Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

MEMóRIA > Vida e morte de Henri Curiel

Um militante judeu de causas árabes

Por Sheila Sacks em 17/11/2015 na edição 877

 

Na França, só há Gilles Perrault. Meu preferido é Un Homme à Part, sobre a vida de militante de Henri Curiel” (Jean-Luc Godard, cineasta, falando sobre biografias literárias e seus autores)

A menos de dois quilômetros da Praça Tahrir (libertação, em árabe), principal palco dos protestos que resultaram na queda do presidente Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011, a ilha verde de Zamalek, com vista sobre os dois afluentes do Nilo, ainda é uma das regiões mais elegantes e aprazíveis do Cairo. Em suas ruas arborizadas se alinham confortáveis residências de classes abastadas, modernos hotéis cinco estrelas, suntuosas embaixadas e movimentados cafés, livrarias, teatros e museus. Esse oásis turístico que passou ao largo dos conflitos que sacudiram o Egito guarda histórias centenárias por trás das imponentes fachadas das poucas mansões remanescentes das primeiras décadas do século 20, época em que a nobreza egípcia e a oficialidade britânica frequentavam os salões restritos do Turf Club, jogavam tênis e golfe no elitista Sporting Club, e eventualmente era encontrada em esticadas noturnas no Casino Badia.

Cercado por grades de ferro, o majestoso palacete de 17 quartos construído pelo banqueiro judeu Daniel Nessim Curiel em meados de 1930 abriga há várias décadas a embaixada da República da Argélia no endereço Brazil Street nº 14. Entretanto, há mais de 80 anos, quando a Villa Curiel foi projetada na então Hassam Sabry’s Street, suas espaçosas dependências eram ocupadas pela jovem Zefira, esposa de Daniel – que ficou cego aos três anos – e seus dois filhos, Raoul e Henri. Havia um salão de música, outro salão para a coleção de moedas raras do dono da casa e um segundo pavimento de onde se podia contemplar o esplendor do Nilo. A residência, servida por uma dezena de empregados, estava sempre repleta de convidados e de visitantes estrangeiros.

Miséria “sem limites” de um Egito medieval

A família Curiel havia sido expulsa da Espanha pela Inquisição e alcançado o Egito no final do século 19, via Portugal e depois Itália. O caçula Henri, nascido em 1914, apesar de pertencer à segunda geração dos Curiel no Egito tinha nacionalidade italiana e foi educado em um colégio jesuíta francês. Ele cresceu em um Egito ocupado pelos britânicos e tiranizado por uma monarquia feudal e, ainda jovem, voltou-se para o marxismo. Porém, coube a ele suceder o pai na direção do banco, enquanto o irmão Raoul seguia para estudar em uma universidade na França. Por sua vez, a mãe de Henri era dona de uma livraria que divulgava autores socialistas, ponto de reunião da intelectualidade egípcia antifascista.

Henri Curiel / Foto Wikimedia / Creative Commons

Henri Curiel / Foto Wikimedia / Creative Commons

No livro Un homme à part (1984), o jornalista e escritor Gilles Perrault, de 84 anos, conta que Henri conheceu a tragédia dos camponeses egípcios ao visitar as propriedades de sua própria família, no delta do Nilo. “Foi na companhia de Rosette Aladjem, que mais tarde se tornaria a sua esposa, que Henri Curiel descobriu a miséria sem limites do povo egípcio. O trabalho de um homem valia menos do que o serviço de uma mula. Crianças de sete a 13 anos trabalhavam nas fábricas de algodão, em meio à poeira sufocante, sob o jugo de feitores. A expectativa de vida girava em torno dos 27 anos e doenças como a tracoma e a malária devastavam a população.”

Situação de extrema pobreza que lamentavelmente ainda persiste no século 21, conforme descrição do jornalista Samy Adghirni, em reportagem para a Folha de S.Paulo (01/02/2011). Destacando que parte dos egípcios mais pobres se manteve alheia aos protestos, “preocupada só em sobreviver”, o enviado do jornal ao Cairo visitou uma favela assentada em meio a um cemitério, com milhares de pessoas se amontoando em barracos erguidos nos vãos dos túmulos. Sem dinheiro para pagar aluguel, famílias inteiras foram transformando, ao longo do século 20, o cemitério de Majauirun em um labirinto de ruelas onde cada quarteirão é composto por túmulos coletivos. Uma tragédia social que pune um país em que 40% da população ganha menos que 2 dólares ao dia.

A luta por um Egito independente

Em 1943, vivendo sob a monarquia do rei Faruk, Henri Curiel funda o Movimento Egípcio de Libertação Nacional – depois Movimento Democrático de Libertação Nacional (Hadetu) – que vem a se tornar a maior organização comunista do Egito. Os acontecimentos no país durante a 2ª Grande Guerra, com parte da sociedade egípcia se aproximando dos nazistas em reação ao domínio britânico, mostram a Curiel que o anseio por uma pátria independente muitas vezes conduz as pessoas por caminhos tortuosos. Decide permanecer no Cairo, apesar de uma grande fatia da comunidade judaica lotar os trens rumo a Jerusalém, atemorizada com a possível invasão dos africakorps do general Rommel (a força expedicionária nazista que combatia no Norte da África). Ele adquire a nacionalidade egípcia e começa a aprender o árabe. Mas a derrota egípcia na primeira guerra árabe-israelense, em 1948, muda o seu destino. Centenas de comunistas são presos e Curiel vai para a prisão de Huckstep, onde cumpre pena por 18 meses.

Para o seu companheiro de partido Raymond Stambouli (1923-2004), a guerra de independência de Israel forçou os comunistas judeus egípcios a se confrontar com a sua identidade e arcar com as consequências políticas desse fato. “A guerra na Palestina pôs fim ao sonho. Nós nos considerávamos egípcios, ainda que muitos nos vissem como estrangeiros. Porém, agora, não éramos estrangeiros, mas judeus, o inimigo, uma potencial quinta coluna. Nenhum de nós havia previsto isso.”

Em 26 de agosto de 1950, Curiel perde a cidadania egípcia e é colocado à força em um navio rumo à Europa. Expulso do país, ele se transforma em um exilado político para o resto da vida. “Curiel foi o pai do comunismo egípcio”, escreveu Mohamed Sid-Ahmed em 1998 no diário de maior circulação do país, o Al-Ahram. Escritor, jornalista e por muitos anos editor de política do jornal, Sid-Ahmed (falecido em 2006) lembrava que apesar de Curiel ter sido expulso do Egito, “ele sempre esteve envolvido com os problemas egípcios, sua política interna e o conflito árabe-israelense”.

Ao lado dos argelinos, na Guerra da Independência

Deportado para a Itália com outros militantes expulsos do país, Curiel acaba por se instalar em Paris e reúne em uma associação – o Grupo de Roma – os judeus egípcios comunistas exilados. Tempos depois, se torna um dos homens-chave da Frente Nacional de Libertação da Argélia (FLN), movimento fundado em 1954, no Cairo, por Ahmed Ben Bella, líder da revolução e primeiro presidente da República da Argélia. No Egito, o coronel Gamal Abdel Nasser (1918-1970), que havia deposto Faruk em 1952, fecha as portas a Curiel, não obstante manifestar apoio à FLN. Impedido de retornar ao Egito, Curiel doa a mansão de sua família, em Zamalek, para a sede provisória do governo argelino no Cairo.

Entre 1954 e 1962, no decurso da guerra de independência argelina contra a França, cabe a ele disponibilizar recursos, documentos, cobertura e treinamento aos oficiais e estudantes anticolonialistas, apoiado por um esquema subterrâneo onde se misturam grandes somas não identificadas provenientes da Suíça, a rede árabe do Kremlin, os partidos comunistas europeus, intelectuais, socialistas e sacerdotes cristãos. Em 1960, após interrogatório sobre as suas atividades na FLN, é preso pelo serviço de segurança interno francês (DST) e permanece dois anos encarcerado na prisão de Fresnes, na periferia de Paris. Com o fim da guerra da Argélia é solto e funda a organização Solidarité de apoio aos movimentos de libertação nacional em países antidemocráticos do Terceiro Mundo.

O militante político de esquerda e jornalista israelense Uri Avnery, de 92 anos, fundador do movimento Gush Shalom (Bloco da Paz) e que na Guerra da Independência de Israel, em 1948, foi membro da organização paramilitar Irgun, conheceu Curiel em Paris, no final da década de 1950, quando a guerra na Argélia estava no auge. Curiel sonhava em estabelecer uma conexão argelina-israelense que Avnery considerou totalmente utópica, já que os judeus argelinos portavam identidade francesa e se identificavam com o regime colonialista francês (após a independência da Argélia, em 1962, mais de 1 milhão de cidadãos franceses, entre eles cerca de 140 mil judeus, tiveram que deixar o país, perdendo seus bens, empregos e propriedades comunitárias). No artigo “The silent idealist”, publicado no jornal Le Monde diplomatique (1998), Avnery observa que Curiel tinha um idealismo tão evidente que chegava a ser inconsciente. “Ele era determinado, jamais levantou a voz e nunca se desesperou. Apesar das inúmeras decepções, ele não desistia. Não se deixava levar pelas emoções e nem permitia que problemas pessoais interferissem em suas decisões. Para mim, Curiel foi um modelo de político idealista. Através de seu exemplo pessoal, ele me ensinou determinação, paciência e perseverança.”

Um dos companheiros de Curiel no “grupo de Roma”, o também egípcio Joseph Hazan, lembra que o fato de ambos terem nascido em um país com um sistema de produção extremamente cínico, em que a exploração do homem pelo homem atingira uma situação degradante, provocou em Curiel uma reação instintiva que permeou sua forma de ser e sua consciência para sempre. “Ele nunca se esqueceu que foi a miséria do povo egípcio que o levou à política.” Hazan, que militava no partido de Curiel, tinha nacionalidade francesa e acolheu o amigo quando este procurou abrigo em Paris.

Uma central de ajuda a refugiados e revolucionários

De acordo com André Marty (1886-1956), político francês que foi secretário do Partido Comunista na França e chefe das Brigadas Internacionais na Guerra Civil Espanhola (1936-39), Curiel fez o possível para derrubar Nasser na década de 1950. “Em repetidos encontros com líderes de partidos comunistas europeus, Curiel insistia em solicitar armas e dinheiro para destituir Nasser”, relatou. A crise do Canal de Suez (1956-1957) que envolveu o Egito, Inglaterra, França e Israel havia resultado em mais um traumático êxodo para os judeus egípcios. Vinte e cinco mil foram expulsos e centenas tiveram a prisão decretada.

Em 1962, aos 48 anos e após sair da prisão de Frasnes, Henri Curiel amplia suas atividades até então centradas no Egito e na independência da Argélia. Através da organização Solidarité, ele promove ajuda financeira e estratégica aos movimentos anticolonialistas de países da África e aos grupos que lutavam contra a Grécia dos coronéis e as ditaduras na Espanha (do general Francisco Franco), Portugal (Oliveira Salazar) e Chile (Augusto Pinochet). Segundo a historiadora Maria Claudia Badan Ribeiro, uma das primeiras tarefas da rede Solidarité, criada por Curiel, foi auxiliar os militares americanos desertores da guerra do Vietnã. Depois, prestou sua ajuda aos Panteras Negras (movimento surgindo nos EUA na década de 1960 para lutar pelos direitos dos negros). No estudo “Militância e Exílio: as trincheiras subterrâneas de luta” (2014), a pesquisadora afirma que a abrangência da organização era bem ampla e ajudou movimentos de resistência de países da América Latina e os movimentos nacionalistas de Moçambique, Angola e Guiné-Bissau. “O Solidariedade conseguia levar feridos de várias partes do mundo para serem tratados, clandestinamente, em hospitais franceses”, escreve. “Tinha como lema: l’ heroïsme pour nous c’ est de rester en vie (heroísmo para nós é permanecer vivo).”

A rede baseada em Paris contava com militantes de origens e filiações diversas, clérigos protestantes, padres católicos, sindicalistas, intelectuais, professores, socialistas e membros do Partido Comunista. Os seus filiados davam abrigo e proteção aos revolucionários de outras partes do mundo que, em fuga, chegavam a Paris. A organização também funcionava como uma central de prestação de serviços voltada para os ensinamentos das múltiplas técnicas de sobrevivência e de clandestinidade necessários à sobrevivência dos militantes expostos à repressão de Estados como a África do Sul do apartheid.

Outro foco de atenção na trajetória política de Henri Curiel estava direcionado para o conflito árabe-israelense. Ele manteve contato com figuras proeminentes do Partido Trabalhista de Israel e com os membros do Israeli Council for Israeli-Palestinian Peace (ICIPP) em busca de um caminho de entendimento que chegasse à Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Perrault afirma que Curiel estava convencido de que era possível promover um diálogo entre as duas partes. “Em 1976, ele prepara com seus amigos judeus de origem egípcia, exilados na França, um encontro clandestino entre o general da reserva israelense e pacifista Matti Peled (1923-1995) e Issam Sartawi (assassinado em Portugal, quando participava do encontro da Internacional Socialista, em 1983), antigo terrorista convertido ao processo de paz e amigo de Yasser Arafat.” Entretanto, na mesma época, uma reportagem no semanário Le Point acusa Curiel de ser o cabeça de uma rede terrorista conectada com a KGB (serviço secreto da antiga União Soviética).

A matéria, assinada por Georges Suffert, equivale a uma condenação capital. “Curiel abominava o terrorismo, considerava uma falta de bom senso político e uma monstruosidade humana. A acusação foi frívola, mas mortal”, revela Perrault, no artigo “Henri Curiel, citizen of the third worl” (Le Monde diplomatique – 1998). “Uma campanha na imprensa o fulminou e medidas administrativas baixadas pelo governo francês incluíram prisão domiciliar na cidade de Digne, nos Alpes franceses. Três meses depois, quando as acusações se mostraram infundadas, as restrições foram suspensas, mas o caminho estava aberto para os inimigos de Curiel”, afirma.

Assassinato não esclarecido na Rive Gauche

Túmulo de Henri Curiel / Foto Wikimedia / Creative Commons

Túmulo de Henri Curiel / Foto Wikimedia / Creative Commons

Curiel foi assassinado com três tiros por dois pistoleiros de mãos enluvadas no elevador de seu apartamento, na Rive Gauche de Paris, em 4 de maio de 1978, aos 63 anos. No dia seguinte, a organização Delta, uma rede da extrema-direita francesa composta de nostálgicos da Argélia francesa, reivindicou a autoria do crime. Mas a Delta, esquadrão de extermínio dos extremistas de direita francesa durante a guerra da Argélia, estava extinta há mais de 15 anos.

Contudo, até hoje, passados mais de 35 anos de sua morte, as autoridades francesas não elucidaram o caso. Existem suspeitas e hipóteses que levam a radicais argelinos, donos de terra que perderam as suas propriedades na Argélia; ao serviço secreto da África do Sul, que considerava Curiel um perigoso inimigo; ou mesmo ao terrorista palestino da al Fatah e assassino profissional Abu Nidal, mercenário a soldo da Síria e da Líbia e responsável por centenas de atentados a alvos israelenses e árabes (morto no Iraque em 2002). Quatro meses antes da execução de Curiel, o representante em Londres da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) Sa’id Hammami, que participava com Curiel das iniciativas em prol de uma coexistência pacífica entre árabes e judeus, também foi assassinado.

O mistério da morte de Curiel foi tema de um documentário apresentado na TV francesa, em setembro de 2008. Henri Curiel; un crime politique explora a pista que imputa às autoridades francesas a responsabilidade direta pelo assassinato de Curiel. Isso porque seus passos eram monitorados pelos serviços secretos da França e nem a polícia ou a justiça francesa levaram adiante a investigação. Ninguém foi interrogado ou detido. É o que reclama Alain Gresh, editor de Le Monde diplomatique no artigo “Henri Curiel: la piste française”. Especialista em assuntos ligados ao Oriente Médio e filho natural de Curiel, Gresh nasceu no Egito, em 1948, de mãe judia de origem russa. Educado por um egípcio copta (cristão), só soube da existência de seu verdadeiro pai aos 28 anos, quando já vivia em Paris.

Apesar do assassinato de Curiel ter ocorrido na década de 1970, sua figura carismática e seu trabalho solidário a favor da emancipação dos povos continuam a despertar interesse, admiração e questionamentos. Exemplos são o documentário Henri Curiel, itinéraire d’un combattant de la paix et de la liberté, de Mehdi Lallaoui (2001), e os livros Le Réseau Curiel ou La subversion humanitaire, de Roland Gaucher (1981), Henri Curiel, Le mythe mesuré à l’histoire, de René Galissot (2009) e A rede de terror, de Claire Sterling (1981), jornalista norte-americana que foi correspondente na Europa das revistas Life e The New York Times Magazine. Claire Sterling (1919-1995) dedicou um longo capítulo ao que chamou de “a estranha carreira de Henri Curiel”. Segundo a jornalista, nos 27 anos em que viveu na França Henri Curiel constou nos arquivos do serviço secreto francês como o agente estrangeiro S531916, ligado à KGB. Todos os principais serviços ocidentais de contraespionagem tinham um dossiê a seu respeito, assegurou Claire Sterling, e a confirmação veio em março de 1979 quando a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) registrou em seu relatório anual, de distribuição interna, na página 3, o seguinte obituário: “Revolucionários do mundo inteiro, inclusive terroristas, lamentam o assassinato de Henri Curiel, líder de uma organização de apoio sediada em Paris que fornecia dinheiro, armas, documentos, treinamento e outros serviços a dezenas de grupos esquerdistas.”

Mas para o veterano militante Uri Avnery (eleito deputado para o parlamento israelense – Knesset – nos períodos 1965-1969, 1969-1974 e 1979-1981), ameaçado de morte várias vezes por suas posições políticas e esfaqueado com gravidade em 1975, o assassinato de Curiel soou de forma diferente. Apesar de algumas discordâncias entre ambos, principalmente em relação à Guerra dos Seis Dias, considerada por Avnery uma guerra de defesa, sua opinião acerca de Curiel diz muito de sua admiração pelo ativista enterrado no cemitério Père-Lachaise, em Paris. “Quando eu soube de seu assassinato”, recorda Avnery, “lembrei das palavras de Hamlet falando sobre seu pai, o rei: ‘Era um homem – e nada mais importa. Jamais haverá um outro como ele’.”

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Sheila Sacks é jornalista

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