Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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MONITOR DA IMPRENSA >

James Risen merece aplausos, não condenação

Por Eleanor Randolph em 29/10/2013 na edição 770

Numa reação às críticas feitas às táticas duras adotadas pelo governo Obama nas relações com a mídia, Eric Holder [attorney general, equivalente a ministro da Justiça] anunciou em julho novas diretrizes para proteger repórteres de promotores excessivamente diligentes. Anunciou as diretrizes como uma maneira melhor de proteger repórteres envolvidos em investigações de vazamentos federais, o que pareceu promissor. Mas se realmente se preocupa com este problema, Holder deveria suspender sua exigência de que o repórter James Risen, do New York Times, revele uma fonte de seu livro de 2006 sobre a CIA.

James Risen negou-se obstinadamente a revelar o nome de sua fonte, ou fontes, mesmo quando o governo levou o caso para os tribunais. Atualmente, após perder seu último recurso, Risen disse que está “determinado a continuar lutando”. Isso significa, quase com certeza, que o caso será levado para a Suprema Corte.

Tentativa temerária

Neste verão, um grupo de juízes do Tribunal de Recursos dos Estados Unidos determinou que James Risen deveria depor no julgamento do oficial Jeffrey Sterling, da CIA. Sterling foi acusado, com base na Lei de Espionagem, de vazar informações confidenciais para Risen. Na semana passada, o plenário do tribunal de recursos concordou, por 13 a 1, em apoiar a decisão do grupo de três juízes no sentido de que Risen deve depor. O juiz do tribunal de recursos Roger Gregory, único voto dissidente, foi o único que não errou. Gregory escreveu que o caso era de “importância excepcional” e que “para que a opinião pública possa servir de teste significativo do poder governamental, a imprensa deve ter a liberdade para comunicar a esse público o uso correto, ou incorreto, desse poder pelo governo”. Ele também disse que repórteres como James Risen, que poderiam ser presos por se recusar a revelar suas fontes, “apenas procuram jogar luz no que faz o nosso governo em nome de seus cidadãos”.

O livro de James Risen revela detalhes de uma tentativa frustrada e temerária de sabotar a pesquisa nuclear iraniana por parte da CIA. A divulgação de fatos tão vergonhosos por Risen deveria merecer um amplo agradecimento público por chamar o governo à responsabilidade, e não ser condenado à prisão.

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A jornalista Eleanor Randolph faz parte do conselho editorial do New York Times

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