Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Na crise, políticos adotam mídias sociais

06/11/2012 na edição 719

Com o furacão Sandy, as autoridades públicas e as agências governamentais americanas apelaram mais do que nunca para as redes sociais: prova disso está no que se pode encontrar no Twitter do governador de Nova York Andrew M. Cuomo: 400 mensagens na terça-feira (30/10), 300 na quarta-feira (31/10) e mais do que 100 na quinta (1º/11), divulgando desde fotos dos prejuízos causados pela tempestade aos reparos de estações de energia. Normalmente são seus assessores, e não o governador, que digitam as mensagens. Mas ele e sua equipe reconheceram que as mídias sociais “são um método muito eficaz para divulgar informações em hora de crise”, disse Joshua Vlasto, vice-diretor de comunicações do governo. Na última sexta-feira (2/11), o número de seguidores do governador no Twitter passou de 20 mil para 50 mil.

Embora o serviço de telefonia tivesse ficado irregular em alguns lugares do nordeste do estado, as pessoas cujos aparelhos tinham sinal ficaram dependentes das redes sociais de maneira nunca vista em desastres anteriores. Governadores, prefeitos e trabalhadores de emergência da Costa Leste – da Carolina do Norte ao Maine – apelaram para o Twitter, o Facebook e o YouTube, conscientes de que aqueles que não podiam assistir à televisão receberiam mensagens via Twitter.

É claro que os líderes políticos ainda dão entrevistas coletivas via rede social, mas seus assessores tendem a enviar mensagens pelo Twitter simultaneamente, numa tentativa de disseminar informação correta e transmitir uma sensação de controle em meio ao caos e à confusão. “O Twitter torna possível que uma autoridade pública mantenha uma entrevista coletiva 24 horas por dia, informando, simultaneamente, sua equipe, o público e a imprensa”, disse Andrew Rasiej, fundador do Personal Democracy Forum, instituição que monitora como a internet está mudando a política e a governança. Elogiando a eficiência da internet no processo de recuperação após a tempestade, ele disse: “Agora, podemos separar o uso feito pelas autoridades públicas das redes sociais em antes e depois de Sandy.”

“Um sinal dos tempos”

Mesmo antes da tempestade, os estados atingidos mostraram uma nova criatividade na forma de se comunicar. O departamento de gerenciamento de emergências de Maryland criou uma página com o aplicativo Pinterest mostrando fotos de enchentes anteriores para motivar as pessoas a se prepararem. Na Carolina do Norte, uma pessoa divulgou vídeos no YouTube sobre as preparações, antes de a tempestade passar, e vídeos dos prejuízos posteriores.

As campanhas políticas começaram a compreender a eficiência destas ferramentas há vários anos – e agora as lições aprendidas vêm sendo postas em prática pelos candidatos vencedores. “As mídias sociais são parte inerente a um plano de comunicação de emergência”, disse J. Tucker Martin, diretor de comunicações do governador da Virgínia, Bob McDonnell, eleito em 2009. “Acho que, há alguns anos, o que teria considerado uma minúcia, considero, agora, essencial.”

Pouco após o governador de Connecticut, Dannel P. Malloy, ser empossado, em 2011, duas grandes nevascas mostraram como as redes sociais poderiam ser úteis para divulgar informações de emergência, disse David Bednarz, vice-gerente de comunicações que administra a conta do governador no Twitter. Em agosto do ano passado, veio o furacão Irene, e logo depois, em outubro, uma nevasca assustadora. À medida que um número crescente de cidadãos ficava sem energia, o número de seguidores do governador no Twitter aumentava rapidamente. “Talvez seja um sinal dos tempos”, disse Bednarz. “Encontramos muitas pessoas que não têm rádios de pilha e não podem ouvir os comunicados ao vivo do governador. Por meio de seus celulares, o Twitter foi o último recurso que tinham disponível para saber o que acontecia enquanto estavam presos em suas casas, sem energia.”

Nas áreas sem energia de Manhattan, pessoas com smartphones se reuniam em lugares com roteadores, e não com TVs ou rádios de pilha. Algumas agências também usaram a internet para corrigir veículos que divulgassem informações erradas. Na quarta-feira (31/10), quando o New York Post divulgou em seu site que o prefeito Michael R. Bloomberg pretendia proibir o tráfego de carros particulares em Manhattan, o secretário de imprensa do prefeito postou uma resposta no Twitter, em letras maiúsculas: “INCORRETO”. O Post apagou a matéria, que exagerava nas restrições ao tráfego anunciadas uma hora depois.

Os estilos nas mídias sociais

Os estilos nas mídias sociais variam. Mensagens sobre o uso de energia tendem a ser factuais, evitando o lado emocional. O governador de Nova York, Cuomo, é adepto de informações; o vice-diretor de comunicações, Vlasto, diz que a equipe trata sua página do Twitter “como uma operação de noticiário”. Já o governador de New Jersey, Chris Christie, é muitas vezes pessoal. Cory Booker, prefeito de Newark e pioneiro em fazer política pelo Twitter, responde a mais pessoas do que a maioria das autoridades públicas. Quando uma mulher que mora perto de sua casa lhe perguntou, na quinta-feira de manhã, “por que não voltou a energia?”, ele respondeu que não sabia. Mas acrescentou que qualquer pessoa nas redondezas “pode vir a minha casa” para se aquecer e carregar seus celulares. Algumas horas mais tarde, a mulher dizia, no Twitter, que estava na casa de Booker, carregando seu celular e assistindo ao filme Happy Feet. Informações de Brian Stelter e Jennifer Preston [New York Times, 2/11/12].

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