Segunda-feira, 01 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº941

MEMóRIA > A charge na Imprensa gaúcha

Uma história de combate e resistência

Por Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite em 22/10/2015 na edição 873

O pintor e poeta Manuel de Araújo Porto Alegre (1806-1879), natural de Rio Pardo (RS), lançou no Rio de Janeiro, em 1837, a primeira charge publicada, no Brasil, “A Campanhia e o Cujo” .

Acervo Musecom

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Trata-se de uma sátira que criticava as propinas recebidas por um funcionário do governo ligado ao Correio Oficial. De acordo com o historiador e arquiteto, Francisco Riopardense de Macedo (1921-2007), a primeira matéria sobre a publicação avulsa, dessa charge, foi publicada no “Jornal do Comércio” (RJ), de 14 de dezembro de 1837, que registrou: “A bela invenção de caricaturas, tão apreciadas na Europa, apareceu hoje pela primeira vez no nosso país, e, sem dúvida, receberá do público aqueles sinais de estima que ele tributa às coisas úteis, necessárias e agradáveis”.

Os primórdios da ilustração na Província de São Pedro

Passaram-se três décadas, para que finalmente a charge fizesse parte da rotina dos gaúchos. Na Província de São Pedro (RS), em 1849, instalaram-se as primeiras oficinas litográficas, onde artistas gravadores desempenhavam as funções de desenhistas, ilustradores, retratistas e caricaturistas. Na Província gaúcha, a oficina era ao mesmo tempo gráfica comercial e jornalística, ateliê e escola.

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A litografia do Comércio, de Pomatelli & Cia., foi a pioneira a se estabelecer em Porto Alegre, em 1849, tendo como principal gravador o alemão Guilherme Grote Tex.

A ilustração apareceu pela primeira vez na Província, em Porto Alegre, no periódico “A Sentinela do Sul” que começou a circular em 1867. As charges contextualizavam, principalmente, a Guerra do Paraguai (1865-1870) e seus comandantes militares; além de problemas da administração pública, principalmente, voltados à higiene local. O jornal deixou de circular em 1869. Nesse periódico, destacou-se a importante figura do gravurista e desenhista Inácio Weingartner.

A partir de “A Sentinela do Sul” circularam, no interior e na capital, jornais que se utilizaram da charge como instrumento de crítica política e social. Esses periódicos foram denominados por Athos Damasceno Ferreira (1902-1975) de “Imprensa Caricata”. Um dos mais importantes foi “O Século”, de Miguel de Werna (1836-1896), surgido em 1880. Circulando aos domingos, criticou o movimento republicano, defendeu a Monarquia e apoiou a propaganda abolicionista. Com a Proclamação da República (1889), Miguel de Werna perdeu seu emprego de funcionário público municipal e, sob pressões políticas, partiu para o Rio de Janeiro, onde faleceu pobre e esquecido. No jornal “O Século” colaboraram, com suas charges, Araújo Guerra, Inácio Weingartner e Joaquim Samaranch.

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Ainda na capital, em 1877, circulou o álbum humorístico “A Lanterna” sob a responsabilidade do destacado político e jornalista alemão Carlos Von Koseritz (1830-1890) que circulou durante um ano.

Outro importante periódico ilustrado foi o semanário “O Fígaro”, de 1878, dirigido pelo desenhista Cândido de Faria. Em 1883, começou a circular “A Lente” que teve a participação daquele que foi um dos mais destacados ilustradores, do século 19, no Rio Grande do Sul: Araújo Guerra. Na mesma linha, começou a circular, em 1863, “O Diogenes” de cunho crítico e literário. Este foi fundado por Luiz Francisco Cavalcanti de Albuquerque. Encerrou sua circulação em 1864, retornando a circular, por alguns meses, em 1874.

Importante, também, destacar o primeiro jornal ilustrado do interior do Rio Grande do Sul, “O Amolador”, que iniciou a sua circulação, em 1874, na cidade de Rio Grande, encerrando sua circulação em 1875. Esse periódico contou com o litógrafo e desenhista Pedro Mozer. Ainda, em Rio Grande, de 1875 a 1881, circulou o semanário “O Diabrete”- jornal abolicionista e anti-clerical- cujas charges eram da responsabilidade dos desenhistas: Henrique Marcos Gonzales, Constantino Alves de Amorim e Tadeu de Amorim. Em Pelotas, Surgiu “O Cabrion”, de 1879, que contou com a colaboração de Eduardo Chapon e Araújo Guerra.

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Desde seu aparecimento, na imprensa do século 19, até a atualidade, a charge está presente, fazendo parte do cotidiano das principais revistas e jornais em circulação no País. No Rio Grande do Sul, nas páginas do “Correio do Povo” (1895), “Revista do Globo (1929-1967)”, “Revista Policial” (1938-1946), “Folha da Tarde” (1936-1984), “A Hora” (1954-1960), “O Clarim” (1955-1956), “Última Hora” (1960-1964), “Zero Hora” (1964), “Folha da Manhã” (1969-1980), entre outros periódicos importantes, encontra-se a marca dos nossos melhores artistas do traço. Em 1992, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre instituiu o “Salão Internacional de Desenho” para a Imprensa. Os cartunistas do Rio Grande do Sul estão organizados em torno da “GRAFAR” que reúne artistas ligados à expressão gráfica.No ano de 1891, já no período republicano, começou a circular “A Gazetinha” que fez oposição ao Partido Republicano Rio-grandense (PRR) e a seu líder Julio Prates de Castilhos (1860 -1903). As charges criticavam a administração pública e a carestia de vida por meio de um personagem chamado “Zé Povinho”. O periódico encerrou sua circulação, em 1900, depois de uma “surra”, que seu Diretor Otaviano Manoel de Oliveira sofreu, por criticar o PRR. As charges eram da responsabilidade de Alberto Engel e Francisco Xavier da Costa (1871-1934). Este último foi gráfico e jornalista e liderou com Carlos Cavaco a primeira Greve, de 1906, em Porto Alegre. Francisco Xavier da Costa foi o primeiro vereador negro na Câmara Municipal de Porto Alegre.

Ao longo dos anos, muitos nomes surgiram na arte do traço, especialmente, no período após o golpe militar de 1964. Naquele momento, de intensa censura aos meios de comunicação, despontaram nomes importantes, a exemplo dos gaúchos Luís Fernando Veríssimo e Neltair Rebés Abreu (Santiago).

Ao encerrar, é importante que se destaque alguns nomes que tem sido motivo de orgulho para os gaúchos, pois são filhos deste estado, sendo que muitos se projetaram além das nossas fronteiras. Segue uma breve biografia destes artistas do traço..

 Os chargistas gaúchos contemporâneos

1) Vilmar Silva Rodrigues (Vilmar): Nasceu em Bagé em 1931. Seus primeiros cartuns foram publicados, em 1952, na Última Hora carioca. Vilmar colaborou nos periódicos O Cruzeiro, O Pif-Paf, Dinners, O Pasquim e Correio da Manhã. Seus cartuns ilustram revistas internacionais como La Codorniz (Espanha) e Il Travaso (Itália). Vilmar já foi várias vezes premiado pelo seu talento.

2) Luís Fernando Veríssimo: Nasceu em Porto Alegre em 26/09/1936. Sua produção literária é maior em relação a sua atividade como cartunista. Trabalhou, em 1956, na Editora Globo. Em 1967, ingressou na Zero Hora exercendo a atividade de cronista. Em 1970, mudou-se para a Folha da manhã, retornando, mais tarde, para a Zero Hora. De 1982 a 1989, colaborou de forma regular, na revista Veja, com uma página de humor. Em 1989 começou assinar uma página semanal no Estado de S. Paulo. De 1995 a 1999, ele manteve uma crônica diária no Jornal do Brasil, passando para O Globo. Publica, diariamente, as tiras em quadrinhos As Cobras e outros bichos e Ed Mort (esta com desenhos de Miguel Paiva) nos periódicos Jornal do Brasil, Estado de São Paulo e Zero Hora. As Cobras e As aventuras da Família Brasil têm sido publicadas em várias revistas e jornais do Brasil. Seu livro O Analista de Bagé é considerado um dos maiores Best Sellers da história editorial no Brasil. É autor de dois romances: O Jardim do Diabo e O Clube dos Anjos. Seus livros já foram traduzidos na Alemanha, França, Argentina e Venezuela e suas crônicas adaptadas para o teatro cinema e televisão. Luís Fernando Veríssimo tem sido homenageado com vários prêmios e distinções por instituições de todo o país.

3) Silvius Petrus Claudius Ceccon (Claudius):

Nasceu em Garibaldi, RS, em 1937. Seu primeiro emprego foi de diagramador na revista O Cruzeiro. De 1961 a 1965, desenhou cartuns políticos no Jornal do Brasil. Em 1965, passou a desenhar na revista Manchete. Também foi colaborador no Diário Carioca, Revista da Semana, Mundo Ilustrado, Senhor, Correio da Manhã, O Jornal. Seu trabalho tem aparecido em periódicos internacionais como New York Times, Life, Paris Match, entre outras publicações.

4) Edgar Luiz Simch Vasques da Silva (Edgar Vasques):

Nasceu em Porto Alegre no ano de 1949. Arquiteto e jornalista de profissão. É autor de caricaturas, cartuns, histórias em quadrinhos, ilustrações para livros, cartazes e capas de livros. Seu personagem mais conhecido, Rango, está nas histórias em quadrinhos que foram publicadas, de 1972 a 1975, na Folha da Manhã. De 1983 a 1990, teve uma página mensal na revista Playboy com a história em quadrinhos “O analista de Bagé” com texto de Luís F. Veríssimo. Edgar Vasques foi chargista político da Gazeta Esportiva de São Paulo, contribuindo diariamente. Realizou várias exposições individuais e participou de exposições coletivas no Brasil e noutros países. Ganhou o prêmio ARI (Associação Riograndense de Imprensa) de Charge, em Porto Alegre, Prêmio para ilustração no Salão Internacional de Imprensa, em Porto Alegre, e o Troféu HQ Mix como Melhor Desenhista Nacional. Autor de Caras Pintadas, em 1995, Sottovoce e A Morte Fala Baixo, de 1999, e Antologias de Rango. Edgar Vasques é autor de 18 livros.

5) Neltair Rebés Abreu (Santiago):

Nasceu em Santiago do Boqueirão, RS, em 1950. Aos 20 anos, veio para Porto Alegre, ingressando na UFRGS no curso de Arquitetura. Em 1975, foi contratado pela Folha da Tarde, onde permaneceu por nove anos. Sua atividade profissional o fez desistir da Arquitetura. Santiago teve seus trabalhos publicados no Correio do Povo (RS), Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Jornal de Brasília, O Pasquim, Veja, Isto É, Libro de Humor político (Buenos Aires) Print (Estados Unidos), Yomiuri Shimbun (Tóquio), entre outros periódicos. Sua arte é conhecida mundialmente, pois, além de inúmeros prêmios internacionais conquistados, é detentor do mais sonhado prêmio internacional de cartunistas: o Grand Prix que conquistou no 11th Yomiuri International Cartoon Contest, patrocinado, em 1989, pelo diário Yomiuri Shimbun. Santiago ganhou cinco vezes o prêmio no Salão Internacional de humor de Piracicaba.

6) Ronaldo Cunha Dias (Ronaldo):

Nasceu em Vacaria, RS, em 1951. Ronaldo é Formado em Medicina, exercendo a profissão. Iniciou desenhando por hobby, sendo atualmente um dos cartunistas mais premiados no exterior. Sua lista iniciou, em 1986, com a conquista do 1º prêmio da revista Playboy (Brasil) e o 1º prêmio da revista Isto É. Ronaldo foi coordenador e curador do Viva Brasil Exibition no 37th International cartoon Festival Knokke Heist (Bélgica), em 1998, e foi jurado desse festival, em 1996. Autor dos livros: O homem que Ri (1988) e Posso Rir Agora Doutor (1994). Ronaldo é chargista editorial do Pioneiro (Caxias do Sul). Seus cartuns são publicados na Europa, por meio da Agência Belga Joker Feature services e, também, da Agência norte-americana Cartoonist & Writer Syndicate.

7) Eraldo Rabello (Rabello):

Foi inspetor de polícia. Ilustrou a Revista Policial (1938-1946) que apresentava excelente design gráfico, enfatizando a técnica do cartum. Rabello foi editor, redator e cartunista desse periódico. O tema dos cartuns era a atividade policial, crime e castigo.

8) Francisco Stockinger ( Xico):

Nasceu na Áustria em 1919. Xico já era um nome conhecido, quando se muda do Rio de Janeiro para Porto Alegre. No jornal A Hora, periódico vanguarda em vários aspectos no jornalismo gaúcho, trabalhou como diagramador e chargista. Trabalhou, também, na Folha da Tarde, por longo período, como chargista diário. Seu talento de escultor passou a exigir prioridade, tendo alcançado sucesso e reconhecimento internacional neste campo da arte Transferiu-se para Porto Alegre nos anos 1950. Estava entre os fundadores do Atelier Livre da Prefeitura e foi um dos primeiros diretores do MARGS ( Museu de Arte do RS). Depois de ter construído obra importante em xilogravura, ganhou projeção nacional com seus Guerreiros em ferro e madeira. É autor de um dos conjuntos de escultura mais famosos de Porto Alegre, instalado na Praça da Alfândega: em pé, Carlos Drummond de Andrade lê para Mario Quintana, sentado em um banco da praça. Faleceu em 2009.

9) José Miguel Pereira de Sampaio (Sampaio):

Nasceu, em São Luiz Gonzaga, RS, em 1927, iniciou sua vida profissional na Seção de Desenho da Livraria do Globo, onde se formaram uma geração de artistas do traço. Sampaio foi cartunista em vários jornais gaúchos: Diário de Notícias (1925 -1979), Estado do Rio Grande de outubro 1929, Folha da Tarde (1936-1984). Nos anos 1940-1950, criou na Revista do Globo (1929 -1967) uma página dupla de humor. Seus cartuns apareceram também na TV Gaúcha e na TV Difusora de Porto Alegre.

10) Aníbal Bendati (Bendati):

Brasileiro naturalizado. Nasceu na Argentina em 1930. Responsável por histórias em quadrinhos publicadas nas revistas portenhas: Seleciones Boquenses, Picardia Universal e Tit-Bits. Fundou, em Buenos Aires, a revista humorística Pocholândia. Devido a problemas políticos, gerado por suas charges, imigrou para o Brasil em 1957. Trabalhou na Última Hora do RJ, transferindo-se para a Última Hora, em Porto Alegre, que ajudou a fundar em 1960. Com Ary de Carvalho e Jorge Ivan, criou o primeiro logotipo da Zero Hora. Além de diagramador, desenhou cartuns para a Última Hora, Zero Hora, Folha da Manhã e Kronika (1985). Colaborou também no Jornal do Dia, Correio do Povo, Tchê, O Pasquim (RJ) e no Carrinho, revista de uma rede estadual de supermercados da qual foi co-editor. Bendati foi professor de diagramação nos cursos de jornalismo da UFRGS e da PUCRS. Faleceu em 2009.

11) Paulo Brasil Gomes de Sampaio (Sampaulo):

Nasceu em Uruguaiana, RS, em 1931. No ano de 1954 adotou o alcunha de “Sampaulo”. Iniciou o curso de Arquitetura na UFRGS, mas não o concluiu. Seu primeiro trabalho foi no Clarim, periódico ligado ao PTB, onde despontou seu talento. Trabalhou nos jornais A Hora, Diário de Notícias, Correio do Povo, Folha da Tarde, Revista do Globo e Zero Hora. Publicou: Como eu ia Dizendo (1990) De Pedro a Collor- As charges da Tragédia (1992) e Até que Um Dia (1998). Em 1966, apareceu a figura do Sofrenildo no Diário de Notícias. Com o sucesso, seguiu sendo publicado no Correio do Povo e Zero Hora. Sampaulo obteve vários prêmios nacionais e internacionais. Faleceu, em Porto Alegre, no dia 07/02/1999.

12) Renato Venicius Canini (Canini):

Nasceu em Paraí, RS, em 1936. Iniciou desenhando histórias em quadrinhos para a revista Cacique ligada à Secretaria de Educação do Estado. Foi um dos fundadores da CETPA (Cooperativa Editora de Trabalhos de Porto Alegre), local onde produziu a história em quadrinhos Zé Candango. Canini é, também, o criador dos personagens Zé Candando, Cactus Kid, e Dr. Fraud. Cartunista brilhante fez ilustrações para Zé Carioca, de Disney Caricaturista. Seu traço destaca-se também na literatura infantil: criou histórias em quadrinhos e ilustrações para diversos autores. Em 1971, mudou-se para São Paulo e trabalhou como desenhista na Editora Abril, retornando, em 1982, para Porto Alegre. Ele influenciou toda uma geração de cartunistas. Seus cartuns apareceram no Pasquim, Ovelha Negra e noutras publicações de Humor. O livro, Cadê a Graça que Tava Aqui?, é uma coletânea de seus cartuns.

13) Fernando Jorge Uberti (Uberti):

Nasceu no Alegrete, RS, em 1941. Publicou seu primeiro trabalho, em 1959, num suplemento estudantil em Uruguaiana. Estudou na Escola de Artes da UFRGS. Publicitário. A principal temática de seu trabalho é a cultura gaúcha popular e tradicionalista. Uberti tem participado de vários salões e exposições nacionais e internacionais. Colaborou nas antologias de Humor: 14 bis (1976), E o Bento Levou (1985), ABC de Fausto Wolf (1988) e Separatismo, Corta Essa! (1993).

14) Marco Aurélio Campos de Carvalho (Marco Aurélio):

Nasceu em Passo Fundo, RS, em 1944. Iniciou, em 1968, criando charges divertidas para telejornais de Porto Alegre. Com Sampaulo, produziu desenhos para a TV e trabalhou na produção de comerciais publicitários filmados. Marco Aurélio inovou numa época que não havia, ainda, vídeotapes. Foi o primeiro cartunista a realizar uma cobertura por fax e, depois, pela internet das Copas do Mundo que se realizaram na Itália, nos Estados Unidos e na França. Suas charges editoriais começaram, em 1969, no Diário de Notícias, e depois, em Zero Hora. Marco Aurélio é redator e gerente de divulgação. Publicou nas revistas Fotofocas, Humor Fax, Golpe de Humor e Revistão.

15) Renato Kern (Rekern):

Nasceu em Passo Fundo, RS, em 1948. Cursou o Curso de Artes Plásticas sem concluí-lo. Iniciou sua trajetória na revista Carrinho, orientado por Aníbal Bendati. Responsável pela tira diária, Tira Teima, publicada em Zero Hora. Rekern realizou clips gráficos humorísticos para a RBS de Televisão e participou da coletânea de cartunistas gaúchos: o 14 Bis

16) Celso Augusto Schrôder (Schröder):

Nasceu em Porto Alegre, RS, 1953. Ingressou no Correio no Povo em 1986. Presidente do Sindicato dos jornalistas por mais de uma vez. Viveu a infância e adolescência em Santo Ângelo, retornando a cidade de Porto Alegre para ingressar no Curso de Arquitetura da UNISINOS, não concluindo o mesmo. Schröder formou-se em Jornalismo na PUCRGS. É professor de Editoração, Planejamento Gráfico e Comunicação Comparada na PUCRGS. Começou a publicar suas charges, em 1974, na Folha da Tarde. Colaborou no Pasquim, no Coojornal e publicações na área do cooperativismo. Recebeu vários prêmios regionais de jornalismo.

17) Isabel Braga Callage (Bebel):

Nasceu em Porto Alegre, RS, 1956. Ilustradora e cartunista da Zero Hora. Possui um traço bastante criativo e de bom gosto. Suas ilustrações trazem a marca da alegria e do humor. Formou-se na PUCRGS em Comunicação, na habilitação em Publicidade. Ilustrou vários livros infantis e ganhou o Prêmio de Ilustração em The Best of Newspaper Design Association nos Estados Unidos.

18) Francisco Juska Filho (Juska):

Nasceu em Santo Ângelo, RS, em 1956. Formado em jornalismo pela UFRG Iniciou, profissionalmente, no Jornal da Semana de Novo Hamburgo e na revista Carrinho com Aníbal Bendati. Publicou trabalhos no Status Humor, Planeta, O Pasquim, Zero Hora entre outros periódicos. Editou a revista Mega Quadrinhos de 1988 a 1990. Em 1992, publicou o livro Transpirando na Charge. Conquistou o primeiro prêmio no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em 1978, e no Salão do Maranhão em 1998. Menções honrosas no Japão (1996) e na Coréia do Sul (1997). Juska é chargista do jornal O Pioneiro de Caxias do Sul.

19) Paulo Carvalho Júnior (Jaca):

Nasceu em Porto alegre, RS, em 1957. Iniciou com auxiliar de desenhista numa empresa de produção de cartazes. Publicou trabalhos na Folha da Tarde, Diário do Sul e Zero Hora. Seu desenho cresceu em importância, aparecendo no Estado de São Paulo, Revista Saúde, Playboy, Carícia, Contigo, Marie Claire, Veja ,Ciência Hoje e Placar. Publicou histórias em quadrinhos em Dumdum, Animal, Big Bang Bang, Flag e outras. Em 1990, ganhou o Prêmio HQ Mix na categoria desenhista revelação.

20) Augusto Franke Bier (Bier):

Nasceu em Santa Maria, RS, em 1959. Jornalista desenhista e roteirista. Bier é especialista em Educação. Em sua trajetória profissional, trabalhou nos seguintes jornais: O Interior, Coojornal e no Pasquim. Participou de várias coletâneas, publicando charges e cartuns. Autor de livros com seu personagem Blau, inspirado nos imigrantes teutos no interior do RS. Ganhou vários prêmios em Salões de Humor no Brasil, Itália, Alemanha e Coréia. Bier dirigiu o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa por duas vezes.

21) Gilmar Luiz Tatsch (Tacho):

Nasceu em São Leopoldo, RS, em 1959. Começou sua carreira, em 1975, como chargista no Jornal Vale dos Sinos de Novo Hamburgo. Trabalhou, também, no Diário de Canoas e no Correio do Povo. Editor de diagramação e chargista do Jornal NH de Novo Hamburgo.

22) Ricardo Garcia Botega (Cado):

Nasceu em Porto Alegre, RS, em 1960. Formado em Comunicação pela PUCRGS. Cartunista, publicitário e ilustrador de livros infantis. Colaborou no Pasquim, Duas Rodas, Jornal do Comércio (RS) e Folha da Tarde (RS). Premiado no Salão da Propaganda Gaúcha (ilustração), no Salão Internacional de Desenho de Imprensa (melhor caricatura), no Salão do Piauí, no Salão de Santo Ângelo e no de Volta Redonda. Menções Honrosas, também, no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, na Bélgica, em Portugal e na Turquia.

23) Moacir knorr Gutierres (Moa):

Nasceu em Porto Alegre, RS, em 1962. Formado em Jornalismo pela PUCRGS. Publicou charges e cartuns no Diário do Sul e Zero Hora. Premiado por duas vezes no Salão Internacional de Humor de Piracicaba na categoria Cartum. No Salão Internacional de Desenho de Imprensa de Porto Alegre ganhou, por duas vezes, o primeiro lugar, nos anos de 1992 e 1993. Primeiro lugar no Salão internacional de Humor do Piauí em 1993. Menção honrosa no The Yomiuri International Cartoon Contest, de Tóquio, Japão, em 1995. Colaborou nos livros Humor Verde (1990), coletânea de cartuns ecológicos, e Separatismo, Corta Essa! (1993). Em 1997, produziu para a Rede Globo de Televisão uma das vinheta do Plim –Plim.

24) Lancast Mota dos Santos (Lancast):

Nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1964. Radicado em Porto Alegre. Cartunista e autor de histórias em quadrinhos. Dedica-se à produção de desenhos animados por computação gráfica. Premiado diversas vezes no Festival de Cinema de Gramado. Premiado em Havana pelos curtas O Natal do Burrinho, O Reino Azul, entre outros. Lancast foi premiado no XVI Salão Internacional de Humor de Piracicaba (1990) e no II Salão Internacional de Desenho de Imprensa de Porto Alegre. Autor do livro Forró na Caatinga.

25) Eloar Guazzelli Filho (Guazzelli):

Nasceu em Vacaria, RS, em 1964. Desenhista, artista plástico e diretor de animação. Publicou quadrinhos nas revistas Kamikaze, Dundum e Mega (Porto Alegre), Fierro (Argentina), Animal e Mil Perigos (São Paulo). Foi premiado em Havana, junto com Lancast, com o curta de animação O Reino Azul. Premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba de 1991 e 1992. Ilustrador de livros infantis.

26) Carlos Henrique Iotti (Iotti):

Nasceu em Caxias do Sul , RS, em 1964. Formado em Jornalismo pela UFRGS. Iniciou ,ainda estudante, colaborando na Folha da Tarde (Porto Alegre). Trabalhou no Diário do Sul, Correio do Povo, Folha de Hoje (Caxias do Sul). É chargista editorial no Pioneiro (Caxias do Sul) e na Zero Hora. Suas criações mais conhecidas são a família e os amigos de Radicci. Este personagem é um herói inspirado na rotina dos imigrantes italianos da Serra Gaúcha. Editor da revista Gibizón de Radicci, premiada como Melhor Publicação Independente no HQ Mix. Sua criação, Radicci, transformou-se em grife de brinquedos, equipamento esportivo, vestuário, bebida (vinho),cafés e restaurantes.

27) Adão Iturrusgaraí: Nasceu em Cachoeira do Sul, RS, em 1967. Foi um dos fundadores e editor da revista Dundum que circulou no RS de 1989 a 1992. Residiu e trabalhou por um período em Paris, publicando com Gilbert Shelton. Colaborou nas revistas Chiclete com Banana, Mega, entre outras. Em 1990, foi premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba na categoria cartum. Mudou-se para São Paulo, onde trabalha como desenhista, redator e editor da revista Big Bang.

28) Rodrigo Rosa (Rodrigo):

Nasceu em Porto Alegre, RS, em 1972. Desenhista e argumentista de histórias em quadrinhos. Iniciou com 14 anos, em 1986, publicando tiras em jornais de bairros. Colaborou nas revistas Dundum, Mega, e Histórias Sobrenaturais (Porto alegre). Ilustrador de livros infanto-juvenis para a Editora Sulina de Porto Alegre. Rodrigo realiza trabalho para empresas e jornais e é Ilustrador de Zero Hora.

Bibliografia:

FERREIRA, Athos Damasceno. Imprensa Caricata do Rio Grande do Sul no Século XIX. Porto Alegre: Globo,1962.

FONSECA, Joaquim da. Caricatura / A Imagem Gráfica do Humor. Porto Alegre: Art

MIRANDA, Marcia Eckert; LEITE, Carlos Roberto Saraiva da Costa. Jornais raros do Musecom: 1808-1924. Porto Alegre: Comunicação Impressa, 2008.

NEUBERGES, Lotário (org). RS no Contexto do Brasil. Porto Alegre: CIPEL, 2000.

TÁVORA, Araken. D. Pedro II e seu Mundo Através da Caricatura. RJ: Editora Documentário, 1976.

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Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite é pesquisador e coordenador do Setor de Imprensa do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (Musecom), em Porto Alegre

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