Terça-feira, 18 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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MONITOR DA IMPRENSA >

Mobilização online mostra força das redes sociais

31/01/2012 na edição 679

Em uma manifestação poderosa da força das mídias sociais e líderes em tecnologia, a comunidade online arruinou, pelo menos temporariamente, as duas propostas de lei americanas contra a írataria online e pela proteção dos direitos autorais que reuniam apoio significativo de políticos e grandes empresários.

O Congresso dos EUA tinha agendado para o fim de janeiro a votação dos dois projetos de lei destinados a combater o download e streaming ilegais de filmes, programas de TV e música: o Ato para Parar com a Pirataria Online (Sopa, sigla em inglês), da Câmara, e o Ato de Proteção de Propriedade Intelectual (Pipa, sigla em inglês), do Senado. Entretanto, blogueiros, usuários do Twitter e gigantes das mídias sociais, como Google, uniram-se contra as propostas de lei por medo de que as legislações dessem poder demais às empresas de mídia e constituíssem censura na internet. A pressão online foi tão forte que, apesar dos esforços de 115 empresas e organizações que tinham lobistas trabalhando a favor das leis, o Senado e a Câmara anunciaram, no dia 20/1, o adiamento da votação.

Na semana de 16 a 20 de janeiro, os protestos por conta do Sopa e do Pipa foram o principal tema debatido em blogs e no Twitter, segundo o Índice de Novas Mídias do Project for Excellence in Journalism, do Pew Research Center. Tanto nos blogs quanto no microblog, houve um esmagador consentimento de que as legislações seriam prejudiciais à liberdade na web. Em uma pesquisa relacionada ao assunto, o Pew Research Center for the People & the Press revelou que quase ¼ dos adultos de 18 a 29 anos nos EUA seguiram a batalha da Sopa mais atentamente do que qualquer outro tema há duas semanas, tornando a matéria de mais interesse entre jovens do que a disputa presidencial americana.

Protesto online

O nível de interesse foi demonstrado em um protesto massivo no dia 18/1, com a Wikipedia retirando sua versão em inglês do ar durante o dia e milhares de outros sites tomando a mesma atitude. “Por mais de uma década, passamos milhões de horas construindo a maior enciclopédia na história humana. Agora, o Congresso americano está considerando uma legislação que pode fatalmente prejudicar a internet livre e aberta”, explicou a Wikipedia.

Neste dia, milhões de indivíduos assinaram petições online e expressaram suas opiniões contrárias às propostas. A petição do Google conseguiu adesão de mais de 4,5 milhões de pessoas. No total, foram mais de dois milhões de menções no Twitter e 10 milhões de assinaturas em petições online, segundo a ONG Fight for the Future. A relação entre os protestos e a reação do Congresso foi vista como uma vitória clara e crucial do ativismo online. “Este é o primeiro teste real da força política na web”, comentou Tim Wu, professor da Universidade da Columbia.

Argumentos contra e a favor

Os defensores das propostas Sopa e Pipa alegam que sua intenção é dar às empresas de mídia recursos contra sites que hospedam material pirateado, mesmo se o site não for responsável por produzir ou postar o conteúdo. Nas mídias sociais, entretanto, houve preocupação generalizada de que as leis seriam mais prejudiciais do que benéficas. Muitos acreditam que elas também alterariam para sempre a natureza da internet. “Se forem aprovadas, arruinarão sites sociais. É possível imaginar um mundo sem Twitter, Google, Facebook e YouTube? Não há maneiras desses sites monitorarem seus conteúdos 24 horas por dia”, escreveu a blogueira Amy E. Boyte.

Mesmo antes do dia 18/1, a Casa Branca já havia anunciado a oposição do presidente ao Pipa e ao Sopa. No dia do protesto, houve mais adesões: 19 senadores anunciaram sua oposição, inclusive alguns que as haviam apoiado inicialmente. No dia 20/1, os principais patrocinadores do Sopa e do Pipa anunciaram que iriam adiar a votação das propostas. No Twitter, muitos seguiram as posições do Congresso atentamente. Informações de Paul Hitlin e Sovini Tan [Project for Excellence in Journalism, 27/1/12].

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