Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

MONITOR DA IMPRENSA > AUTOPLÁGIO

O jornalista que copiava seus próprios textos

10/07/2012 na edição 702
Tradução e edição: Leticia Nunes

Uma das jovens estrelas do jornalismo científico americano e autor de três livros sobre psicologia e neurociência, Jonah Lehrer foi acusado no mês passado de autoplágio. Críticos apontaram que ele havia usado partes de textos antigos que havia escrito para diversas publicações em posts para seu blog na New Yorker. A conceituada revista divulgou uma nota no topo dos posts publicados por Lehrer em seu site, indicando onde aquele texto já havia aparecido e se desculpando pela “duplicação de conteúdo”.

Segundo o editor da New Yorker Nicholas Thompson, o jornalista de 31 anos entende que cometeu um erro e promete que não o repetirá. Lehrer, que escreve para a revista desde 2008, havia sido contratado para a equipe fixa pouco mais de duas semanas antes da controvérsia sobre o autoplágio. Ele anunciou que levaria para a New Yorker seu blog, Frontal Cortex, que originalmente publicava no site da revista Wired. Todos os posts que escreveu nestas duas semanas continham material “reciclado”.

Homem de ideias

O problema foi notado inicialmente pelo jornalista e blogueiro Jim Romenesko, que indicou que três parágrafos em um post de Lehrer haviam sido praticamente copiados de um artigo que ele havia escrito para o Wall Street Journal no ano passado. Descobriu-se, em seguida, mais exemplos da prática, inclusive na Wired, onde o jornalista teria reutilizado partes de textos que escreveu para a revista do New York Times.

Em artigo na Slate, Josh Levin aponta uma possível razão para o problema: Lehrer, visto como um promissor jornalista cheio de boas ideias, deixou de ser puramente jornalista para entrar no negócio de ideias. O sucesso de seus livros – o mais recente, Imagine, fala sobre a “nova ciência da criatividade” – fez com que passasse a ser bastante requisitado a dar palestras. Ao reutilizar ideias e trechos de trabalhos anteriores em um veículo jornalístico, revelou um fato nada agradável da vida de intelectuais populares como ele: as gandes ideias não surgem o tempo inteiro. Enquanto a maioria dos jornalistas tem uma boa ideia a cada dois meses, por exemplo, pensadores profissionais como Lehrer precisam ter um ritmo acelerado para conseguir manter uma carreira lucrativa. A questão é que a repetição no circuito de palestras não é algo tão problemático quanto na produção jornalística. Com informações de Curtis Brainard [Columbia Journalism Review, 20/6/12] e Andrew Beaujon [Poynter, 21/6/12].

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Leia também

A repercussão do caso em artigos (em inglês) no Daily Beast, New York, The Atlantic, Salon e New York Times.

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