Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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MONITOR DA IMPRENSA >

Snowden se une a conselho de organização de Daniel Ellsberg

28/01/2014 na edição 783

Críticos de Edward Snowden o classificam de criminoso e traidor. Seus defensores, por outro lado, afirmam que ele serve de fonte de informação para as novas mídias, assim como o foi o ex-analista militar Daniel Ellsberg nos anos 70. Ellsberg ficou conhecido por ter vazado à imprensa os “Papéis do Pentágono”, um volume extraordinário de documentos sobre o planejamento do governo americano durante a Guerra do Vietnã.

Agora, Snowden, o ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA que vazou uma série de documentos confidenciais revelando o nível de espionagem do governo de Barack Obama, integrará o conselho da organização não governamental Freedom of The Press Foundation, cofundada por Ellsberg.

Já participam do conselho da fundação os dois jornalistas que receberam os documentos de Snowden, Glenn Greenwald e Laura Poitras. Mas a organização, que tem consultado advogados para avaliar se a adesão de Snowden ao seu conselho pode colocar em risco sua posição de instituição isenta de impostos, tenta enfatizar paralelos entre Snowden e Ellsberg.

“Eu não sou um traidor”

Em 1971, o governo Nixon acusou Daniel Ellsberg de ter violado o Ato de Espionagem ao divulgar os Papéis do Pentágono, que revelavam decisões tomadas na guerra do Vietnã, para o New York Times e outros jornais. Uma corte acabou refutando a acusação. Snowden foi acusado pela mesma lei. “Ele não é mais traidor do que eu, e eu não sou um traidor,” disse Ellsberg numa entrevista. Ele acrescentou ainda que estava honrado em servir ao lado de Snowden no conselho, chamando-o de herói que “fez mais para a nossa Constituição em termos da Quarta e da Primeira Emendas” do que qualquer outra pessoa.

O anúncio da inclusão de Snowden ao conselho ocorreu poucos dias depois de republicanos e democratas do Comitê de Inteligência da Câmara tentarem retratá-lo como um traidor, dizendo que ele se aliou aos inimigos da América e colocou em risco a segurança nacional. Os deputados citaram um relatório da inteligência que concluiu que a maior parte dos documentos vazados diz respeito a atividades militares, e não a liberdades civis.

Causas

Em uma declaração divulgada pela fundação, Snowden disse que estava honrado em servir à causa da liberdade de imprensa “ao lado de americanos extraordinários como Daniel Ellsberg.” Como está vivendo na Rússia, ele participará das reuniões através de um link, de acordo com o diretor do grupo, Trevor Timm.

A fundação Freedom of The Press foi criada há 14 meses com o propósito inicial de receber doações para o Wikileaks depois que empresas como PayPal, MasterCard e Visa passaram a se recusaram a processar as contribuições ao projeto de Julian Assange. Rapidamente, a organização se expandiu para outras atividades, como contratar um estenógrafo para produzir transcrições diárias do julgamento da corte marcial do soldado Chelsea Manning, antes conhecido como Bradley Manning, a principal fonte de material dos vazamentos do Wikileaks.

O grupo agora está aumentando o foco em auxiliar jornalistas na proteção da segurança das suas comunicações, como, por exemplo, ajudando a disseminar umsistema de software livre que permitirá que possíveis fontes vazem documentos para jornalistas de uma forma que possam evitar os sistemas de vigilância.

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