Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

MONITOR DA IMPRENSA > CIBERBULLYING

Suicídio de adolescente levanta debate sobre relações online

17/09/2013 na edição 764
Tradução de Larriza Thurler, edição de Leticia Nunes. Informações de Lizette Alvarez [“Girl’s Suicide Points to Rise in Apps Used by Cyberbullies”, The New York Times, 14/9/2013]

A adolescente americana Rebecca Ann Sedwick, de 12 anos, faz parte de uma lista crescente de jovens aparentemente levados ao suicídio depois de receber ameaças e insultos online, na maior parte dos casos por meio de uma nova série de aplicativos de celular para compartilhar mensagens de texto e fotos. Antes de ir para a escola, Rebecca escondeu seus livros sob uma pilha de roupas e deixou para trás seu celular – um raro lapso para uma adolescente.

No mundo virtual, ela mudou seu nome no aplicativo Kik Messenger para “Aquela Menina Morta” e enviou uma mensagem de despedida para duas amigas. Então, escalou uma plataforma em uma antiga fábrica de cimento abandonada perto de sua casa e pulou. Seu suicídio levanta questões sobre a proliferação e a popularidade de aplicativos e sites entre crianças e adolescentes e a habilidade de pais para acompanhar as relações online de seus filhos.

Durante mais de um ano, Rebecca sofreu bullying por parte de um grupo de 15 adolescentes que pediam que ela se matasse. A polícia local abriu investigação sobre os alunos que aparentemente enviaram mensagens hostis para a jovem. A Flórida, estado onde ela morava, aprovou uma lei este ano que facilita abrir acusações de delito grave para casos de ciberbullying.

A mãe de Rebecca, Tricia Norman, enfrenta, além da dor, a frustração de imaginar o que poderia ter feito para evitar a tragédia. Tricia chegou a reclamar, mais de uma vez, com funcionários da escola sobre o bullying e, como nada mudava, tirou a filha da escola. Ela também encerrou a conta do Facebook de Rebecca e tirou o celular dela, mudando o número. Ainda assim, a filha começou a se cortar, por isso a mãe teve que colocá-la em um hospital.

Petições online

Depois de um tempo, as coisas pareciam melhores e Rebecca estava aparentemente feliz na escola nova – mas, sem que sua mãe soubesse, baixou novos aplicativos – ask.fm, Kik e Voxer – e começou a sofrer bullying novamente. “Não conhecia esses aplicativos. Não tinha motivos para desconfiar que algo estava acontecendo. Ela estava rindo e brincando”, contou a mãe, que depois teve acesso a algumas mensagens que diziam: “Por que ainda está viva?”, “Você é muito feia”, e “Você pode morrer, por favor?”. Segundo a família de Rebecca, o bullying começou por uma disputa por um menino que a jovem namorou, mas que não via mais. Pouco antes de cometer suicídio, ela fez pesquisas na rede como “Quantos Advil é preciso tomar para morrer?”.

Não é possível precisar o papel que o abuso online teve na morte de Rebecca. Mas especialistas em ciberbullying dizem que aplicativos de troca de mensagens estão se proliferando tão rapidamente que é difícil para os pais acompanhar a vida digital dos filhos. “É uma nova cultura e, como adultos, não sabemos nada, pois muda todo dia”, diz Denise Marzullo, executiva-chefe da Mental Health America of Northeast Florida, que trabalha em escolas com questões de bullying.

No Reino Unido, suicídios de jovens foram ligados ao ask.fm e petições online foram abertas para tornar o site responsável por bullying. A empresa lançou esse ano um botão para reportar bullying e disse que contratará mais moderadores.

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