Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > ‘THE BOSTON GLOBE’

New York Times Co. vende jornal para dono do Boston Red Sox

06/08/2013 na edição 758
Tradução de Jô Amado, edição de Larriza Thurler e informações de Christine Haughney [“New York Times Company Sells Boston Globe”, The New York Times, 3/8/2013]

A empresa The New York Times Company informou no sábado (3/8) que concordou em vender o The Boston Globe e suas outras propriedades jornalísticas na região de New England a John W. Henry, principal dono da equipe de baseball Boston Red Sox. Assim, após duas décadas lutando para conter a queda em circulação e receita, o jornal volta às mãos de um proprietário local.

Eileen Murphy, porta-voz do New York Times, confirmou que Henry irá pagar US$ 70 milhões (o equivalente a R$ 160 milhões) pelo jornal. Isso representaria uma desvalorização assombrosa para o Globe, que o Times comprou em 1993 por US$ 1,1 bilhão, o preço mais alto já pago por um jornal americano. Na época, o Globe era um dos jornais com maior prestígio da nação, num ambiente midiático muito mais sólido. Mas, como outros jornais, começou a perder leitores e anunciantes para a internet e a receita desabou. O The Times Company fez diversos abaixo-assinados relacionados ao Media Group e em fevereiro disse que iria por o Globe e outros ativos do grupo à venda.

Para o Globe, a venda planejada restabelece uma conexão que prevaleceu por 120 anos com a família Taylor, que foi proprietária do jornal de 1873 até sua venda, há 20 anos. Embora não seja natural de Boston, Henry tem participado ativamente na última década do esporte local e o Fenway Sports Group, de sua propriedade, é dono do Red Sox – 80% do New England Sports Network. Também é proprietário do clube de futebol Liverpool F.C., da primeira divisão inglesa.

Publicidade da Costa Leste

“Esta é uma região próspera e dinâmica que precisa de um Boston Globe forte e sustentável, desempenhando um papel integral no futuro a longo prazo da comunidade”, disse Henry, num depoimento sobre a compra. “Nos próximos dias haverá notícias daqueles que se juntam a mim nesse compromisso e esforço comunitário.”

Além do jornal Globe, a venda inclui as empresas BostonGlobe.com, Boston.com, The Worcester Telegram & Gazette, Telegram.com, a firma de marketing de mala direta Globe Direct e 49% de participação do Metro Boston, um jornal diário gratuito. Henry está comprando o grupo de mídia sem sócios e, de acordo com os termos da negociação, ele não tem que assumir as responsabilidades de pensões do Globe. A venda concreta, em dinheiro, é aguardada para os próximos 30-60 dias.

O Globe não é o único jornal que foi vendido por um preço muito desvalorizado. Em abril de 2012, os jornais de Filadélfia foram vendidos por US$ 55 milhões, depois de terem pago US$ 515 milhões em 2006. Em outubro, o jornal Tampa Tribune foi vendido por US$ 9,5 milhões. Durante as recentes negociações sobre a venda do portfólio de jornais da Tribune Company, analistas avaliavam que toda a empresa – incluindo o Los Angeles Times e o Chicago Tribune – valia apenas US$ 623 milhões.

Para o grupo Times Company, o Media Group de New England era o último ativo de um portfólio que vinha diminuindo há vários anos. A aquisição do Globe, em 1993, era parte da estratégia da empresa de consolidar sua presença no setor de publicidade do corredor da Costa Leste, estendendo-se do Maine a Washington D.C. Na época, além de seu principal jornal, o New York Times, o Times Company possuía 31 jornais regionais, 20 revistas, cinco emissoras de televisão e duas estações de rádio, além de outros negócios. Também detinha, com a Washington Post Company, parte do International Herald Tribune.

Circulação caiu 38% em 2013

Mas nos últimos anos o Times Company vem se desfazendo de seus ativos menos importantes para se dedicar ao desenvolvimento de sua principal marca, o New York Times. Em 2012, a empresa vendeu seus 16 jornais regionais. No ano passado, vendeu o About Group à IAC/InterActiveCorp por US$ 300 milhões. Este ano, o Times anunciou planos de expandir sua presença global, mudando o nome do International Herald Tribune para The International New York Times e atraindo uma nova audiência global de leitores para se tornarem assinantes.

O Globe atraiu uma série de compradores em potencial. Entre os que mostraram mais interesse estava Douglas F. Machester, dono do U-T San Diego, e um grupo liderado por Jack Griffin, ex-executivo da Time Inc., que incluía Ben e Steve Taylor, cuja família vendeu o Globe à Times Company.

Esta semana, o Globe divulgou que John Henry se oferecera para comprar o jornal depois que o grupo de investimentos em esporte de que é sócio desistira. Henry trabalhou com o NYTimes na década passada, quando da compra de parte do Fenway Sports Group. Em 2012, o Times Company vendeu sua parte no grupo por US$ 63 milhões.

Como a maioria dos jornais, o Globe lutou para manter seus leitores e os anunciantes de sua edição impressa, que alimentavam seus lucros, durante décadas. Segundo a firma Alliance for Audited Media, a circulação do Globe de segunda a sexta-feira caiu 38% em 2013, em relação a 2003, de 402.423 para 245.572 exemplares. Antes da compra do Globe pela Times Company, em 1993, o jornal tinha uma circulação de 506.996 exemplares nos dias úteis.

Número de assinantes digitais subiu quase 70%

A queda da publicidade acompanhou a da circulação. Segundo o relatório referente ao faturamento do segundo trimestre divulgado pelo Times Company na quinta-feira (1/8), a receita publicitária para o Media Group da região de New England caiu 9,5%, para US$ 44,4 milhões, se comparada com o mesmo período de 2012.

Após a divulgação do faturamento da empresa, John Janedis, um analista da UBS, disse que era prudente a empresa vender o Globe. Ele avaliou que o jornal valia de US$ 150 a 175 milhões, sem levar em conta as obrigações de pensão e aposentadoria. “As tendências, no Globe, foram um estorvo para a empresa”, disse Janedis. “O New York Times vem tendo um desempenho muito melhor há vários anos. Se você pode alterar o foco de um jornal com uma atração global maciça, que ainda goza de um número de leitores muito significativo, e ainda expandir as ofertas de produtos, provavelmente há aí mais criação de valor a longo prazo do que em manter o Times e o Globe no mesmo portfólio.”

Durante o tempo em que pertenceu ao grupo Times Company, o Globe ganhou oito prêmios Pulitzer, incluindo o prêmio por serviço público de 2003 por sua cobertura do abuso sexual na igreja católica. Em novembro do ano passado, o Washington Post contratou Martin Baron, editor do Globe por uma década e que vinha cuidando da cobertura do jornal desde pouco antes dos ataques de 11 de setembro de 2001. Em dezembro, o NYTimes anunciou que Brian McGrory, veterano colunista e ex-editor da Região Metropolitana, iria ocupar o lugar de Baron. Em seus primeiros dias no cargo, McGrory liderou o trabalho da equipe do Globe na cobertura dos ataques à bomba na maratona de Boston – matéria que seria divulgada pelas organizações jornalísticas ao redor do mundo.

Assim como muitos jornais que lutaram para se manter relevantes para os leitores mais jovens, que leem mais o noticiário online, o Globe deu alguns passos no sentido de atrair audiências mais jovens. Sob a liderança de seu publisher, Christopher M. Mayer, o jornal convidou empresas de tecnologia iniciantes [startups] para usarem o espaço abandonado dos anúncios classificados em sua redação encolhida. Também transformou um espaço vazio em espaços comunitários, onde bandas que visitam a estação de internet e a rádio BDC podem se apresentar. Segundo o último relatório sobre faturamento, o número de assinantes digitais subiu quase 70% em relação ao ano passado, para 39 mil.

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