Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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MONITOR DA IMPRENSA > CONTROLE DA INTERNET

Tratar a web como ameaça é por em risco o desenvolvimento

16/10/2012 na edição 716
Tradução: Jô Amado (edição de Larriza Thurler)

Entre todas as recentes notícias do Oriente Médio, uma pode ter escapado ao leitor: no mês passado, a Jordânia aprovou uma emenda à já restritiva lei de imprensa e publicações para incluir internet. A emenda pode alarmar o desenvolvimento dos negócios num lugar que já foi promissor em termos de progresso econômico, em uma região que passa por mudanças.

Entre outras coisas, a nova legislação da Jordânia (votada pelo Parlamento e assinada pelo rei) tornará sites de notícias online responsáveis pelos comentários deixados pelos leitores, requisitará desses sites que arquivem os comentários e irá forçá-los a obterem licenças do governo, sob pena de serem fechados. Isso para um setor tecnológico que cresceu 25% ao ano durante a última década (segundo a Associação de Informação e Tecnologia da Informação da Jordânia) e que atualmente responde por 14% do Produto Nacional Bruto – era de 2% no ano 2000. Um dos principais grupos regionais de notícias e pesquisa, Sindibad, destaca que quase a metade das start ups criadas no mundo árabe tiveram a Jordânia como sede.

A reação às restrições por parte da comunidade tecnológica jordaniana foi imediata. Centenas dos sites mais populares saíram o ar em protesto (semelhantes aos protestos que ocorreram nos EUA no início deste ano contra a lei antipirataria [Lei Contra a Pirataria Online – Sopa] que tramitava no Congresso). O Twitter ficou cheio de advertências por parte de empresários, como, por exemplo, “o governo pode estar em vias de garantir a maior debandada de cérebros da nossa história.”

Inovação ou interrupção tecnológica nunca foi tão fácil

Mas será que a indignação do setor tecnológico mudará a política governamental? As restrições à internet são lugar-comum em países onde o controle central é de suma importância. A China vive às turras com o Google. A Arábia Saudita e a Rússia têm muitas leis restritivas – e mesmo a Turquia e a Índia, países democráticos, têm muitas restrições à internet. Na semana passada, as Filipinas tentaram aprovar rigorosas restrições às redes sociais antes da intervenção do Judiciário. No curto prazo, os protestos e os negócios provavelmente caminharão lado a lado nesses países.

No entanto, as proibições representam um paradoxo econômico num prazo mais longo para as nações emergentes. Atualmente, a internet não é um simples modo de se comunicar, mas a plataforma pela qual se inovam negócios e transações pelo mundo todo. Como podem os governos restringir essa plataforma se seu próprio sucesso se baseia na transparência, abertura e acesso? “Um número cada vez maior de empresas e indústrias funciona com base em serviços online – do cinema, à agricultura e à defesa nacional”, escreveu, no ano passado, Marc Andreessen, criador do primeiro navegador gráfico do mundo. “Muitos dos vencedores são empresas de tecnologia semelhantes às do tipo Vale do Silício que invadem e revolucionam as estruturas industriais existentes.”

Tornar-se uma potência em inovação tecnológica ou sua interrupção nunca foi tão fácil – mas ter acesso livre à internet é essencial. Novos empreendedores, pelo mundo todo, estão criando maneiras de colaborar e resolver problemas locais, regionais e mesmo globais. Os governos deveriam perceber que, embora apaixonados por seus países e suas culturas, esses inovadores também nunca foram tão móveis – se forem incomodados, podem procurar outros países que abriguem seus talentos.

Emergentes têm uma oportunidade única

Além de perderem seus melhores e mais brilhantes cérebros, as nações emergentes enfrentarão problemas de concorrência se suas legislações inibirem as inovações. Mesmo na China, onde o fantástico crescimento parecia sugerir que o governo se adaptasse às transições tecnológicas, a máquina parece estar desacelerando. Para novas economias, ainda no início das novas tecnologias e lutando pelo crescimento, o prejuízo pode ser muito pior. Se ficarem para trás, como podem esperar acompanhar os concorrentes?

A história é um relato de governos restringindo o capital para manterem o controle político e a ex-União Soviética é o exemplo mais notório disso. Regimes opressivos sobreviveram por décadas ao permitirem que uns poucos acumulassem riquezas e impedirem a outros o acesso ao capital. Mas essa estratégia não tem sido sustentável – como mostrou o Oriente Médio, em espacial nos anos recentes.

Os mercados emergentes têm uma oportunidade única de adotar a internet como sua plataforma central de negócios. Cingapura, Coreia do Sul e Israel fizeram isso e tornaram-se atores de primeiro plano em tecnologia. Esses países têm seus próprios desafios em relação ao liberalismo político, mas ao adotarem um acesso aberto e globalmente competitivo mostraram que os negócios podem crescer e estudantes universitários podem sonhar em construir novas empresas em suas casas.

Advertências de Maquiavel

Em sua obra O Príncipe, Maquiavel explicou como os líderes de economias planejadas podem se convencer de que os riscos de adotar mudanças têm um peso maior do que o valor de liderá-las: “O iniciador tem a inimizade de todos os que se aproveitariam da preservação das velhas instituições e o apoio tímido daqueles que ganhariam com as novas.”

Mas na era digital, os líderes deveriam dar maior atenção a outra advertência de Maquiavel: “Um homem que esteja habituado a agir de uma forma nunca muda; ele se verá arruinado quando os tempos, ao mudarem, deixam de estar em harmonia com sua maneira de agir.” Informações de Christopher M. Schroeder [Wall Street Journal, 11/10/12].

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