Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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MONITOR DA IMPRENSA >

Estudo analisa cobertura americana sobre catástrofes

29/10/2013 na edição 770

Um desastre significa, para um jornalista, muito trabalho pela frente para dar conta de passar todas as informações de última hora para o público. Geralmente, após uma catástrofe, a cobertura fica dedicada ao evento e as histórias das vítimas começam a surgir. Ocasionalmente, repórteres podem se aprofundar nas fraquezas e forças da comunidade e trazer à tona questões que podem mitigar futuros desastres – infelizmente, isso não é tão comum.

Na mídia americana, a cobertura de desastres tem seus próprios padrões, diferentes da de outros grandes eventos. No entanto, esses padrões podem não ser o ideal para aprendizado cívico e tomadas de decisões políticas, concluiu o estudo “Disaster News: Framing and Frame Changing in Coverage of Major U.S. Natural Disasters, 2000-2010” (“Notícias de desastres: estrutura e mudança na estrutura da cobertura dos grandes desastres naturais americanos de 2000-2010”, na tradução livre), publicado no periódicoJournalism & Mass Communication Quarterly.

Os autores J. Brian Houston e Cathy Ellen Rosenholtz, da Universidade do Missouri, e Betty Pfefferbaum, da Universidade de Oklahoma, analisaram a cobertura de 11 grandes catástrofes naturais: a tempestade tropical Allison, em 2001; os furacões Charley, Frances e Ivan, em 2004, e o Rita, em 2005; o tornado Evansville, em 2005; o incêndio de 2007 na Califórnia; o tornado da Super Terça em 2008; as enchentes de Iowa, também em 2008, e as do Arkansas, em 2010. Foram no total 927 matérias de cinco grandes veículos de notícias americanos: Wall Street Journal, USA Today, New York Times, ABC World News e CBS Evening News.

Menos tempo e mais imediatismo

Os professores descobriram que, “na média, a mídia cobriu desastres naturais por curtos períodos de tempo, em comparação a outros temas; a cobertura tendeu a focar no impacto atual dos desastres nos seres humanos e no ambiente (como, por exemplo, quem ficou ferido ou morto e o que foi destruído); o impacto econômico do desastre foi um item importante; a cobertura geralmente focou no estado e na região relacionados ao evento; as notícias eram basicamente sobre o que estava acontecendo no momento”.

As notícias têm, em geral, uma vida de 18,5 meses na mídia; já as sobre desastres só tiveram 12 meses. Os veículos locais, entretanto, cobriram os eventos que aconteceram nas suas regiões por um período maior de tempo. Não considerando a cobertura do furacão Katrina, os desastres tiveram uma cobertura de apenas 178 dias nos veículos nacionais. Quase 2/3 (62,8%) da cobertura foram feitos nos primeiros 30 dias depois do desastre. Essa cobertura inicial tende a focar no dano físico, enquanto a posterior observa as dimensões políticas e de interesse humano.

O estudo destaca, ainda, a importância da cobertura em uma conversa política mais ampla sobre ajuda aos impactados, proteção ambiental, mudanças climáticas, entre outros. “A mídia pode ajudar comunidades a identificar potenciais ameaças, a lutar por mudanças necessárias no ambiente e a informar as pessoas a como estar preparadas para desastres”, concluíram os pesquisadores. “A cobertura poderia também informar os cidadãos sobre serviços disponíveis pós-desastre e disponibilizar um fórum para planejamento da comunidade para reconstrução”. Acesse o estudo, em inglês, aqui.

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