Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

MEMóRIA > HEBE CARMARGO (1929-2012)

Símbolo da TV, morre aos 83

Por Cristina Padiglione, Ocimara Balmant e Roberto Nas em 02/10/2012 na edição 714
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 30/9/2012

Um dos maiores ícones da televisão brasileira, a apresentadora Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani morreu na madrugada de sábado (29/9), aos 83 anos, em consequência de uma parada cardíaca que sofreu em casa, no bairro do Morumbi. Ela lutava contra um câncer desde o início de 2010. Seu corpo foi velado ontem à noite no Palácio dos Bandeirantes, onde o padre Marcelo Rossi fará uma missa hoje de manhã. O enterro será no Cemitério Gethsemani, na Vila Sônia, zona sul, por volta das 10h30.

A presidente Dilma Rousseff divulgou nota lamentando a morte da apresentadora. “Recebi hoje (ontem) com tristeza a notícia do falecimento de uma das mais importantes personalidades da televisão brasileira, a minha querida amiga Hebe Camargo”, disse Dilma. “Milhares de fãs em todo o Brasil perdem hoje a alegria de Hebe, uma grande artista.”

O corpo de Hebe chegou ao velório pouco após as 19 horas, carregado pela Guarda de Honra do Palácio. A primeira hora foi reservada para familiares e amigos íntimos. Em seguida, o velório foi aberto para o público durante toda a madrugada. Vários políticos e celebridades compareceram.

“Era uma mulher maravilhosa, que vai deixar saudades no meu coração e no coração de todos os brasileiros”, disse o cantor Roberto Carlos, que foi um dos primeiros a chegar.

“Pessoas como a Hebe, o Chacrinha e o Chico Anysio são insubstituíveis”, disse o comediante Tom Cavalcante, com lágrimas nos olhos. “Ela foi uma mulher corajosa, que deu a cara para bater e que foi responsável pelo sucesso de muitos artistas. Quando cheguei do Ceará, puxando um cachorrinho, um amigo me levou a uma festa na casa dela. Quando ela me viu já me chamou de gracinha e me abençoou.” Amigo próximo de Hebe, ele contou que os dois se encontraram várias vezes em Las Vegas, onde “viravam a noite tomando todas e se divertindo”.

Outro amigo e colega de trabalho no SBT, Carlos Alberto de Nóbrega, do programa A Praça É Nossa, disse que “foi um grande gesto do Silvio (Santos) levá-la de volta à casa” – referindo-se ao fato de Hebe ter assinado contrato para voltar à emissora, depois de dois anos na RedeTV! “Vocês talvez não saibam, mas ela estava sofrendo muito. A gente já sabia que ela não ia estrear.”

Silvio Santos chegou ao palácio esquivando-se da imprensa. No velório, debruçou-se sobre o caixão e beijou a boca de Hebe, como a apresentadora costumava fazer com seus convidados. Na saída, estava sorridente e disse que Hebe faria falta ao Teleton, programa que pede doações para a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

Vizinha querida

Durante o dia, poucas pessoas compareceram à porta da casa da apresentadora, na Rua das Amoreiras, para dizer adeus. A vizinha Lilian Faria disse que havia visto Hebe pela última vez há 15 dias, no Shopping JK Iguatemi, e que ela estava “muito fraquinha”. “Fico feliz que ela tenha morrido depois de assinar o contrato para voltar ao SBT. Acho que foi um pedido de desculpas do Sílvio Santos e Hebe morreu em paz e feliz.”

“Hebe era muito simpática; sempre saía com a janela do carro aberta, cumprimentando todo mundo”, disse outra vizinha, Liliane Schwartzman Ela conta que, na época do Natal, a apresentadora sempre montava uma belíssima decoração, que “deixava toda a rua bonita”.

***

“Não tenho medo de morrer, tenho pena”

“Eu vou morrer no palco”, disse Hebe Camargo em seu último encontro com jornalistas, em abril passado, no intervalo entre as gravações de duas edições de seu programa, ainda nos estúdios da RedeTV!, em Osasco. Na ocasião, a apresentadora voltava a trabalhar, após dois meses de recuperação de uma nova cirurgia para retirada de tumor, realizada no início deste ano. “Não tenho medo de morrer, tenho pena. A vida é tão boa”, disse ela.

Animada, dispensou os cuidados de quem queria poupá-la de dar entrevistas e convidou os jornalistas a se sentarem em seu sofá. “O bom da cirurgia é que eles dão lá um sossega-leão na gente e a gente desmaia, não vê nem o que fazem com a gente”, falou, às gargalhadas. “E ainda acordei groguinha, groguinha.”

Na primeira fila da plateia, estava Antonio Luiz de Vasconcellos Macedo, o médico que havia realizado a cirurgia no Hospital Israelita Albert Einstein, onde Hebe esteve internada em todas as ocasiões desde o início do tratamento, ainda em 2010. A apresentadora o presenteou com uma rosa e um selinho. “O doutor Macedo disse que eu estou zerada”, comemorou.

Dois meses depois, Hebe voltou ao Einstein, dessa vez para a retirada da vesícula, e não retornou mais ao ar.

Ainda em abril, recebeu no programa o cantor Sérgio Reis, que também esteve internado no Einstein na mesma época que ela, para se recuperar de um tombo no palco. Hebe contou que ela e Reis se divertiram no hospital, visitando outros quartos de doentes. Juntos, os dois cantavam, no melhor estilo Doutores da Alegria, em solidariedade aos outros.

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[Cristina Padiglione, Ocimara Balmant e Roberto Nascimento, do Estado de S.Paulo]

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