Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

MONITOR DA IMPRENSA > TRINITY MIRROR

Mais um grupo britânico investigado por grampos telefônicos

17/09/2013 na edição 764
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Alan Cowell [“Second Newspaper Group Under Inquiry in British Hacking Scandal”, The New York Times, 12/9/2013]

Depois do longo escândalo que atingiu o braço britânico da News Corporation, mais uma editora de jornais do país foi atingida pela suspeita de prática ilegal de grampos telefônicos. O grupo Trinity Mirror informou, na semana passada, que está sendo alvo de uma investigação policial para apurar alegações de “conduta ilegal” de funcionários do tabloide Sunday Mirror.

A editora, que também publica os jornais Daily Mirror e Sunday People, declarou que não aceita qualquer tipo de conduta imprópria e que leva as alegações a sério. “Ainda é cedo para saber como essas questões irão progredir, e atualizações serão feitas se houver avanços significativos”, dizia a mensagem.

A polícia de Londres havia anunciado, há alguns meses, a prisão de quatro jornalistas funcionários do grupo Mirror sob suspeita de conpiração para interceptar comunicações telefônicas. Os nomes dos profissionais não foram revelados – sabe-se apenas que eram três homens e uma mulher. Na ocasião, a imprensa britânica especulou que eram editores ou ex-editores, e entre eles estariam o editor e subeditor do Sunday People e um ex-editor e ex-subeditor do Sunday Mirror. O anúncio feito na semana passada sugere que a polícia também investiga se a diretoria do grupo – ou seja, os empregadores dos jornalistas presos – teria responsabilidade sobre os supostos atos ilegais.

Lembrando o caso

O escândalo dos grampos no império de jornais do magnata Rupert Murdoch atingiu seu auge em 2011, quando o tabloide News of the World foi fechado após a revelação de que seus funcionários haviam invadido – com a ajuda de um detetive particular – a caixa postal do telefone de uma adolescente desaparecida, em 2002. Posteriormente, descobriu-se que a menina, Milly Dowler, havia sido sequestrada e assassinada, e que o jornal teria apagado mensagens da caixa postal, o que levou a polícia a acreditar que ela ainda estivesse viva.

Antes disso, o jornal já havia sido acusado de outros grampos. Em 2006, por exemplo, os telefones de funcionários da família real teriam sido invadidos, o que levou à prisão de um jornalista e um investigador particular. Além da prática dos grampos, a polícia investiga o suborno a servidores públicos em troca de informações privilegiadas. De 1999 até agora, mais de cem pessoas, entre jornalistas e executivos de imprensa, policiais e detetives particulares, foram detidas.

O escândalo impulsionou a criação do Inquérito Leveson, que analisou as práticas e parâmetros éticos da imprensa no Reino Unido. No fim do ano passado, o inquérito foi finalizado e o governo recebeu um relatório defendendo a criação de um novo órgão independente de regulação para substituir a gasta Press Complaints Commission. Agora, governo e imprensa discutem a melhor forma de garantir a qualidade do jornalismo e evitar abusos.

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