Domingo, 16 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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Jornalista foi cronista da noite carioca

Por Heloisa Aruth Sturm e Sergio Torres em 11/06/2013 na edição 750

Personagem famosa nas noites do Rio nos últimos 40 anos, a jornalista e escritora Scarlet Moon de Chevalier morreu na madrugada desta quarta-feira, 5/6, aos 62 anos, na casa em que morava, na zona sul carioca. Há cerca de dez anos ela sofria da Síndrome de Shy-Drager, uma doença degenerativa que ataca o sistema nervoso, de tratamento difícil e cura improvável.

Foi a partir da primeira metade dos anos 70 que Scarlet começou a se destacar no Rio. Era presença constante nas casas de espetáculos, teatros e boates mais frequentadas à época. Era também a irmã de Ronald Russel Wallace de Chevalier, o Roniquito (1937-83), economista notabilizado pela irreverência e amizade com intelectuais e festeiros renomados.

Atriz eventual, ex-apresentadora de programa de televisão (Noites Cariocas, com Nelson Motta, nos anos 1980, na Record, além de participações no Fantástico e em noticiários da Globo), Scarlet deixou os filhos Gabriela, Christovam e Theodora, e dois netos. No Facebook, Theodora Chevalier anunciou a morte da mãe. “Depois de lutar anos pela vida, minha mãe fez sua última viagem agora de madrugada.”

“Voraz, intensa”

Durante 28 anos, ela foi casada com o cantor e compositor Lulu Santos, a quem conhecera nas noites do Rio e que sempre destacou a influência dela em suas músicas. Estavam separados desde 2006. Lulu Santos também recorreu às redes sociais para falar da ex-mulher. “Perdemos Scarlet, todos nós, e isto é devastador em alguma medida pra cada um. Para mim é imensurável. Por um quarto da minha vida, dividi um leito, filhos, projetos, esperanças, desapontamentos, perdas, alegria e tristeza, fomos casados, e foi eterno enquanto durou”.

O cantor citou no twitter trechos da letra de Tão Bem, canção de sua autoria, feita em homenagem a Scarlet: “Ela me encontrou, eu estava por aí num estado emocional tão ruim, me sentindo muito mal, sozinho, perdido, andando de bar em bar”.

A autora dos livros Dr. Roni e Mr. Quito – A Vida do Amado e Temido Boêmio de Ipanema, biografia do irmão, e Areias Escaldantes, coletânea de crônicas sobre a praia de Ipanema, assinava, desde 1996, a coluna Abalo, do caderno Zona Sul do jornal O Globo.

Amigos, familiares e artistas estiveram reunidos hoje no velório que ocorreu no Cemitério de São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio. Entre eles, a atriz Marília Pêra, o jornalista Nelson Motta e os atores Ney Latorraca e Luis Salem, amigos de longa data da escritora. “Ela tinha uma inteligência muito aguçada, muito rápida, ágil e muito culta. Sempre foi muito antenada”, disse a atriz, que é madrinha da filha mais nova de Scarlet.

“A energia dela era muito voraz, muito intensa. Uma pessoa que serviu de inspiração para Caetano Veloso, Rita Lee e Lulu Santos não é para qualquer um. Ela vai ficar para sempre”, disse Salem, que em 2002 encenou o espetáculo Folia no Matagal, mostrando as mazelas dos anos 1980 com divertidas cenas escritas por Scarlet, Patrícia Travassos e Aluísio de Abreu. O corpo de Scarlet deverá ser cremado nesta quinta-feira [6/6]. 

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Heloisa Aruth Sturm e Sergio Torres, do Estado de S.Paulo

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