Domingo, 25 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

MONITOR DA IMPRENSA > FOX NEWS, AO VIVO

A lição aprendida após transmissão de suicídio

09/10/2012 na edição 715
Tradução e edição: Larriza Thurler

A emissora a cabo Fox News e seus telespectadores tiraram uma lição dos perigos da transmissão ao vivo na TV, quando o motorista, Jodon Romero, perseguido pela polícia na cidade americana de Phoenix, no Arizona, saiu do carro e atirou na própria cabeça. As imagens foram gravadas a partir de um helicóptero que acompanhava a perseguição.

O episódio é raro; a maior parte das emissoras de TV usa um delay para transmissões ao vivo para evitar cenas que possam incomodar telespectadores. Emissoras também costumam colocar um alerta aos telespectadores quando pretendem exibir imagens que podem ser consideradas questionáveis. No caso em questão, após o motorista ter caído, morto, a Fox cortou as imagens e exibiu um comercial. O âncora Shepard Smith voltou minutos depois e fez um longo pedido de desculpas. “Tomamos cuidado, para evitar que cenas como essa apareçam na TV e eu, pessoalmente, peço desculpas pelo que aconteceu. Lamento”, disse.

A rede tinha a tecnologia para usar um delay de cinco segundos, mas não o utilizou, por erro humano. “Pedimos desculpas aos telespectadores pelo que viram na TV”, afirmou Michael Clemente, vice-presidente executivo de notícias editoriais da rede. Al Tompkins, da Poynter, ressaltou que uma precaução não foi tomada: não exibir a perseguição. A família criticou o caso. “Este não deveria ter sido o modo como qualquer um de nós deveria saber da morte do meu irmão”, desabafou a irmã do motorista, Nature Romero.

Sangue no ar

Na opinião do veterano diretor de notícias da WJLA, Bill Lord, profissionais da emissora deveriam ter ficado em alerta quando o motorista saiu do carro. Quando era diretor de notícias de uma emissora de Los Angeles, ele supervisionou a cobertura ao vivo de um longo tiroteio, em 1997, entre a polícia e dois homens fortemente armados em Hollywood, que deixou diversos feridos. O episódio, no entanto, tinha muito mais valor jornalístico do que a perseguição no Arizona, o que justificava a cobertura ao vivo.

Outra questão ética levantada foi a reprodução do vídeo por outros veículos de comunicação, como BuzzFeed, Gawker e Mediaite. Em um tuíte, a Columbia Journalism Review questionou o que seria pior: a FoxNews ter exibido ao vivo o suicídio ou o Buzzfeed ter reproduzido o vídeo.

Embora raramente exibidas na TV, suicídios já foram televisionados ao vivo. O mais conhecido foi o de R. Budd Dwyer, tesoureiro do Estado da Pensilvânia que se matou com um tiro durante uma coletiva em janeiro de 1987. Dwyer convocou a imprensa para falar sobre sua condenação por acusações de corrupção. Assim que o evento começou, ele tirou uma arma e alertou a todos para ficarem longe dele. Em meio a gritos, ele atirou. Outro caso notável aconteceu em 1974, quando a âncora da Flórida Christine Chubbuck suicidou-se com um tiro durante o noticiário matutino. Com informações de Andrew Beaujon [Poynter, 1/10/12], de Paul Farhi [The Washington Post, 29/9/12] e de Mark Caddington [Nieman Journalism Lab, 5/10/12].

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