Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > CHINA

Jornalista é preso por defender liberdade de ativista

06/08/2013 na edição 758
Tradução de Rodrigo Neves, edição de Larriza Thurler, Informações de Jane Perlez [“Chinese Journalist Detained in Beijing, One Day After Human Rights Talk With U.S.”, The New York Times, 3/8/2013]

Um jornalista chinês que pressionava pela liberdade de um proeminente ativista de direitos humanos foi preso no dia 2 de agosto, um dia depois da reunião anual entre EUA e China sobre direitos humanos.

O jornalista, Chen Min, conhecido pelo seu pseudônimo Xiao Shu, foi convocado para uma reunião com oficiais de segurança em Beijing. Sua última mensagem de texto, enviada às 13h50 para um amigo, dizia que os oficiais queriam que ele deixasse a cidade e o ameaçavam.

Chen ajudou a organizar uma petição pedindo a liberdade de Xu Zhiyong, um jurista que inspirou uma campanha que pede pela transparência dos bens de oficiais públicos. Xu está preso há mais de três meses por “agregar pessoas e romper a ordem em espaço público”.

Chen trabalhava como editor e colunista do Southern Weekend, um jornal semanal com reputação por seu jornalismo combativo que ofendeu alguns oficiais. O jornalista atraiu muitos seguidores dentre os leitores escolarizados pelas suas críticas ácidas e apaixonadas contra a censura. Ele foi afastado em 2011.

Xu Zhiyong, ativista defendido por Chen, trabalhava como professor de direito e era membro de um órgão legislativo local. Nos últimos anos, a universidade em que trabalhava o proibiu de dar aulas. Sua defesa de que oficiais do Partido Comunista declarem seus bens parecia estar na linha da campanha do atual líder chinês Xi Jinping para eliminar corrupção. Sua maior ofensa não aparenta ter sido sua causa, mas seu esforço para mobilizar o “Movimento dos Novos Cidadãos”, que atraiu milhares de pessoas.

“Visões apocalípticas”

A prisão de Chen aconteceu após três dias de reuniões do 18º Diálogo Anual EUA-China pelos Direitos Humanos. Uzra Zeya, secretária-assistente dos EUA pela democracia, direitos humanos e do trabalho, disse em uma coletiva de imprensa que “especificamente levantou questões sobre o padrão de prisões e detenções extralegais de advogados, ativistas digitais, jornalistas, líderes religiosos e outras pessoas que desafiam as políticas oficiais e ações da China”. Xu Zhiyong estava entre os nomes de presos levantados por Zeya, assim como Gao Zhisheng, defensor do Falun Gong, um grupo religioso banido no país, e Liu Xiabo, vencedor do Nobel da paz.

Segundo Zeya, o governo dos EUA também está profundamente preocupado com autoridades chinesas que tentaram silenciar ativistas ao mirar familiares e associados. Nesta categoria, ela mencionou a família de Liu Xiaobo e Chen Guangcheng, ativista que está agora nos EUA.

Xi Jinping, presidente da China, indicou que as reformas econômicas propostas por ele não serão acompanhadas por um afrouxamento político. Em vez disso, repetidamente enfatizou sua lealdade às tradições do partido e à ortodoxia política.

Na quinta-feira (1/8), a agência de notícias estatal chinesa avisou que se a China abraçar os ideias democráticos promovidos por intelectuais liberais, sucumbirá a um tumulto pior do que o colapso da União Soviética. Estes intelectuais não nomeados estariam “criando visões apocalípticas de um iminente colapso chinês e vilificando o sistema socialista” e “incitando o público a servir como bucha de canhão para criar um tumulto social na China”.

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