the Real Sarah Palin” (2011), retrato pouco lisonjeiro sobre a política derrotada nas eleições presidenciais de 2008, foi o 11º e último livro do autor.

McGinniss declarou que seu objetivo era escrever um livro que “traçasse a curiosa ascensão de Palin à proeminência política e ao status de celebridade mundial”, expondo “a realidade confusa por baixo do mito de Palin”.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem