Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > NEWS CORP

Polícia investiga negligência corporativa no caso dos grampos

20/08/2013 na edição 760
Tradução de Rodrigo Neves, edição de Leticia Nunes. Informações de Jamie Doward [“News International could face corporate charges over phone hacking”, The Guardian, 17/8/2013]

A divisão britânica de jornalismo do império do magnata de mídia Rupert Murdoch pode vir a enfrentar acusações corporativas por conta da investigação da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) sobre os grampos telefônicos ilegais do extinto tabloide News of the World. Até agora, a investigação parecia focar mais nos funcionários da empresa, e não nas práticas corporativas. Recentemente, dois executivos veteranos da News International, rebatizada de News UK, foram “entrevistados formalmente” pela polícia sobre o funcionamento da companhia;além dos grampos, a investigação aborda também a suspeita de suborno de oficiais públicos.

As alegações indicam uma nova linha para o inquérito, o que pode trazer potenciais consequências para a News UK, controladora dos jornais The Sun e The Times. Em uma tentativa de limitar danos após o escândalo, a News Corp foi separada da News UK. Esta nova linha pode vir a repetir os eventos sofridos pela empresa nos EUA, onde o Departamento de Justiça e o FBI investigam a News Corp dentro da Lei de Práticas de Corrupção Estrangeiras, que pode impor penas severas para companhias que subornam autoridades estrangeiras.

Uma das vozes mais críticas à News International quando os grampos telefônicos foram descobertos, o membro do parlamento Chris Bryant afirmou que a polícia britânica lhe contou que está “investigando ativamente acusações corporativas e que está se correspondendo com autoridades americanas”. Bryant defendeu que a lei no Reino Unido é, hoje, tão rígida quanto à americana, devido à ratificação da Lei do Suborno em 2010. “Dentro da lei, a pessoa jurídica pode sofrer acusações caso sua administração corporativa tenha sido tão imprudente a ponto de ser negligente”, afirmou.

Sue Akers, que liderava a investigação da Polícia Metropolitana até se aposentar, no ano passado, chegou a confirmar ao inquérito Leveson que procurou aconselhamento jurídico sobre a acusação de “ofensas individuais e corporativas”, sugerindo que diretores do grupo pudessem ser indiciados por negligência. Agora, surgem evidências de que a polícia tem, de fato, concentrado a investigação nas práticas corporativas.

Os detetives foram beneficiados com um acordo para compartilhamento de informação com o Comitê de Administração e Normas da News Corp, criado para conduzir uma investigação interna sobre as alegações de grampos e subornos.

Prisões e julgamentos

Mais de 125 pessoas já foram detidas e mais de 40, indiciadas na investigação que levou Murdoch a fechar o News of the World em julho de 2011. Fontes dizem que a polícia está esperando até que os julgamentos criminais de indivíduos sejam concluídos antes de decidir se irá apresentar acusações corporativas.

Rebekah Brooks, antiga executiva- chefe da News International, será julgada, com outras oito pessoas, em setembro, enquanto oito jornalistas do Sun serão julgados em janeiro por suborno de oficiais.

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