Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
Menu

MONITOR DA IMPRENSA >

BBC infiltra repórter em viagem estudantil à Coreia do Norte

07/05/2013 na edição 745

Ainda abalada pelo caso Jimmy Savile, a BBC voltou a enfrentar, no mês passado, mais um escândalo. Disfarçado como professor em um grupo de estudantes da London School of Economics (LSE) que viajava para a Coreia do Norte, o repórter John Sweeney filmou um documentário sobre o país.

Quando oficiais da LSE descobriram a farsa, mandaram um email para todo o corpo discente: “As ações da BBC podem ter seriamente danificado a reputação da LSE e comprometido a possibilidade de futuros alunos estudarem legitimamente na Coreia do Norte”. Segundo a mesma mensagem, os estudantes que participaram da viagem “não foram suficientemente informados para consentirem com a ação, mas foram informados o suficiente para serem colocados em sério risco caso o subterfúgio fosse descoberto antes de sua volta”.

A instituição não pediu apenas que a BBC se desculpasse, mas também exigiu que o programa não fosse exibido – o que foi rejeitado pela rede de TV sob a justificativa de que o documentário era de “interesse público”. Embora a expedição fosse composta por estudantes da LSE, ela não foi organizada pela prestigiada instituição de ensino, mas por um grupo de pessoas que incluia a mulher de John Sweeney, Tomiko, professora da universidade.

Riscos

De acordo com o jornal The Independent, os estudantes estavam completamente cientes da função de Sweeney como jornalista e do risco dele acompanhá-los na Coreia do Norte, famosa por deter ocidentais para obter vantagens em negociações internacionais. No entanto, nenhum dos estudantes estava ciente de que o repórter se disfarçaria de professor da universidade como forma de evitar represálias. Se ele fosse pego, todo o grupo seria passível de interrogatório, detenção e/ou extradição permanente.

Apesar do país hoje permitir a entrada de alguns turistas, jornalistas precisam de permissão governamental para trabalhar e são acompanhados por inspetores. Em 2009, duas jornalistas americanas foram presas e sentenciadas a 12 anos de trabalho pesado após serem acusadas de entrar ilegalmente no país enquanto investigavam denúncias de tráfico de mulheres. Elas foram salvas após o ex-presidente dos EUA Bill Clinton ir a Pyongyang negociar com os oficiais.

Ceri Thomas, chefe de jornalismo da BBC, disse que a viagem foi organizada pela mulher de Sweeney e iria “acontecer antes da BBC se envolver”. Segundo ele, os estudantes foram avisados sobre o perigo em duas reuniões em Londres e em outra em Pequim.

Disfarce e ética

O episódio do programa Panorama, intitulado “North Korea Undercover”, é descrito no site da emissora como o retrato de “uma paisagem desolada, um povo que sofreu lavagem cerebral por três gerações e um regime feliz por dar a impressão de caminhar em direção ao fim do mundo”.

Stephen J. A. Ward, diretor do Centro de Ética Jornalística da Universidade de Wisconsin-Madison, expressou surpresa com a forma como a BBC escolheu apurar o assunto, apesar de reconhecer que o jornalismo disfarçado é uma prática aceita na Inglaterra. “Você deve ser capaz de afirmar que ‘não há outro jeito de contar essa história’ e de que não está colocando ninguém em risco”, disse.

A instituição que representa as universidades britânicas criticou a BBC. “A maneira como a BBC conduziu sua investigação não só colocou a segurança dos alunos em risco, como também pode ter prejudicado a reputação de nossas universidades internacionalmente”, declarou o diretor do grupo.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem