Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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Criou o jornal ‘O Perú Molhado’

Por Natália Portinari em 09/09/2014 na edição 815

O jornalista Marcelo Lartigue era conhecido em Búzios (RJ) por seu humor inusitado e sua imprevisibilidade. Mesmo sendo ateu, colecionava Bíblias do mundo inteiro.

Explicava dizendo que em outras línguas era melhor, já que ele não precisaria ler.

Lartigue veio para o Brasil fugindo da ditadura da Argentina, sua terra natal. Lá foi preso político por três anos “por engano”, dizia.

Em 1981, fundou o jornal “O Perú Molhado”, com o português Aníbal Fernando. O veículo, politizado, denuncia até hoje os problemas de Búzios com o sarcasmo típico de seu criador.

Em um de seus grandes momentos, o “Perú” conquistou o recorde de maior jornal do mundo com uma cópia de 2,73 x 4m, apresentada para o Guiness World Records.

Além disso, por conta do conteúdo do jornal, talvez Lartigue tenha conquistado outro recorde: como era réu de inúmeros processos, chegou a ser intimado judicialmente 15 vezes no mesmo dia.

O jornalista era estimado pela população da cidade. Comia de graça em todos os restaurantes, mesmo que, eventualmente, tivesse que pedir fiado, ou até sair correndo.

Certa vez, cobrindo um evento pela publicação, levou uma câmera escondida em um jantar com Fidel Castro, em Havana.

Ao apreenderem sua câmera, chamou a atenção de Fidel para o fato, que logo respondeu: “Mas é claro, com essa barba de terrorista!”.

Morreu na manhã de terça (2), aos 62 anos, vítima de um ataque cardíaco. Viúvo, deixou uma filha, Eva Lartigue.

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Natália Portinari, da Folha de S.Paulo

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