Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

MONITOR DA IMPRENSA > PÓS-PRIMAVERA ÁRABE

Jornalismo cidadão luta para reconquistar credibilidade

04/02/2014 na edição 784
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Alice Su [“Post-Arab Spring, citizen journalists struggle”, Columbia Journalism Review, 31/1/14]

O que aconteceu com os jornalistas cidadãos que ajudaram a abalar governos autoritários no Oriente Médio há três anos? Os levantes populares que ficaram conhecidos como Primavera Árabe, ignorados pela mídia controlada pelo Estado, levaram pessoas de países como Egito, Síria e Tunísia a buscar em blogueiros independentes cobertura confiável do que acontecia nas ruas.

De lá para cá, no entanto, muito mudou. Para os cerca de 70 ativistas e blogueiros que participaram, no fim de janeiro, do 4º Encontro de Blogueiros Árabes, em Amã, na Jordânia, rupturas ideológicas acabaram tomando conta do espaço digital e tornando o jornalismo cidadão da região cada vez menos confiável.

Muitos blogueiros passaram a atuar como agentes de partidos políticos. Governos e partidos se infiltraram na blogosfera, pagando estes blogueiros para inflamar debates e provocar dissonâncias entre ativistas. Aqueles que resistem ao assédio ideológico são, muitas vezes, detidos.

O estresse e o medo causados pela repressão levam os ativistas a brigar em vez de se unir. Muitos discordam sobre como resisir às pressões dos governos e, como colocou a blogueira palestina Abir Kopty, “nós estamos nos afogando em um mar de diferentes campanhas online”. Como não há garantia de profissionalismo entre os jornalistas cidadãos, o público acaba tendo que escolher entre a mídia estatal e a cacofonias das vozes online, com poucos recursos para saber em quem confiar.

Censura e repressão

Somada a esta falta de credibilidade, a blogosfera ainda sofre com as reações à Primavera Árabe. Depois de um período curto de florescimento do jornalismo independente e da liberdade de expressão, países como o Egito voltaram a sofrer com a repressão. Jornalistas cidadãos como o egípcio Alaa Abdel Fattah e o sírio Bassel Khartabil, por exemplo, estão atrás das grades sob acusação de participar de protestos políticos – Fattah desde novembro do ano passado; Khartabil desde março de 2012.

Além da polarização e da vigilância dos governo, outro problema encontrado pelos participantes da conferência de blogueiros é a pura e simples censura. “Vocês não dão valor à capacidade que têm de reclamar sobre a vigilância. A censura remove até seu direito de falar sobre estas questões”, lembrou o pesquisador Walid Al-Saqaf, do Iêmen. “Em uma cela de uma pentenciária eu tenho a privacidade de que preciso, mas não posso dizer ao mundo o que eu quero.”

O encontro em Amã chegou ao fim com a conclusão de que é preciso evitar que as desilusões pós-Primavera Árabe desestimulem os jornalistas a compartilhar estratégias e perspectivas táticas e históricas do Oriente Médio. Lina Attalah, co-fundadora do site de notícias egípcio Mada Masr, falou sobre a importância da colaboração regional para que o jornalismo cidadão seja fortalecido. Reuniões como o Encontro de Blogueiros Árabes são importantes. “São um sopro de ar fresco”, resumiu ela.

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