Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

MONITOR DA IMPRENSA > CUBA

Jornalistas exilados têm vida difícil na Espanha

24/04/2012 na edição 691
Tradução de Larriza Thurler (edição: Leticia Nunes)

Em 2010, após negociações entre a Igreja Católica e o governo do presidente Raúl Castro, autoridades cubanas começaram a libertar jornalistas presos, enviando-os a um exílio forçado com suas famílias.

Em abril de 2011, os últimos de mais de 20 jornalistas libertados chegaram à Espanha. Eles receberam a promessa de apoio das autoridades espanholas enquanto se estabeleciam no novo país. Mas quase dois anos depois da chegada do primeiro grupo de jornalistas, os quatro que ainda permanecem no país vivem sob condições extremamentes difíceis, lutando até mesmo para comer.

Mijaíl Bárzaga Lugo, Julio César Gálvez Rodríguez, Ricardo González Alfonso e Omar Rodríguez Saludes estavam entre os repórteres e editores presos em Cuba durante a onda de repressão do governo à mídia independente e a dissidentes ocorrida em 2003, que ficou conhecida como Primavera Negra. Bárzaga Lugo, repórter da agência de notícias independente Agencia Noticiosa Cubana, e González Alfonso, repórter freelancer e correspondente da organização Repórteres Sem Fronteiras, receberam sentenças de 15 anos de prisão; já o fotógrafo Rodríguez Saludes foi condenado a 27 anos de prisão. As condições desumanas em que viveram por trás das grades incluiam comida estragada, falta de assistência médica e banheiros entupidos. Em Cuba, seus familiares eram constantemente ameaçados por autoridades e vizinhos por ligação com a dissidência cubana.

Integração ou desintegração?

Os quatro jornalistas chegaram na Espanha em julho do ano passado. Eles viajaram com seus parentes próximos. Antes de deixarem a terra natal, receberam a promessa de apoio financeiro para cobrir despesas com aluguel e necessidades básicas como alimentação e transporte. Segundo Saludes, o apoio do governo deveria durar um ano. Entretanto, se os jornalistas e seus familiares não tivessem condições de se sustentarem até o final deste período, a assistência poderia ser ampliada em mais 12 meses. Nenhuma família está na Espanha há mais de dois anos e a ajuda financeira já foi interrompida.

Rodríguez, de 67 anos, já enviou seu currículo para 22 vagas desde que chegou ao país. “Toda vez, dizem-me a mesma coisa – que sou muito qualificado e tenho um currículo incrível, mas, infelizmente, estou na idade de aposentadoria”, conta. Saludes, de 46 anos, não parou de procurar emprego, mas ainda não conseguiu nada. Sua mulher e cunhada trabalham como empregadas domésticas.

As crianças continuam a receber educação gratuita. No entanto, sem renda e sem ajuda para necessidades básicas, como comida, muitas pararam de ir à escola por não terem dinheiro para transporte ou lanche. Todos continuam também com acesso ao sistema de saúde – mas não recebem ajuda para despesas com remédios.

Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, 15 dos jornalistas forçados ao exílio viajaram para os EUA em busca de melhores condições de vida. Já José Ubaldo Izquierdo Hernández foi para o Chile. Os quatro que ficaram na Espanha querem deixar o país. Um quinto jornalista – Albert Santiago Du Bouchet Hernánde – suicidou-se no mês passado. As informações são de María Salazar-Ferro [Comitê para a Proteção dos Jornalistas, 17/4/12].

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