Domingo, 16 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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MONITOR DA IMPRENSA >

AOL tenta salvar rede de jornalismo local tida como ‘elefante branco’

21/01/2014 na edição 782

A AOL fechou um acordo com a companhia de investimentos Hale Global para dar novo fôlego à rede de jornalismo local Patch. Fundada em 2009, ela tem hoje mais de 900 sites espalhados pelos EUA que fazem a cobertura local de pequenas cidades e comunidades. Com o anúncio da joint venture, a Patch se tornará uma nova empresa operada pela Hale Global – que se apresenta como parceira de “alienação ou desapropriação de bens de baixo desempenho” e que “busca empresas que sofram de perdas de receita e ceticismo generalizado, mas que têm uma base para crescimento e estabilização”. Os termos do acordo não foram divulgados, mas sabe-se que a AOL será acionista minoritária.

Adquirida pela AOL por menos de US$ 10 milhões e considerada parte de uma estratégia mais ampla para capitalizar sobre as previsões de crescimento rápido dos mercados locais de mídia digital, a Patch sempre foi alvo de críticas. Apenas em 2011, a rede consumiu estimados US$160 milhões em investimentos.

Elefante branco

Tim Armstrong, presidente-executivo da AOL e co-fundador da Patch, já declarou enxergar a rede como um mercado específico de notícias comunitárias com potencial para prosperar, já que as mídias locais, como jornais impressos, sofrem quedas acentuadas na publicidade e nas assinaturas. “A Patch é uma fonte importante de informação para as comunidades”, diz ele, completando que “a joint venture que criamos tem a missão unificada de fornecer plataformas locais e conteúdo hiperlocal”.

No entanto, a rede nunca foi vista como um bom negócio. Em 2012, a Starboard, consultora de investimentos sediada em Nova York, reprovou publicamente a estratégia da AOL em investir no grupo. A imprensa também publicou diversas reportagens negativas. Em artigo no New York Times, a Patch foi chamada de elefante branco, e a Forbescriticou duramente as habilidades de Tim Armstrong no ramo de mídias digitais.

Para piorar, em agosto do ano passado, Armstrong ficou sob os holofotes por um episódio constrangedor: durante uma videoconferência com mais de mil funcionários da empresa, ele perdeu a cabeça e demitiu publicamente Abel Lenz, diretor criativo da Patch, que estava filmando o evento. Mais tarde, o executivo se desculpou pelo incidente, que acabou lhe rendendo um lugar na listade “CEOs que mais pisaram na bola em 2013” da revista Forbes.

Na mesma época a AOL chegou a anunciar novas estratégias ligadas à Patch. O plano seria fechar o grupo, consolidá-lo ou encontrar parceiros para cerca de um terço de seus 900 sites, sendo que aproximadamente 500 pessoas perderiam seus empregos ao longo do processo.

No terceiro trimestre, a AOL apresentou dados sobre seu lucro operacional, que havia caído 61% em relação ao mesmo período do ano anterior, sendo que só em encargos vinculados à Patch houve um gasto de US$ 44 milhões.

Novos  parceiros e usuários

Mesmo assim, a Hale Global informou que planeja investir em novas tecnologias e atividades no ramo de telefonia móvel para a Patch, e que tem seu trabalho bem arquitetado. “Estamos empenhados em trazer os usuários, empresas locais, escritores e publicitários para uma experiência repleta de inovação e crescimento”, diz Charles Hale, diretor-executivo.

As perspectivas, no entanto, não soam tão animadoras. Embora a receita tenha aumentado no último trimestre, a empresa de pesquisa de mercado ComScore divulgou que o tráfego da rede de sites da Patch já apresentou queda de 26% nas comparações entre dezembro de 2012 e 2013 (de 18,6 milhões para 13,8 milhões).

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