Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

MONITOR DA IMPRENSA > FRANÇA

Air France pode parar de distribuir jornais

09/10/2012 na edição 715
Tradução e edição: Larriza Thurler

O plano de redução de custos da Air France pode ter efeitos colaterais na indústria jornalística. Devido à queda na rentabilidade, a empresa aérea francesa tem planos de suspender a distribuição de jornais em salas de espera e aviões. Em vez do papel, passageiros teriam acesso a informações por meio de tablets e smartphones.

A decisão foi tomada pela empresa no começo do ano; daqui até o fim de 2014, a Air France quer obter uma redução de 2 bilhões de euros (em torno de R$ 5,2 bilhões) para conseguir 20% de rentabilidade complementar. Segundo Xavier Ternisien [Le Monde, 4/10/12], a compra de jornais e revistas representa 10 milhões de euros (R$ 26 milhões), aos quais se acrescentam 5 milhões de euros (em torno de R$ 13 milhões) de logística para entrega das publicações.

Resposta imediata das editoras

A Air France é a maior compradora de mídia da França. A empresa adquire, por ano, entre 18 a 20 milhões de publicações. Em alguns casos, suas compras representam até 14% da tiragem paga de determinados jornais.

Na maior parte, trata-se de “vendas por terceiros”, que muitas vezes não é feita diretamente com as editoras. Mas esta difusão é essencial à mídia. Primeiro, porque ela é contabilizada pelo OJD, órgão que certifica as tiragens dos jornais. Depois, pelo fato de atingir clientes que, em geral, têm um padrão aquisitivo elevado.

Questões a serem resolvidas

A boa notícia é que a decisão não vai ser colocada em prática no ano que vem. No primeiro trimestre de 2013, as opções digitais serão oferecidas aos assinantes, além da versão impressa, para depois ser ampliada aos demais. Além do mais, o OJD já certifica, há dois anos, a tiragem digital paga em iPads e tablets. O órgão já realizou testes coma Air France – portanto, esta questão não será mais um problema.

Outras dificuldades, entretanto, deverão ser solucionadas. É possível, por exemplo, atualizar os aparelhos em terra, mas não a bordo dos aviões. A ideia seria que os passageiros escolhessem os jornais 30 horas antes do embarque – e poderiam ler antes mesmo de embarcar. A empresa poderia, ainda, emprestar tablets aos passageiros que não os têm.

A outra questão é a escolha dos títulos a serem oferecidos. Até agora, a Air France tem à disposição jornais nacionais de todas as vertentes políticas – do Figaro ao L'Humanité, além de dezenas de revistas. No futuro, a escolha será maior, pois será possível oferecer 400 títulos em francês e outros idiomas. Isso pode ocasionar queda na leitura dos jornais franceses; passageiros podem preferir revistas de lazer, femininas ou estrangeiras.

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