Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > COREIA DO NORTE

Os desafios da sucursal da AP em Pyongyang

14/08/2012 na edição 707
Tradução: Larriza Thurler (edição de Leticia Nunes)         

         

O líder Kim Jong-il havia morrido há apenas duas semanas quando a Associated Press abriu uma sucursal na fechada Coreia do Norte, em janeiro. Os responsáveis por cuidar da operação em Pyongyang foram o jornalista Jean H. Lee e o fotógrafo David Guttenfelder, e a iniciativa foi vendida ao regime norte-coreano como uma simples expansão do escritório de vídeos aberto pela AP no país em 2006. Mas para Lee e Guttenfelder, tratou-se de um projeto com muitos novos desafios, que faria da AP a primeira agência de jornalismo independente e internacional com uma sucursal em tempo integral na capital da Coreia do Norte.

Na época da abertura, a AP recusou os pedidos para entrevistas com os jornalistas envolvidos na iniciativa, com a justificativa de dar a eles tempo para se estabelecer. Sete meses depois, Lee foi entrevistado por Hazel Sheffield [Columbia Journalism Review, 2/8/12] para falar sobre o trabalho jornalístico em um país no qual jornalistas internacionais devem entregar seus celulares, trabalham sem acesso à internet e são submetidos à vigilância constante. “No momento, estamos concentrados em construir a operação, treinar a equipe local e estabelecer uma rede na Coreia do Norte”, disse ele, reforçando que se trata de um lugar bastante difícil para se trabalhar. “Há regras rígidas para visitantes internacionais na Coreia do Norte, e isso inclui os jornalistas. As regras requerem que todos os telefones celulares sejam deixados no aeroporto e que os visitantes estejam acompanhados por um anfitrião o tempo todo. Não conheço nenhum lugar do mundo que seja assim. Não se pode deixar o hotel para dar um passeio”.

Parceria local

Segundo Lee, muitos jornalistas já entraram no país a convite do Ministério do Exterior ou fingindo ser acadêmicos ou turistas, mas isto pode gerar implicações para as empresas em que trabalham se forem pegos. “Eu trabalho com a suposição de que tudo que digo, escrevo e faço está sendo registrado”, afirmou. Ele compartilha o escritório com a Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA, sigla em inglês), que é administrada pelo governo. “É surpreendente estar incluído na equipe de imprensa local e ser convidado para conferências estatais com eles”, disse, alegando que não mostra nada à agência antes de ser publicado. “Mas eles podem sempre me fazer perguntas. Preciso da ajuda da minha equipe e da KCNA para fazer pedidos para acesso a lugares e entrevistas. Eles sabem mais do que eu com quem tenho que falar. Trabalho com eles no treinamento de nossos jornalistas norte-coreanos, porque a forma de jornalismo deles é a propaganda”. Jornalistas norte-coreanos querem saber como funciona o jornalismo ocidental e veem o treinamento como uma oportunidade para praticar seu inglês.

O escritório de TV da AP também teve um trabalho árduo quando abriu o escritório em 2006. “A Coreia do Norte está se arriscando em trabalhar conosco. Tecnicamente, os EUA e a Coreia do Norte ainda estão em guerra – esta parceria com uma empresa americana vai contra décadas de políticas. Felizmente, podemos abrir o caminho para outros veículos”, acredita Lee.

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