Terça-feira, 22 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

MONITOR DA IMPRENSA > IMPACTOS DA WEB

Cinco características que jornalistas e músicos têm em comum

Por Angela Washeck em 06/08/2013 na edição 758
Tradução de Jô Amado, edição de Larriza Thurler e informações de Angela Washeck [“5 Things Journalists and Musicians Have in Common”, do Mediabistro, 16/7/2013]

À primeira vista, as indústrias da notícia e da música parecem ser completamente diferentes. No entanto, olhando mais de perto, é possível ver como a internet lançou todos os negócios da mídia em um terreno inexplorado.

1. O rádio está para a música como o jornal para o jornalismo. Ambas as formas de mídia passaram por seu auge na maior parte do século 20. Depois, a internet entrou em cena e elas foram forçadas a se adaptar. Apesar da ascensão dos serviços digitais de música gratuitos, o rádio continua sendo uma commodity válida para tornar conhecidos os artistas junto ao grande público. Da mesma forma, o jornal impresso vem progressivamente desaparecendo e o digital foi empurrado para primeiro plano, mas não sem a influência do impresso.

Diz a história que o rádio e o jornal impresso acabarão sendo relíquias. (Alguém ainda escuta aquele radinho de oito faixas enquanto lê o jornal deixado pelo garoto numa bicicleta? É provável que não.) No entanto, em seus primórdios, essas mídias estabeleceram um precedente – exigiram que atribuíssemos um valor palpável a seus produtos. Isso cria uma fundação significativa para determinar como nossa cultura as receberá no futuro.

2. Mudou a maneira pela qual músicos e jornalistas/organizações jornalísticas ganham dinheiro. Mas isso não é necessariamente ruim. Antigamente, era simples: os consumidores pegavam um CD de uma loja de discos ou o compravam num show. Paralelamente, os cidadãos assinavam o jornal da cidade e o recolhiam da porta da frente. Atualmente, os consumidores têm uma série de opções. A música moderna e as indústrias jornalísticas estão tão saturadas que às vezes é impossível saber por onde começar.

Além disso, recursos como o Spotify, o YouTube, o NoiseTrade ou o Pandora representam um atraso para os músicos, do ponto de vista monetário; de maneira sincronizada, as organizações jornalísticas devem caminhar por uma linha estreita entre abrir o apetite do leitor com jornalismo gratuito e ter lucro.

Alissa Quart, da Columbia Journalism Review, refere-se a isso como o Método da Cultura Gratuita. Ela pondera que um “mixtape [compilação de canções] de brinde” de um músico é comparável a um jornalista compartilhar conteúdo gratuito. Alissa supõe que esse seja um método para criar uma audiência fácil e que promove a confiança. E continua:

“Parte do Método de Cultura Gratuita consiste em cultivar uma audiência em torno de seu conteúdo de brinde. A banda indie Deerhof, por exemplo, divulga constantemente blogs e envia mensagens de covers e projetos de trabalho em andamento em seu site, assim como divulga as faixas top ten de outros grupos. É claro que, em se tratando de não ficção, existem inúmeros escritores que começam como blogueiros e se transformam em autores, alcançando o sucesso através do Método de Cultura Gratuita.”

Ambas as indústrias vêm trabalhando no desenvolvimento de um modelo digital sustentável que satisfaça todo mundo – consumidores felizes e produtores recompensados.

3. A publicidade online é uma situação delicada para organizações jornalísticas e músicos. As organizações jornalísticas ainda estão tateando com vários métodos para financiar um bom jornalismo, como paywalls e micropagamentos, porque o número de visitas à página e as impressões que chegam dos anúncios online não são suficientes para manter acesas as luzes da redação. Uma vez mais, voltamos aos negócios com um amplo espectro de opções para a publicidade.

As publicações de música digital enfrentam as mesmas questões, mas a presença na internet de sites como o Pitchfork, assim como sua abordagem minimalista à publicidade, foram decisivos para o êxito de artistas independentes, como Bon Iver. O site Pitchfork é conhecido por ter avaliado anúncios de uma maneira mais criativa e estratégica, confiando no conteúdo patrocinado por banners, hoje obsoletos.

4. Nenhuma das indústrias irá acabar, portanto não devemos fingir que vai. Como diz Mathew Ingram, do Gigaom, a redação jornalística não se tornará obsoleta devido ao jornalismo-cidadão e à internet. Ao invés disso, ela se transformará, “não numa instituição, mas num estado de espírito e numa série de crenças, assim como uma maneira de nos comportarmos”. Essa é uma opinião da qual os músicos podem compartilhar a respeito de sua indústria.

5. Independendo de com quem trabalhamos, a autopromoção nas redes sociais e nas plataformas online é obrigatória. Se você quiser ser bem-sucedido em qualquer das indústrias, seu nome deve estar por toda parte. Crie perfis digitais e portfólios, divulgue seu trabalho pela internet com outros e envolva seus consumidores através de todas as plataformas. Quando seus fás se sentirem conectados, estarão mais propensos a acompanhar – e comprar – suas composições.

Aram Sinnreich, professor de jornalismo e músico, faz a seguinte descrição do texto de Alissa na Columbia Journalism Review: “Como uma banda numa tournée, os jornalistas têm que enviar e-mails e os leitores de Facebook têm que se envolver com eles diariamente, respondendo aos comentários.” Ao se tornarem acessíveis aos leitores – ao invés de explicar “o que significava a canção”, explicando “o que o artigo significava” – os jornalistas podem aprofundar a lealdade do leitor no seu trabalho.

Trabalhar para uma grande organização, seja ela uma gravadora ou uma empresa jornalística, não nos exime de apresentarmos nossas marcas.

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Angela Washeck é jornalista

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