Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

MEMóRIA > BEN BRADLEE (1921-2014)

Obama: ‘Um verdadeiro jornalista’

Por ‘OG’ em 28/10/2014 na edição 822
Reproduzido do Globo.com, 22/10/2014; título original “Obama sobre Ben Bradlee: ‘Um verdadeiro jornalista’”

Após a morte de Ben Bradlee na terça-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, divulgou um comunicado no qual dizia que o jornalismo era mais do que uma profissão para o lendário ex-editor do “Washington Post”, conhecido por dirigir a cobertura do escândalo do Watergate e a publicação de documentos do Pentágono. Bradlee morreu aos 93 anos “em sua casa, em Washington, de causas naturais”, informou o jornal em sua página na Internet na terça-feira.

“Para Benjamin Bradlee, o jornalismo era mais do que uma profissão — era um bem público vital para a nossa democracia. Um verdadeiro jornalista, ele transformou o Washington Post em um dos melhores jornais do país, e com ele no comando, um crescente Exército de repórteres publicou os documentos do Pentágono, expôs o Watergate, e contou histórias que precisavam ser contadas. Histórias que nos ajudaram a entender o nosso mundo e um ao outro um pouco melhor”, disse o presidente americano.

Como editor do “Washington Post”, Bradlee entregou aos jovens jornalistas Bob Woodard e Carl Bernstein a investigação sobre o arrombamento do Comitê Nacional Democrata, no prédio Watergate, na capital americana.

Durante a investigação, os dois repórteres estabeleceram uma ligação entre a Casa Branca e o arrombamento do Comitê, desvendando um escândalo que levou à renúncia do presidente republicano Richard Nixon, em 1974.

 “Ben foi um verdadeiro amigo e um líder genial do jornalismo”, expressaram Bernstein e Woodward em uma declaração conjunta no site do Post. “Seu princípio irredutível foi o compromisso com a verdade e a necessidade de sua busca. Tinha a valentia de um Exército”.

Como editor do Washington Post, entre 1968 e 1991, Bradlee não apenas obteve para o jornal o prêmio Pulitzer por sua cobertura do caso Watergate, mas também obrigou o Pentágono a revelar documentos secretos sobre a Guerra do Vietnã.

 “Ben Bradlee foi o maior editor de jornal dos Estados Unidos de sua época”, disse Donald E. Graham, que presidiu o Washington Post.

Alan Mutter, ex-editor do Chicago Daily News e do Sun-Times, disse que “se há uma figura para representar o salto da velha relação entre jornalistas e políticos para a atual relação entre jornalistas e políticos, esta figura é Ben Bradlee”.

 “O jogo entre a imprensa e os políticos mudou radicalmente com o Watergate, quando a discrição e a cortesia mútua da qual desfrutaram durante longo tempo deu lugar a uma investigação profunda, e não apenas envolvendo o escândalo Watergate, mas todos os delitos que o sucederam”.

O resultado, destaca Mutter, foi “uma era de maior transparência que jamais havia existido”.

Bradlee nasceu em 1921, na cidade de Boston, e após se formar na Universidade de Harvard, serviu como oficial de comunicações da Marinha americana durante a Segunda Guerra Mundial.

Ben Bradlee trabalhou como repórter no Washington Post antes de viajar à França para ser o correspondente da Newsweek em Paris.

Como repórter, cobriu em 1960 a vitoriosa campanha de John F. Kennedy e se tornou amigo e confidente do presidente democrata dos Estados Unidos. (Com agências internacionais)

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