Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

MONITOR DA IMPRENSA > CONTEÚDO ONLINE

Em defesa dos comentários na internet

17/04/2012 na edição 690
Tradução de Larriza Thurler (edição: Leticia Nunes)

Comentários feitos na rede já levaram pessoas à prisão – no caso mais recente, um jovem britânico foi condenado a dois meses na cadeia por postar um tuíte considerado racista. Há quem considere que autores de mensagens ofensivas na internet devem ser responsabilizados por seus atos, e há quem pense que punições severas são exageradas. Desta forma, o debate sobre comentários online e “trollagem” (quando pessoas têm atitudes que tendem sistematicamente a desestabilizar, provocar e enfurecer outros ao seu redor) voltou à tona nos EUA.

Muitos jornalistas que trabalham hoje em redações começaram na profissão quando o feedback de leitores era limitado a cartas ou telefonemas ocasionais. Agora, as coisas funcionam um pouquinho diferente: leitores enviam emails, fazem críticas nas redes sociais e têm o “poder” de publicar suas opiniões logo abaixo de artigos nos sites dos jornais. Toda esta crítica direta e instantânea – e tão próxima a seus artigos – pode ser um choque aos jornalistas, avalia James Ball em artigo no site do Guardian [13/4/12].

Para a jornalista Helen Lewis, do jornal News Statesman, “repórteres não gostam que cada faceta de sua vida e carreira seja evocada diretamente abaixo de um artigo com o qual gastaram muito tempo”. “Neste ponto, há dois tipos de repórteres: os que se preocupam com os comentários e os que não os leem”, resume ela.

A importância da troca

Mas nem sempre os comentários são algo ruim para o jornalista. O propósito de se escrever em blogs, fóruns e redes sociais é, normalmente, debater – e não compartilhar “pérolas de sabedoria”. Muitos comentários são leituras fenomenais – como os de artigos acadêmicos, com comentários de cientistas e editores – e podem provocar o debate e se tornar material para outras matérias. Comentários de leitores podem, muitas vezes, cumprir o papel de editores: alertar para que a matéria seja escrita de uma forma mais compreensível. Por exemplo, se cinco leitores não tiverem entendido algo em um texto, a probabilidade é que o erro seja do jornalista, e não deles.

Na opinião de Helen, os comentários são responsáveis por apenas 1% da audiência de um site e geralmente dão mais trabalho do que valem a pena – o Guardian, por exemplo, investe em coordenadores de comunidades e moderadores. Por outro lado, este 1% de leitores engajados representa uma grande quantidade do tráfego (pode ser o equivalente a ¼) e também vale muito para anunciantes. Aprofundar o relacionamento com estes leitores é a chave para a sobrevivência de um site, defende Ball.

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