Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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Ele transformou letras, números e sinais em arte

Por Silas Martí em 06/04/2015 na edição 845

Morreu na noite de segunda-feira (30/3), aos 52, em Gênova, o designer gráfico italiano Massimo Gentile, em decorrência de um mal estar súbito. Ele era diretor de arte do jornal “Il Secolo XIX”. Do final dos anos 1990 a 2006, foi editor de “Arte” da Folha, onde ajudou a criar o projeto gráfico do jornal que vigorou até 2010.

Gentile, que continuou colaborando com a Folha até o ano passado, nasceu em Roma em 16 de maio de 1962. Depois de estudar na Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade La Sapienza, na capital italiana, ele iniciou sua carreira de designer no jornal romano “Paese Sera”.

Em 1998, Gentile se mudou para o Brasil, onde primeiro trabalhou no projeto gráfico da extinta revista “Manchete”, no Rio, e depois se mudou para São Paulo, onde começou a trabalhar na Folha a convite do designer, também italiano, Vincenzo Scarpellini (1965-2006), então editor de “Arte” do jornal.

“Uma das maiores marcas do trabalho dele era seu refinamento tipográfico. Ele dedicava muita atenção a isso”, diz Mário Kanno, editor-adjunto de “Arte” da Folha. “Muito do que fazemos ainda nas capas da ‘Ilustrada’ tem influência direta do trabalho dele. Esse é o seu grande legado, além de ter formado uma geração de designers aqui no jornal.”

Cores e formas

Em seu site, Bolditalic, cujo nome é um trocadilho com seu peso e origem italiana –“bold” é o termo em inglês para negrito e “italic” é itálico, referência a um tipo de fonte e ao país peninsular europeu–, Gentile publicou muito de sua obra pessoal, também marcada por releituras de capas de discos.

Outro legado importante de Gentile é o desenvolvimento do projeto gráfico usado pela Folha entre 2006 e 2010, criado em parceria com o designer gráfico cubano Mario García, com quem Gentile seguiu trabalhando ao assumir seu cargo no “Il Secolo XIX”, de Gênova.

“Foi um grande encontro dele com o Mario García, e o projeto todo foi desenvolvido dentro do jornal. Ele valorizou o papel da editoria de ‘Arte’, trouxe a importância do design gráfico para as notícias”, diz Fernanda Giulietti, uma das diagramadoras da Folha. “Ele defendia também que designer de jornal tinha de ser jornalista, não podia ser alheio à notícia.”

Na Folha, Gentile ainda é lembrado por profissionais pela personalidade forte e a falta de cerimônia. Certos bordões são repetidos ainda hoje, como “non funziona” (não funciona), “bianchino” (referência aos espaços deixados em branco na diagramação) “não bom” para descrever as qualidades ou falta delas numa página.

“O Massimo foi um raro designer, com alto grau de sofisticação no tratamento gráfico com muita habilidade para trabalhar com tipos de letras e com a composição de cores e formas”, lembra Fabio Marra, editor de “Arte” da Folha. “Era inteligente e divertido para encarar o trabalho no dia a dia.”

Separado da mulher, a brasileira Lane Fernandes, no ano passado, ele não deixa filhos.

***

Silas Martí, da Folha de S.Paulo

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