Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > O IMPACTO DA WEB

Como a internet pode ajudar as empresas de mídia

20/08/2013 na edição 760
Tradução de Larriza Thurler, edição de Leticia Nunes. Informações da Economist [“Counting the change”, 17/8/2013]

Na última década, jornais perderam leitores e anunciantes para a internet. Livrarias e lojas de DVDs e CDs fecharam. A indústria da TV resistiu até agora ao impacto da web, mas isso não impediu a previsão pessimista de analistas de que cada vez mais anunciantes e telespectadores deverão migrar para a rede.

Em 2008, Jeff Zucker, então presidente da NBC Universal, lamentou a tendência de “trocar dólares analógicos por centavos digitais”. Agora, entretanto, os centavos começam a crescer. Até mesmo Zucker, hoje presidente da CNN Worldwide, mudou sua opinião. “A velha mídia está bem atrás dos centavos digitais”, disse.

O que o fez mudar de ideia foi o boom de smartphones e tablets com o aumento da velocidade da banda larga, que encorajou as pessoas a pagar por conteúdo que pode ser levado com elas. Isso sem falar nos serviços como Netflix (para acesso a filmes e programas televisivos) ou Spotify (para música) que oferecem conteúdo ilimitado gratuito por um mês em aparelhos móveis. Segundo a empresa de pesquisas eMarketer, os americanos gastarão em 2013 mais tempo online ou usando mídia computadorizada do que vendo TV.

De vilã a aliada

Mas, depois de anos de estragos, a internet começa a ajudar as empresas de mídia a crescer. A PricewaterhouseCoopers (PWC) estima que a receita para mídia e entretenimento online suba 13% ao ano nos próximos cinco anos. A previsão é otimista também para a música, que foi muito atingida com a internet. Pela primeira vez em uma década, a receita global da indústria fonográfica cresceu 0,2% no ano passado e as vendas online superaram a queda nas vendas físicas pela primeira vez. O crescimento também é observado na rádio online. Em 2012, serviços online on-demand ou por streaming arrecadaram US$ 1 bilhão (em torno de R$ 2,4 bilhões), o que representa 15% da receita da indústria musical nos EUA naquele ano. O medo de que o streaming pudesse canibalizar os downloads parece injustificado, pois ele permite que as pessoas escutem suas canções favoritas repetidamente e acaba reduzindo a pirataria, por oferecer um modo barato, legal e conveniente de ouvir música.

Em relação à indústria cinematográfica, sites como Netflix, RedBox, Hulu e Amazon estão impulsionando lucros de empresas de mídia ao comprar os direitos para exibir conteúdo online – para se ter uma ideia, Netflix, Hulu e Amazon pagam em torno de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 7 bilhões) para licenciar conteúdo. A empresa de pesquisa Sanford C. Bernstein estima que o licenciamento online foi responsável por 1/3 do crescimento da receita na rede de TV americana CBS.

O declínio do físico

A mudança mais óbvia nos últimos anos foi o declínio de produtos “físicos”, como CDs, DVDs e jornais impressos. Em 2008, quase 90% dos gastos dos consumidores eram com eles; até 2017, será pouco mais da metade, com o restante para produtos digitais. O conteúdo eletrônico tem vantagens como baixo custo de distribuição.

Editoras de livros também estão se adaptando. Com o aumento do uso dos tablets, as vendas de e-books subiram. O gasto total com livros não deve subir, mas, com cada vez mais pessoas comprando e-books, as editoras tem menos custos para impressão, distribuição e armazenamento. Brian Murray, presidente da HarperCollins, prevê que em três anos 40% das vendas serão de e-books.

Os jornais estão apostando na venda de assinaturas digitais. O New York Timestem quase 700 mil assinantes online, mas são poucos os jornais com tanto sucesso. A saída é ter outras opções de receita, como projetos de marketing e eventos – responsável por 10% (ou US$ 3 bilhões) da receita total de jornais americanos no ano passado.

Adaptação constante

A internet pode estar ajudando na recuperação da indústria, mas não fará com que a indústria de jornais ou música volte a seu tamanho original. Diversas empresas estão se unindo e reduzindo custos. As editoras Penguin e Random House uniram-se este ano para competir com a Amazon, que agora também publica livros. A Universal Music comprou a EMI no ano passado. Jornalistas escrevem mais artigos por salários mais baixos em redações cada vez menores.

Há o lado bom também. Autores conseguem 25% da receita líquida com royalties de e-books, comparado a 16% do impresso. Editoras estão lançando livros eletronicamente para testar vendas e ajustar preços antes da impressão dos livros de papel. Muitos músicos conseguem uma exposição maior online e agora podem usar dados de streaming para decidir onde fazer shows – que são responsáveis por mais da metade de sua receita.

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