Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

MONITOR DA IMPRENSA > AUSTRÁLIA

Grupo de mídia teme interferência de magnata da mineração

03/07/2012 na edição 701
Tradução e edição: Leticia Nunes

Gina Rinehart é a pessoa mais rica da Austrália. Ela fez sua fortuna – estimada em 30 bilhões de dólares – no setor de mineração. A empresária de 58 anos herdou a companhia Hancock Prospector de seu pai, o magnata da mineração Lang Hancock, e hoje briga na justiça com três de seus quatro filhos por conta da divisão da fortuna da família.

Nos últimos anos, Gina começou a investir em empresas de mídia – comprou ações na Fairfax Media e na Ten Network. Aos poucos, tornou-se a principal acionista da Fairfax, e agora promete sacudir a mídia e a política australianas: ao que parece, quer o controle do grupo, que publica dois dos mais influentes jornais do país, o Sydney Morning Herald e o Age, de Melbourne.

Os jornalistas destas publicações temem que Gina queira transformá-las em porta-vozes da indústria de mineração. A empresária cercou a Fairfax em seu momento mais vulnerável. O Sydney Morning Herald já esteve entre os jornais mais lucrativos do mundo, graças a seu domínio no setor de classificados, mas o crescimento da internet tirou dinheiro e circulação dos jornais da empresa. Em junho, foram anunciadas mudanças drásticas: os dois jornais passarão a ser publicados em formato tabloide a partir de março, duas fábricas de impressão irão fechar e serão eliminados 1.900 empregos nos próximos três anos. Um semana depois dos anúncios, os editores-chefes das duas publicações deixaram seus cargos.

Demandas

Este ano, Gina aumentou sua fatia na Fairfax para 18,7% e quer conseguir três cadeiras no conselho da empresa, incluindo aí a posição de vice-presidente para ela própria. Os jornais da Fairfax – de centro-esquerda – operam sob um documento que garante a seus jornalistas liberdade editorial. Gina não concorda, e quer impedir que a diretoria da empresa tenha de funcionar sob “condições inadequadas”. O conselho já rejeitou suas demandas.

Contrariada, ela ameaça vender sua fatia, e talvez comprá-la de novo mais tarde, o que aumentou a especulação sobre seus planos. Com o preço das ações da Fairfax em baixa, não custaria muito para a empresária abocanhar a empresa inteira.

O governo trabalhista, que já sofre ataques do império de jornais do magnata Rupert Murdoch, teme arrumar mais um inimigo. O vice-primeiro-ministro Wayne Swan, que também ocupa o cargo de ministro das Finanças, prevê um impacto negativo na democracia se Gina Rinehart se negar a garantir independência editorial aos jornais. Ele admite, entretanto, que ela tem o direito comercial de, se quiser, assumir o controle sobre a Fairfax.

Políticos e jornalistas já veem um conflito em potencial caso o possível controle de Gina interfira na independência dos jornais: a centro-esquerda do país apoia um novo imposto sobre os lucros da indústria de mineração, que começa a ser aplicado este mês. Gina, junto com outros magnatas do setor, fez forte campanha contra o imposto, alegando que ele prejudicará a competitividade da Austrália. Informações da Economist [30/6/12].

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