Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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MEMóRIA > Alberto Dines

Dines sempre esteve ao lado da crítica

Por Caio Túlio Costa em 28/05/2019 na edição 1039

Crédito: Observatório da Imprensa

Alberto Dines faz falta, muita falta.

Não porque o jornalismo profissional esteja sob ataque na nossa sensível democracia. Em diversas medidas, o jornalismo vem sendo atacado desde sempre. Governantes nunca se sentem muito à vontade com a imprensa crítica. Porque Dines sempre esteve do lado da crítica.

Não porque o jornalismo profissional esteja no olho do furacão da disrupção da indústria da mídia – seja na forma de produzir e consumir conteúdos, seja no seu modelo de negócio. Porque Dines já era pioneiro digital quando lançou o Observatório na Imprensa, na segunda metade da década de 1990, com certeza o primeiro observador sistemático da imprensa nascido digital.

Não porque os jornalistas profissionais analógicos estejam sendo trocados nas redações por jovens nascidos digitais, mais baratos, embora a maioria não saiba nem escrever, nem pontuar, nem crasear, nem concordar (verbal ou nominalmente). Porque ele tinha certeza de que jornalismo de qualidade não mede idade. E a inexperiência, dos defeitos, é aquele que o tempo só faz melhorar.

Não porque as redações estejam sendo retalhadas, decepadas, diminuídas, fechadas. Porque ele sabia que outros horizontes se abrem para o jornalismo no ecossistema digital.

Não porque, para ele, na história da imprensa, o que conta não é o que sai publicado, mas o que vai para a cesta. Porque ele publicou o que ia para a cesta.

Não porque estivesse plantado em pesquisa, conhecimento, independência, criatividade e obstinação. Porque não se afastou um único milímetro desses pilares, totalmente visíveis em tudo que fazia.

Não porque tenha cometido o erro de deixar-se envolver pela ira sagrada ou pela missão salvacionista. Porque isso custou-lhe mais que uma dúzia de ferrenhos inimigos sem que ele tivesse conseguido quebrar o bezerro de ouro.

O Dines faz falta porque se preocupou com tudo isso – ao mesmo tempo. E muito mais.

***

Caio Túlio Costa é jornalista.

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