Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

MONITOR DA IMPRENSA > ÍNDIA

Fotojornalista sofre estupro coletivo em Mumbai

27/08/2013 na edição 761
Tradução e edição de Leticia Nunes. Informações de Neha Thirani Bagri [“Mumbai Police Arrest Suspect in Gang Rape”, New York Times, 23/8/13]

Uma fotojornalista de 22 anos, que trabalha para uma revista em língua inglesa, foi estuprada por cinco homens em Mumbai na semana passada (22/8), minando a imagem da cidade como uma das poucas áreas na Índia onde as mulheres podem circular com segurança nas ruas. Pela lei indiana, as autoridades não podem divulgar o nome de vítimas de estupro – neste caso, também permaneceu em sigilo o nome do empregador.

A jovem, acompanhada de um colega jornalista, fazia uma reportagem em uma fábrica têxtil abandonada em um antigo distrito industrial de Mumbai que hoje é um bairro em ascenção, com apartamentos de luxo, shoppings e escritórios de mídia e publicidade. Os dois chegaram ao local no fim da tarde e, enquanto ela fotografava, cinco homens os renderam. O repórter que a acompanhava foi amarrado e espancado.

De acordo com a polícia, não se sabe se os cinco homens participaram do estupro. No hospital onde a vítima foi internada, médicos afirmaram que ela sofreu ferimentos externos e internos, mas sua situação era estável. Já na manhã seguinte ao ataque, um dos suspeitos foi preso, e a polícia afirmou que havia identificado os outros agressores. Seriam todos homens na faixa dos 20 anos, que moram próximo ao local da fábrica abandonada. Dois deles têm ficha criminal.

Mudança na lei

A rápida ação da polícia no caso da fotojornalista tem relação com um estupro coletivo que levou à morte, em dezembro passado, de uma estudante de fisioterapia de 23 anos. A jovem, que estava em um ônibus em Nova Délhi com um amigo, foi estuprada por quase uma hora, espancada e jogada do ônibus em movimento, e morreu duas semanas após o ataque. O caso ganhou as manchetes mundiais, e milhares de pessoas protestaram por semanas na Índia pedindo por mais segurança para as mulheres e penas mais pesadas para agressores sexuais.

Em março, o judiciário revisou a legislação que trata de ataques sexuais, datada da era colonial, para ampliar a punição para casos de violência contra as mulheres e definir voyeurismo e perseguição persistente como ofensas criminais. Sob a nova lei, suspeitos deste tipo de crime, se condenados, podem pegar de 20 anos de cadeia a prisão perpétua.

A agressão sofrida pela fotojornalista, na semana passada, provocou revolta entre profissionais de imprensa indianos. Um dia após o estupro, cerca de 50 jornalistas participaram de um protesto silencioso em uma praça no distrito financeiro de Mumbai.

R.R. Patil, ministro do Interior do estado de Maharashtra, que tem Mumbai como capital, afirmou à imprensa indiana que jornalistas mulheres trabalhando em áreas isoladas passariam a receber proteção policial, mas a ideia recebeu críticas. “Como jornalista, eu deveria ser livre para reportar de onde eu quero, assim como meus colegas homens”, afirmou no Twitter a repórter Deepti Sachdeva, da emissora de TV Times Now.

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