Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Punição imerecida. E esquecida

Por Alberto Dines em 05/12/2012 na edição 723

Por ocasião das justas homenagens prestadas ao jornalista Joelmir Betting – um dos patronos do moderno jornalismo econômico – não houve tempo, espaço nem vontade para lembrar o duro castigo que lhe foi imposto pelo Estado de S.Paulo e pelo Globo, onde seus textos foram publicados até dezembro de 2003. Faltou, sobretudo, nobreza para reparar um duríssimo e sumário justiçamento infligido publicamente.

Joelmir Betting aceitou a proposta do Bradesco para protagonizar um comercial porque nestas bandas a linha de separação entre publicidade e informação sempre foi e continua tênue. As capas promocionais dos jornalões paulistanos eram e são uma aberração, trambique institucionalizado; os informes publicitários são camuflados, o merchandising domina as telenovelas, os programas populares. Aquilo que se designa como “jornalismo de serviço” tornou-se vitrine de jabás, releases são convertidos em notícias sem a menor cerimônia, notinhas de favor abundam nos cadernos de comes & bebes, shows e entretenimento.

O anúncio do duplo castigo imposto ao Joelmir há exatos nove anos foi uma das ações mais perversas cometidas pela imprensa brasileira. Este observador revoltou-se com a execução pública de um jornalista até então impecável. Mas não poderia admitir que um profissional de imprensa – qualificado ou não – fosse dublê de garoto-propaganda. Joelmir zangou-se, queria uma absolvição total. Impossível. [Ver remissões abaixo.]

Jornalista íntegro

Apesar da rumorosa degola, a excrescência continua e não apenas nas empresas jornalísticas comerciais. Também nas públicas: a contratação, poucos anos atrás, de uma garota-propaganda para ancorar uma instituição jornalística como o Roda Viva, da TV Cultura, é um exemplo vivo da ambiguidade que impera nos altos escalões da nossa mídia.

O vale-tudo continua, os anunciantes têm dinheiro para comprar reputações, não correm riscos. O famoso colunista que oferece a sua voz inconfundível para um comercial do HSBC sobre histórias de pescador serve para lembrar o debate que grassa nos meios jurídicos: quem é mais culpado – o corruptor ativo ou o passivo?

Relembre nos links abaixo o caso Joelmir Betting como homenagem a um jornalista inovador e íntegro que o sistema envolveu e castigou.

Leia também

Justiceiros também pecam– A.D.

Jornalismo & Publicidade: Como o diabo na roda – Luciano Martins Costa 

Estamos evoluindo– Joelmir Beting

Posso falar?– J.B.

Conflitos de interesses devem acabar. Todos– A.D.

Em casa de enforcado…– Luiz Antonio Magalhães

Joelmir sim, picaretas não– Carlos Brickmann

Normas de conduta impedem propaganda– Rodolfo Fernandes

Jornalista pode fazer comercial?– A.D.

Ainda a questão do jornalista/garoto-propaganda– A.D.

Dez toques– Ricardo A. Setti [ver nota 4, "Gerente é fonte?"]

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