Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MEMóRIA > EDUARDO CAMPOS (1965-2014)

Acidente evidencia vulnerabilidade de jornalistas

Por Sávia Lorena Barreto Carvalho de Sousa em 19/08/2014 na edição 812

A cobertura jornalística da morte do ex-governador de Pernambuco e candidato à presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, revela para a maior parte da população brasileira o papel que profissionais da imprensa exercem nas campanhas eleitorais. Além de Campos, do piloto e do copiloto, Alexandre Severo Gomes da Silva, fotógrafo, Carlos Percol, assessor de imprensa e Marcelo de Oliveira Lyra, cinegrafista, morreram no acidente de avião em Santos (SP). Presentes na maioria dos compromissos públicos, a importância de jornalistas que atuam como assessores de imprensa e fotógrafos é ainda mais significativa quando se trata de um presidenciável em campanha por todo o território nacional. Em um contexto de sociedade midiatizada, onde a velocidade de informações é alimentada pela ânsia das redes sociais e acesso crescente da população à internet, cabe ao staff da comunicação contribuir para manter um elo essencial entre o candidato e os eleitores.

Em jornadas que geralmente ultrapassam o estipulado pelos sindicatos da categoria, e com salários subvalorizados, jornalistas atuam como assessores de imprensa em campanhas no interior dos estados, acompanhando candidatos a governador, senador, deputados estadual e federal sem, no entanto, terem o devido suporte econômico e, principalmente, segurança. Com uma agenda apertada de compromissos e percursos longos em busca de votos, os deslocamentos necessários para uma campanha a nível presidencial são significativos e nem sempre são seguidos dos cuidados necessários para garantir a segurança daqueles que precisam, por ofício, acompanhar o candidato. Se os sindicatos fecham os olhos para as condições de trabalho dos jornalistas, o mesmo pode se dizer dos demais representantes de classes envolvidas no trabalho de campanha, como pilotos de avião.

No caso das campanhas estaduais, também é possível observar agendas extensas e equipes reduzidas, o que induz a uma sobrecarga de trabalho. Trajetos em aeronaves pequenas aumentam nos períodos de eleição devido à demanda de deslocamentos, o que implica a necessidade maior de fiscalização por parte das autoridades competentes sobre a carga horária dos envolvidos e as condições de voo. Trabalhando muitas vezes em tempo integral e acompanhando lado a lado o trabalho dos candidatos para os quais trabalham, os assessores de imprensa, fotógrafos e demais profissionais da comunicação estão tão ou mais vulneráveis aos riscos inerentes das constantes viagens.

Se no caso de Eduardo Campos os profissionais o acompanhavam no trajeto de avião, é comum que candidatos façam o percurso de avião – mais rápido – enquanto a equipe de campanha segue em ônibus ou carros distintos daqueles usados pelos candidatos. A separação das equipes é justificada pelas campanhas como resultado dos poucos espaços disponíveis em aviões de pequeno porte e, consequentemente, como meio de economizar. Além de um primeiro momento de perplexidade sobre o acidente que resultou na morte de Eduardo Campos e mais seis pessoas, a imprensa atua agora em traçar análises com relação ao contexto político e as causas da queda do avião. Também se coloca a necessária reflexão sobre um viés que trata da própria profissão de jornalista. Os riscos existem não apenas na cobertura de guerras e catástrofes, mas também no próprio dia a dia da profissão que tem como essência a busca por informar a sociedade, seja como jornalista, fotógrafo ou assessor de imprensa.

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Sávia Lorena Barreto Carvalho de Sousa é jornalista e mestre em Comunicação

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