Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > TINA BROWN

Editora anuncia saída do Daily Beast e do jornalismo

17/09/2013 na edição 764
Tradução de Rodrigo Neves, edição de Leticia Nunes. Informações de John Gapper[“Tina Brown leaves journalism in her wake”, Financial Times, 14/9/2013]

A jornalista britânica Tina Brown, de 59 anos, anunciou na semana passada sua saída do site Daily Beast. O anúncio foi feito depois que Barry Diller, dono da empresa IAC/InterActiveCorp, proprietária do site, sugerir que o contrato não seria renovado. Tina, que já passou por Vanity Fair e New Yorker, afirmou que deixará o jornalismo para comandar a Tina Brown Live Media, uma empresa de conferências dedicada a “cúpulas e debates rápidos”. Também está em seus planos escrever um livro sobre seu tempo nas revistas.

Segundo artigo no Financial Times, a saída de Tina do Daily Beast é muito mais um comentário sobre o estado contraído do jornalismo tradicional do que uma virada em sua carreira. Ela tentou reviver a Newsweek há três anos, quando a revista se fundiu com o Daily Beast, mas o esforço fracassou. As revistas estão encolhendo e os sites, perdendo dinheiro.

Marca própria

Filha de um produtor de cinema, Tina Brown foi criada na Inglaterra e se tornou editora da revista de classe alta Tatler por volta de seus vinte anos, após se formar em Oxford. Ela mudou-se para Nova York em 1983 para editar a Vanity Fair e desde então provocou medidas iguais de admiração e ressentimento por onde passou. A jornalista acabou por tornar uma marca própria.

Seu impacto nas revistas americanas, incluindo seu mandato de seis anos na New Yorker, permanece. “Ela era uma séria destruidora. A velha guarda achava que sabia como fazer as coisas e ela mostrava como pressionar, quebrar a velha hierarquia e fazer um produto mais excitante”, declarou um editor.

Dirigir o Daily Beast foi igualmente excitante, diz Tina. “Foi como meus dias na Tatler, liderando um grupo de jovens renegados e comprometidos e criando um site que combina a vibração de uma revista glamourosa com a adrenalina das notícias”.

No entanto, não foi fácil. O tráfego do Daily Beast está menor que no ano passado e o site provavelmente perderá 12 milhões de dólares neste ano. Barry Diller, consequentemente, não está nada satisfeito. “O erro de Tina foi amadurecer em uma era onde o capital vem de bilionários instáveis. Ela sempre dependeu deles”, diz Nick Denton, fundador do Gawker Media.

Desta vez, Tina está em consonância com seu tempo: muitos veículos estão lançando serviços de conferências. E ela já transformou o Women in the World, um encontro iniciado pelo Daily Beast e apresentado em conjunto com a atriz Meryl Streep, em um grande evento. A jornalista também quer construir conferências similares com “debates instantâneos”, painéis sobre as últimas notícias convocados rapidamente com nomes relevantes.“Durante todo esse tempo como editora, tenho uma grande lista de contatos”.

Tina defende que, em um mundo em constante fluxo de informação, as pessoas valorizam interação social e estar na plateia de debates. “Existe uma cultura de déficit de atenção nos dias de hoje. É tudo sobre o tráfego e golpes rápidos. Nós teremos discussões profundas de 45 minutos”, diz ela. “Se este não fosse um ótimo negócio, não estaria nele”.

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