Sábado, 24 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

MONITOR DA IMPRENSA > NOVA BOLHA?

Proliferação de sites jornalísticos faz preço de anúncios despencar

04/02/2014 na edição 784
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de William Lauder [“News Websites Proliferate, Stretching Thin Ad Dollars”, The Wall Street Journal, 27/1/14]

Os grandes lucros podem ser escassos no mundo do jornalismo online, mas isso não tem afastado executivos e jornalistas de investimentos no setor. Nos últimos meses, diversas companhias anunciaram novos negócios em jornalismo digital, principalmente em áreas de conteúdo especializado como mídia e tecnologia.

Os novos investidores estão confiantes, citando o aumento do uso da internet e o interesse do mercado em atingir a audiência através de sites com conteúdo especializado e novas formas de publicidade digital. O que está influenciando esse último boom é a crença de que as organizações de mídia tradicionais, incluindo aí os sites de jornais e revistas, não atraem as pessoas mais jovens, que têm nas mídias sociais fonte primordial de informação.

Porém, de acordo com executivos do mercado, os preços dos anúncios têm caído drasticamente nos últimos anos, fazendo com que seja mais difícil para um investidor recuperar seu investimento inicial. Por isso, a ideia de que este novo jornalismo vá dar bastante dinheiro – e rápido – é vista como quase impossível. De acordo com Jim VandeHei, CEO dos sites Politico e Capital New York, se um investidor estiver em busca de um grande lucro é melhor apostar em setores como saúde ou energia; quem investe em jornalismo, diz ele, tem que ter uma grande “paixão” pela causa.

De fato, a proliferação de novos sites de notícias e a automatização das vendas de publicidade estão pondo para baixo o preço dos anúncios – em cerca de 70% em alguns casos –, fazendo com que seja mais complicado para estes sites conseguir lucrar apenas com a publicidade online. O aparecimento de mais sites de notícias significa que existe mais espaço disponível para anúncios.

Assim, muitos dos novos sites estão buscando fontes de receita variadas. O Capital New York, comprado no ano passado pela família Allbritton, lançou uma newsletter paga sobre política e mídia na esperança de repetir o sucesso de outro site da família, o Politico, que já tem o seu bem-sucedido serviço de assinatura. “Nós nunca iriamos criar um produto de mídia baseado apenas em tráfego online e publicidade”, diz o CEO Jim VandeHei. Ele espera que as assinaturas cheguem a representar metade da receita, com o resto vindo de anúncios e a organização de conferências – outro lado lucrativo do negócio para essa indústria.

O que tem de novo por aí

Em janeiro, o jornalista Ezra Klein deixou o Washington Post para lançar um site de notícias da Vox Media, dona do The Verge, site voltado para assuntos de tecnologia e mídia.

Na semana passada, o empresário de internet e blogueiro Jason Calacanislançou uma plataforma móvel de notícias chamada Inside.com.

O Yahoo! vai lançar um site focado em notícias de tecnologia, e a NBC Universal, da Comcast, está financiando o projeto Re/Code, dos jornalistas de tecnologia Kara Swisher e Walt Mossberg, ex-Wall Street Journal.

Entre os novos projetos que serão lançados em breve, está o empreendimento de jornalismo investigativo First Look Media, financiado por Pierre Omidyar, fundador do Ebay, e coordenado pelo jornalista Glenn Greenwald. O site tem investimento inicial de 250 milhões de dólares.

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