MONITOR DA IMPRENSA > EQUIDADE EM DEBATE       

Jornalistas mulheres são menos confiantes?

19/06/2012 na edição 699
Tradução: Larriza Thurler (edição de Leticia Nunes)

De tempos em tempos, um relatório é divulgado com novas estatísticas sobre o número reduzido de conteúdo assinado por mulheres na mídia, quando comparado ao sexo masculino – exceto em áreas consideradas “femininas”, como estilo e comportamento. Não há uma certeza do que leva a isto, avalia Jen Doll [The Atlantic, 29/5/12]. Uma análise recente dos vencedores da premiação da Sociedade Americana dos Editores de Revista (Asme, sigla em inglês), cuja maioria era de homens, levou ao debate sobre o tema, incluindo uma conversa entre o editor da Asme, Sid Holt, e as editoras da revista independente e sem fins lucrativos Mother Jones, Clara Jeffrey e Monika Bauerlain.

Anteriormente, a Vida, organização para mulheres no campo da literatura, já havia reunido gráficos mostrando o número de matérias assinadas por mulheres e por homens em diversas revistas nacionais. Recentemente, o Projeto Op-Ed publicou os resultados de uma pesquisa de três anos com artigos de opinião divididos por gênero. Não é surpresa que ambos revelem que homens continuam a dominar o espaço, embora o relatório do projeto cite melhorias, especialmente nas novas mídias, nos últimos seis anos desde que Howard Kurtz, do Washington Post, e James Rainey, do L.A. Times, começaram a analisar o tema da equidade em 2005.

Mas estes dados são apenas metade da batalha pela igualdade. Para ajudar a promover a equidade de gênero nas matérias assinadas e também na sociedade em geral, é preciso analisar os motivos por trás das desigualdades. Um painel foi realizado recentemente pela organização Her Girl Friday, com editores e jornalistas, em sua maioria mulheres, para conversar sobre o que é o problema. Todos concordaram que ele não é puramente baseado em sexismo ou parcialidade de gênero, mas sim no medo de rejeição e na falta de confiança.

Segundo a repórter doNew York Times, Amy O’Leary, que liderou o painel, repórteres homens, pelo menos com quem ela trabalhou quando começou a carreira, não eram afetados pelo medo de rejeição, como acontecia com ela. Segundo o único homem do painel, Evan Ratliff, da Atavist, plataforma que cria publicações para e-readers, jornalistas homens tendem, por natureza, a se sentir no direito de fazer as coisas, o que significa que são mais obstinados e não desistem quando são rejeitados. Por sua vez, mulheres, quando recebem um não, temem falar de novo.

Katherine Lanpher, do Projeto OpEd, também disse que o desequilíbrio é menos por conta de parcialidade editorial e mais relacionado ao fato de as jornalistas mulheres simplesmente não se sentirem à vontade para expressar suas opiniões do mesmo modo que os homens.

Caindo no estereótipo

No entanto, responsabilizar as jornalistas e sua falta de confiança pela desigualdade acaba caindo no fato de culpá-las por um estereótipo feminino – o sexo mais frágil e menos capaz de perseverar. Estes problemas têm de ser superados pelas mulheres. Há muitas profissionais de sucesso e que são confiantes. Para Jen, as mulheres jornalistas são tão diversas quanto os homens. E alguns – nos dois gêneros – podem sofrer crises de confiança, em especial no começo da carreira. Os que querem ter sucesso têm que seguir adiante e confiar em si mesmos. E muitas jornalistas do sexo feminino têm feito isso. Segundo o projeto, a internet e os blogs permitiram uma melhoria. Talvez a internet seja o grande equalizador: o meio dá pouco tempo para a falta de autoconfiança.

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