Sábado, 21 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

MONITOR DA IMPRENSA > RESCALDOS DO CASO SNOWDEN

Companheiro de Glenn Greenwald detido em Londres

20/08/2013 na edição 760

Tradução e edição: Leticia Nunes. Com informações de Charlie Savage e Michael Schwirtz [“Britain Detains Partner of Reporter Tied to Leaks”, The New York Times, 18/8/2013]

O estudante de comunicação David Miranda, 28 anos, companheiro do correspondente do diário britânico The Guardian Glenn Greenwald, chegou ao Rio de Janeiro na segunda-feira (19/8) após passar quase nove horas detido para interrogatório no aeroporto de Heathrow, em Londres, com base na lei de contraterrorismo do país. Greenwald, americano, é o jornalista que revelou as informações vazadas pelo ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA Edward Snowden sobre as práticas de espionagem do governo americano.

Miranda, que é brasileiro, foi detido sob o Artigo 7 do Ato de Terrorismo Britânico, que permite que autoridades detenham, em aeroportos, portos e áreas de fronteira, uma pessoa por até nove horas para interrogatório e revistem seus itens pessoais para determinar possíveis ligações com grupos e atos terroristas. De acordo com o governo britânico, a grande maioria das pessoas detidas sob este artigo é interrogada em menos de uma hora. Miranda ficou em poder da polícia por 8h55m.

“O que é impressionante é que esta lei dá a eles o direito de deter e questionar a pessoa sobre suas atividades com uma organização terrorista ou seu possível envolvimento ou conhecimento de um plano terrorista”, disse Greenwald, ressaltando: “A única coisa em que eles estavam interessados eram os documentos da NSA e no que eu estava fazendo com [a documentarista] Laura Poitras [que, junto com Greenwald, ajudou a disseminar os dados de Snowden]. É um abuso total da lei”.

Viagem paga pelo Guardian

O jornalista afirmou ainda que se trata de uma “intensificação séria e radical do que eles estão fazendo”. “[Miranda] é meu companheiro. Ele não é nem jornalista”, completou. Mas, segundo o próprio Greenwald, seu companheiro teve a viagem paga pelo Guardian. Ele havia passado uma semana na Alemanha em visita a Laura Poitras e fazia escala em Londres ao voltar para o Rio de Janeiro, onde mora. Em reportagem exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, na noite de domingo (18/8), Greenwald contou que Miranda levou para a Alemanha documentos para Laura avaliar e trazia na bagagem, em arquivos digitais criptografados, mais documentos vazados por Snowden.

A Polícia Metropolitana de Londres declarou apenas que Miranda havia sido detido sob o Ato de Terrorismo e posteriormente liberado, sem entrar em detalhes. Segundo Greenwald, as autoridades britânicas apreenderam todos os equipamentos eletrônicos que estavam com Miranda, incluindo celular, computador, DVDs, pen drives e um videogame.

Ação injustificável

Ainda no domingo, o Itamaraty declarou que a ação da polícia britânica era “injustificável”. “O Governo brasileiro manifesta grave preocupação com o episódio ocorrido no dia de hoje em Londres, onde cidadão brasileiro foi retido e mantido incomunicável no aeroporto de Heathrow por período de 9 horas, em ação baseada na legislação britânica de combate ao terrorismo. Trata-se de medida injustificável por envolver indivíduo contra quem não pesam quaisquer acusações que possam legitimar o uso de referida legislação. O Governo brasileiro espera que incidentes como o registrado hoje com o cidadão brasileiro não se repitam”, afirmava a nota.

Na chegada ao Rio, Miranda contou que foi interrogado por seis agentes, que lhe fizeram perguntas sobre sua vida. Liberado sem acusação formal, ele disse que procuraria as autoridades brasileiras e americanas. Greenwald classificou a detenção de um ato de intimidação e prometeu que será ainda mais agressivo em suas reportagens no Guardian.

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